[{"jcr:title":"A arte de produzir pesquisas… e pesquisadores","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:gestão-e-negócios","cq:tags_2":"formato-de-programa:doutorado","cq:tags_3":"programas:pós-graduação"},{"richText":"Com apenas dez anos, o Doutorado em Economia dos Negócios do Insper se destaca pela repercussão internacional de suas teses e pelo sucesso de seus formandos em grandes centros de ensino","authorDate":"26/01/2026 10h59","author":"David A. Cohen","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:economia","title":"A arte de produzir pesquisas… e pesquisadores","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"azul marinho / vermelho / turquesa"},{"@stringArray@variations_0":"azul_marinho_rosaturquesa"},{"jcr:title":"azul marinho / rosa / turquesa","name":"azul_marinho_rosaturquesa","jcr:description":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"synchronizeWithVersion_0":"themeName:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_1":"titleFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_2":"titleBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_3":"thinLineFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_4":"additionalDataFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_5":"linkFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_6":"linkHoverFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_7":"backgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_8":"gradientColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_9":"buttonFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_10":"buttonBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_11":"tagFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_12":"tagBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08"},{"themeName":"azul marinho / vermelho / turquesa"},{"themeName":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Dez anos é muito pouco tempo para avaliar um programa de pós-graduação como o [Doutorado em Economia dos Negócios ](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/economia-dos-negocios) do Insper. Basta pensar que, com uma duração média entre cinco e seis anos e um número limitado de doutorandos (cerca de uma dúzia por ano hoje em dia), em uma década simplesmente não é possível produzir massa crítica de formados que permita medir o impacto do curso. O simples fato, portanto, de que este doutorado do Insper tenha o que mostrar ao ter completado, em 2025, uma década de existência só torna a data mais especial. “Nós conseguimos resultados impressionantes, ainda mais para um programa tão novo”, afirma Eduardo Faingold, professor pesquisador e há cinco anos coordenador deste programa de doutorado. Os resultados a que ele se refere estão nos dois principais eixos pelos quais se podem avaliar programas de pós-graduação acadêmica. O primeiro eixo é o das pesquisas — o tamanho e a qualidade da produção. Desde o lançamento do programa, em 2015, foram publicados 54 artigos em periódicos especializados, normalmente de primeira linha, vários internacionais, além de 10 livros e 47 apresentações em congressos, números expressivos para a meia centena de alunos formada. Para compreender a dimensão dessas conquistas é preciso ter noção de como funciona o mercado das publicações científicas. “Existem três categorias de periódicos de economia”, explica Fajngold. Na primeira casta vêm cinco jornais de interesse geral de primeiríssima classe:  Econometrica , J ournal of Political Economy, Review of Economic Studies ,  American Economic Review  e  Quarterly Journal of Economics . “São ultrasseletivos”, afirma. “Nossos alunos ainda não publicaram nesse top 5, mas nossos docentes sim.” Logo abaixo deles estão os “top field”, periódicos mais especializados, também ultra rigorosos — a seleção só não é tão difícil quanto na primeira classe porque, por serem mais especializados, a concorrência de artigos é naturalmente menor. “Nesses tem uma série de alunos já publicando”, diz o coordenador do curso. Mais impressionante ainda é o desempenho na área de administração. “Aí nós já temos alunos que publicam, em parceria com professores, nos periódicos de topo.” Além disso, um aluno do Insper (Leandro Nardi) recebeu da Academy of Management, em 2022, o prêmio William C. Frederick, que reconhece os melhores trabalhos sobre questões sociais e administração. A ênfase nas carreiras internacionais   O segundo eixo pelo qual se pode avaliar um programa de pós-graduação é a formação de pessoal. “Um dos desafios para uma pós acadêmica é formar pesquisadores que continuem a trabalhar como pesquisadores; que se tornem professores e venham a formar outros pesquisadores”, diz Marco Bonomo, professor titular do Insper e coordenador do doutorado entre 2015 e 2018. Neste aspecto, o Insper tem superado mesmo as expectativas mais otimistas. Pesquisadores formados pelo programa foram para Harvard, Oxford, HEC (em Paris), Wharton, PUC do Chile (o doutorado mais tradicional da América Latina) e também como professores contratados pela Faculdade de Economia e Administração da USP. “Quando um competidor local como a USP contrata os seus alunos é sinal de que a coisa está indo bem”, brinca Bonomo. Essa abertura de caminhos tem acontecido desde a primeira turma do doutorado acadêmico. Ana Carolina Santos é um exemplo. Durante seus estudos, foi visitante na Universidade Bocconi, uma das mais importantes da Itália, e na Panthéon-Assas, considerada a sucessora da Faculdade de Direito de Paris, a segunda mais antiga do mundo, fundada no século XII. Depois do doutorado, ela passou pela universidade de Sussex, Cambridge, foi pesquisadora associada na Manchester Metropolitan University e, finalmente, tornou-se professora assistente de economia financeira na Adam Smith Business School, na Universidade de Glasgow. Mais do que as posições em escolas internacionais de ponta, nota Bonomo, é significativo que vários alunos do Insper estejam em posição de tenure track, ou seja, o caminho de efetivação como professor-pesquisador, com estabilidade de carreira (em oposição ao lecturer, ou professor palestrante, que não tem obrigação de pesquisa e é contratado basicamente para dar aulas). Vide o caso de Thomaz Teodorovicz, outro formando da primeira turma do doutorado. “Fui o primeiro doutorando a me formar pelo Insper nesse programa”, lembra. “O único a me formar antes da pandemia de covid-19, tive banca presencial.” Teodorovicz foi pesquisador na Harvard Business School, no departamento de estratégia, teve passagens como pesquisador na Universidade Bocconi e como professor visitante no Insead, na França, e atualmente é professor da cátedra de liderança na Copenhagen Business School. Também se tornou no ano passado professor visitante da HEC, em Paris, junto com Leandro Nardi. São muitos os exemplos de gente do Insper com trajetórias validadas em grandes centros internacionais, cita Teodorovicz. Nardi, professor assistente na HEC; Fernando Deodato Domingos, que foi pesquisador visitante na mesma HEC e pesquisador em pós-doutorado na Universidade de Oxford (hoje professor de gestão estratégica na FGV); Octavio Augusto Darcie de Barros, que foi pesquisador visitante na Universidade de Illinois e é pós-doutorando e pesquisador associado da HEC e ao Insper Metricis; Daphne Coelho, que foi pesquisadora visitante na escola de negócios Wharton, da Universidade da Pensilvânia… Um programa que nasceu diferente   Há várias explicações para um sucesso tão rápido na colocação de novos doutores em postos de destaque, da qualidade da seleção à rigidez do currículo que o Insper adotou. Primeiramente, no entanto, há uma razão de mercado. “Esses resultados”, avalia Teodorovicz, “só podem ser sinal de que havia, no Brasil, uma carência de um programa assim; e que a instituição tem sido capaz de supri-la com excelência.” De acordo com Teodorovicz, isso é verdade em especial na área de administração. “Em economia, nosso programa está entre os melhores do Brasil, e atingir esse nível em dez anos é incrível”, opina. Na área de administração, contudo, o salto foi bem maior: “o que havia no país estava muito aquém do que existe em nível internacional”. Em resumo, formava-se gente muito boa, mas não se geravam pesquisadores para o mercado internacional. “E o programa do Insper conseguiu se diferenciar fazendo isso”, diz. Essa distinção não surgiu à toa. Ela é resultado da própria concepção do programa. “A primeira coisa a notar” sobre o DAEN, afirma Faingold, é que ele “é o único programa stricto sensu do Insper que é acadêmico”. Os outros quatro que a instituição oferece são profissionais: [Mestrado Profissional em Economia](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/economia) , [Mestrado em Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/politicas-publicas) , [Mestrado Profissional em Administração](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/mestrado/administracao) e o [Doutorado Profissional em Administração](https://www.insper.edu.br/pt/cursos/pos-graduacao/doutorado/doutorado-profissional-em-administracao) . “Isso é algo que só existe no Brasil: mestrados profissionais stricto sensu”, nota. Lá fora são muito mais comuns os programas ao estilo do MBA (mestrado em administração de negócios), em que não se prepara o aluno para uma pesquisa nem se exige tese; eles oferecem o ambiente acadêmico, mas com a meta de adicionar valor à vida profissional do aluno. O DAEN também se diferencia, lembra Faingold, por ser "o único programa do Insper que não gera receita”. É, por definição, deficitário do ponto de vista contábil. “Mas gera reputação para a escola.” Pensado para ser internacional   A decisão de criar este programa derivou da própria missão do Insper, de educar e gerar conhecimento. “E a geração de conhecimento passa por uma pós-graduação de qualidade”, afirma Claudio Haddad, fundador e presidente da Assembleia de Associados do Insper. “Temos que ter pesquisa, professores pesquisadores que publicam artigos relevantes.” Uma das vozes mais enfáticas na defesa de um programa capaz de criar pesquisas dentro da escola foi Sérgio Lazzarini, professor titular de administração no Insper e, na época, diretor de pós-graduação stricto sensu. Seu principal argumento era que para assumir o posto de uma escola verdadeiramente de ponta no Brasil era preciso — além da qualidade extraordinária de ensino — produzir pesquisa revolucionária. “Na época havia um certo debate”, recorda Lazzarini. “Se a gente tivesse bons alunos de mestrado, por que não mandá-los para um bom doutorado no exterior?” Mas logo a direção do Insper entendeu que havia sinergias positivas a extrair de um programa de doutorado. Para começar, mestrados já havia (e ainda há) o suficiente no Brasil. “E a gente queria ser inovador, não fazer mais do mesmo”, diz Lazzarini. “Nós chegamos depois, podíamos fazer uma coisa mais moderna”, avalia Faingold. E o diferente era justamente escolher ter um doutorado, em vez de mais um mestrado acadêmico. Diferente, ressalte-se, em relação ao mercado brasileiro. “No exterior não existem muitos mestrados acadêmicos”, afirma Faingold. “Até existe o grau de mestre, é a pessoa que faz doutorado e desiste no meio do caminho, antes de entregar sua tese.” Além de criar um programa de doutorado, a meta era torná-lo inovador. “A primeira decisão foi: vamos ter uma preocupação internacional com o programa”, conta Lazzarini. Não bastava ter alguns professores vindos de fora, nem apenas alguns alunos com experiência internacional: o programa foi completamente modelado como internacional — inclusive com todas as aulas em inglês. “Um dos objetivos era ser um celeiro de talentos não só para o Brasil como para o mundo”, diz. “A gente foi bem ambicioso — e acho que deu certo.” Esta é uma característica importante de um doutorado acadêmico. Os programas profissionais têm, por natureza, um foco mais local. Afinal, o principal objetivo é alavancar a carreira no mercado em que a pessoa está. A pesquisa acadêmica, ao contrário, é por natureza internacional. “Mesmo que você use um banco de dados brasileiro, o artigo vai ser sempre no contexto da relevância intelectual”, afirma Faingold. Ou seja, tem que valer para todo o planeta. Para chegar a esse nível, além das aulas, seminários e teses serem 100% em inglês, a instituição promove um intercâmbio constante com os melhores centros de economia do mundo. A maioria dos professores é formada em centro internacionais importantes — e muitos já trabalharam fora. “Os alunos também vão passar um período fora, no meio do doutorado”, diz Faingold, no que comumente se chama de bolsa sanduíche (sendo o recheio a experiência fora do país). Essas bolsas são tipicamente providas por uma agência de fomento, principalmente da Capes, do CNPq e da Fapesp. A alta reputação e a qualidade do Insper elevam a probabilidade de obtenção das bolsas.     Economia ou administração? As duas juntas   A segunda decisão para tornar o programa inovador foi juntar as áreas de economia e administração. No Brasil, eles em geral são separados. A inclinação para isso foi reforçada pela própria experiência de Lazzarini. “Eu fiz doutorado em administração na Olin (John M. Olin School of Business, da Universidade de Washington), e o primeiro ano era junto com o pessoal de economia”, diz ele. “É comum lá fora: o doutorado em uma escola de negócios, muitas vezes você faz aulas no departamento de economia, ou mesmo de psicologia.” Isso é bom, avalia o professor, porque as escolas bebem dos pontos fortes uma da outra. O maior efeito positivo desta segunda decisão foi no campo da administração, que se beneficiou do rigor tradicional das pesquisas em economia. O efeito inverso também foi significativo: as pesquisas de economia acabam tendo um teor mais prático, mais ligado à realidade. “A grande diferença”, explica Lazzarini, “é que nos dois casos há mais rigor profissional”. No doutorado acadêmico, diz ele, “a gente pede que o aluno esteja na fronteira do conhecimento: que trate de um novo problema, uma nova questão”. Mesmo fazendo isso, o programa do Insper é montado de forma que a pessoa tenha, em sua pesquisa, “muito encaixe com problemas atuais, reais”. A isso se soma a privilegiada ligação que o Insper tem com o mundo dos negócios, o que facilita a realização das pesquisas com teor pragmático. “Um dos capítulos da tese do Thomaz, por exemplo, foi feito em parceria com uma empresa de cosméticos”, lembra Lazzarini. “Ela não só deixou que ele acessasse dados de treinamentos para aumentar a produtividade como permitiu pequenas intervenções na sua forma de comunicação, para testar hipóteses.” O resultado acabou sendo publicado numa revista de primeira linha de administração, a Strategic Management Journal.     O amor pela pesquisa   Uma década após sua criação, agora funcionando a pleno vapor, o DAEN deve produzir uma dezena de doutores por ano. Já há perto de meia centena de formados. “O programa dura cinco anos, a maioria se forma em seis”, aponta Faingold. Nem todos viram pesquisadores. “Como a gente tem alunos com tese em macroeconomia, alguns vão para o mercado privado também, especialmente no mercado financeiro”, diz o coordenador do DAEN. Esta não é, porém, uma via de mão única. Carolina Melo, por exemplo, trabalhava numa fintech e começou a pensar num doutorado para ter mais segurança e autoridade nos trabalhos de pesquisa que a empresa fazia. “Não queria ser apenas gestora”, diz. Ela já havia se formado em negócios internacionais nos Estados Unidos — para onde se mudou aos 17 anos, graças ao talento como jogadora de tênis —, trabalhado na indústria e feito um mestrado em administração pública na Universidade Colúmbia. Não queria mais sair do Brasil, e o Insper lhe pareceu a opção natural. O objetivo de avançar no trabalho, contudo, ficou pelo caminho, quando ela se apaixonou pelas pesquisas. “Não achava que teria um trabalho tão divertido e fascinante como o tênis foi para a Carol quando era criança”, afirma. Hoje ela é professora de políticas públicas e economia no próprio Insper. “Foi como realizar um sonho que eu não sabia que tinha.” Esse amor pela pesquisa é talvez a característica mais significativa do DAEN. De acordo com Teodorovicz, o primeiro formando do doutorado acadêmico do Insper, em dez anos o programa conseguiu atingir três conquistas impressionantes. A primeira é oferecer a seus alunos e professores o acesso a organizações relevantes — de empresas multinacionais a organismos como o BID ou o Banco Mundial. A segunda é garantir um nível de conhecimento “a par com as melhores escolas americanas e europeias”. A terceira, fruto das duas primeiras, é ter formado uma “rede de amigos e colaboradores que continua se apoiando depois do doutorado”. Segundo ele, já existe o reconhecimento, no campo da estratégia, “do grupo de brasileiros: gente que é amiga, que conversa, dá risada, mas também trabalha e entrega; muito do que é o ambiente do Insper.”"}]