[{"jcr:title":"Como o mercado bilionário de carbono pode acabar com o desmatamento da Amazônia","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"O economista José Alexandre Scheinkman, da Universidade Columbia, apresentou estudo sobre preços de emissões, biomassa e biodiversidade em florestas tropicais","authorDate":"04/08/2025 10h16","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia","title":"Como o mercado bilionário de carbono pode acabar com o desmatamento da Amazônia","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"turquesa / preto / vermelho"},{"themeName":"turquesa / preto / vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"No terceiro e último dia do [2](https://doity.com.br/25ebfin) [5º Encontro Brasileiro de Finanças](https://doity.com.br/25ebfin) , em 26 de julho, o economista  [José Alexandre Scheinkman](https://econ.columbia.edu/econpeople/jose-scheinkman/) , professor da Universidade Columbia (Estados Unidos), apresentou a palestra “Preços de emissões, biomassa e biodiversidade em florestas tropicais”, baseada no estudo dos também economistas Juliano Assunção e Lars Peter Hansen (vencedor do Prêmio Nobel de Economia em 2013).   Maior floresta tropical do planeta, a Amazônia brasileira já teve 20% de sua área desmatada, fato que afetou tanto a biodiversidade quanto a biomassa local. Em contrapartida, a destruição da floresta não contribuiu para a redução da pobreza, ressaltou Scheinkman. “A Amazônia é pobre mesmo dentro dos padrões brasileiros”, disse. “O salário médio de um trabalhador rural na região é cerca de 80% do salário mínimo, que já é extremamente baixo. E, como nem recebem o mínimo, muitos estão na informalidade.”   Cerca de 20% dessas áreas desmatadas foram abandonadas posteriormente, por falta de produtividade. Nas terras ainda em uso, 85% são destinadas à pecuária. Os dados de satélites mostram que parte das terras abandonadas está em processo de reflorestamento passivo, ou seja, a floresta renasce sem qualquer intervenção humana. De graça. O problema é que, se a área ao lado não é reflorestada, não se consegue o mesmo potencial de captura de carbono.   No estudo, a equação de acumulação de carbono considera, entre outros fatores, que o aumento da área agrícola e de criação de gado gera emissões e que a produtividade da pecuária é mais alta no leste da Amazônia, por razões logísticas. No leste, há acesso a estradas; no oeste, basicamente o transporte aquaviário, mais lento. Com base no desmatamento observado, o estudo estima o valor econômico da floresta. O preço de carbono capturado que se ajusta ao cenário histórico é de aproximadamente 6,60 dólares por tonelada, bem abaixo dos 85 dólares praticados na Europa.   Caso o desmatamento continue, o Brasil emitirá cerca de 16 bilhões de toneladas de carbono nos próximos 30 anos. Com a regeneração da floresta, o Brasil deixaria de emitir 16 bilhões de toneladas e ainda passaria a capturar, no mercado de carbono, 18 bilhões de toneladas. Ao preço de 6,60 dólares, os créditos de carbono dessas 34 gigatoneladas gerariam cerca de 200 bilhões de dólares em divisas para o país, superando os lucros da pecuária.   O professor da Universidade Columbia levantou a hipótese de o Brasil cobrar 25 dólares por tonelada de carbono capturado, menos de um terço do preço europeu, em vez dos 6,60 dólares. Esse fluxo de dinheiro não seria permanente, mas poderia gerar um fundo que pagaria os juros para quem mantivesse a floresta intacta, afirmou Scheinkman.   Segundo o palestrante, diferentemente do carbono, a precificação da biodiversidade ainda não está estabelecida. No entanto, a chance de preservar a floresta depende muito de algumas espécies sobreviverem às mudanças climáticas. Quanto maior a diversidade filogenética, mais chance de a floresta sobreviver. Em diferentes estudos, a biodiversidade é avaliada principalmente pela contagem de espécies e pela diversidade filogenética.   A projeção do estudo mostra que, se o desflorestamento prosseguir no ritmo histórico, haverá uma perda média de 17% na contagem de espécies de árvores. Com pagamento de 25 dólares por tonelada de carbono capturado, ocorrerá não só reflorestamento como aumento estimado de 22% na biodiversidade da Amazônia.   Scheinkman resumiu o drama na Amazônia: perdeu-se biomassa e biodiversidade por causa do desmatamento. “Essa é a história do que já aconteceu, não do que pode acontecer”, disse o economista. “E também perdemos uma biomassa extra porque só estamos medindo a biomassa que foi cortada. Não estamos considerando a perda de qualidade da biomassa que ficou ou a perda de tamanho das árvores.”   Por fim, ele apresentou um cálculo que acredita ser inédito. O desmatamento da Amazônia causou perda de biomassa equivalente a 6 bilhões de toneladas de carbono na atmosfera. “Não parece muito, mas essas 6 gigatoneladas equivalem a 11% das emissões anuais dos Estados Unidos. Ou seja, não é um número trivial”, complementou Scheinkman.   [Confira a palestra de José Alexandre Scheinkman e outros trabalhos apresentados no terceiro dia do Encontro Brasileiro de Finanças.](https://www.youtube.com/live/pYG2EKKRDm0)"},{"title":"Cursos relacionados","buttonText":"+ programas avançados"},{"linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Advanced Program in Economics"},{"linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Programa Avançado em Sustentabilidade"}]