[{"jcr:title":"Insper e Qive fecham acordo para transformar dados fiscais em inteligência","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:centro-de-ci-ncia-de-dados","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:tecnologia/dados","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/institucional"},{"richText":"Parceria permitirá o uso de dados anonimizados de notas fiscais em pesquisas acadêmicas e na criação de indicadores econômicos","authorDate":"19/02/2026 15h48","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:centro-de-ci-ncia-de-dados","title":"Insper e Qive fecham acordo para transformar dados fiscais em inteligência","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"vermelho / preto / amarelo"},{"themeName":"vermelho / botao preto / tag amarelo","backgroundColor":"rgb(229,5,5)"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O Insper firmou um acordo de cooperação técnica com a [Qive](https://qive.com.br/) , plataforma voltada à gestão de contas a pagar, para viabilizar o uso acadêmico de uma base massiva de dados fiscais no desenvolvimento de pesquisas e novos indicadores econômicos. A iniciativa envolve o [Centro de Dados e IA](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-dados-e-ia) do Insper e prevê que pesquisadores da instituição — e também de outras universidades — possam acessar informações extraídas de notas fiscais, sempre com dados anonimizados e em ambiente controlado. Pelo acordo, a Qive dará acesso a um recorte de uma base composta por mais de 3,2 bilhões de Notas Fiscais Eletrônicas, estruturada a partir de registros oficiais de Secretarias da Fazenda, prefeituras e outras fontes públicas. Os dados são extraídos dos XMLs (arquivos digitais estruturados que armazenam, campo a campo, as informações da nota fiscal) e reúnem centenas de variáveis, incluindo preços, quantidades e, em muitos casos, informações logísticas de origem, destino e transporte. Para Christian de Cico, co-CEO e cofundador da Qive, a parceria busca ampliar o alcance do patrimônio informacional acumulado pela empresa. “O objetivo da Qive com essa parceria é ampliar o impacto dos dados que construímos ao longo dos anos, colocando essa base a serviço da pesquisa aplicada e da produção de conhecimento econômico no Brasil”, afirma. “Sempre usamos dados confiáveis para apoiar decisões empresariais, mas entendemos que eles também podem contribuir para uma compreensão mais profunda da economia e de suas dinâmicas.” Christian afirma que a escolha do Insper se deve ao perfil da instituição e à capacidade de operar o acesso com responsabilidade. “Escolhemos o Insper porque é uma instituição reconhecida pelo rigor acadêmico, pela autonomia metodológica e pela proximidade entre pesquisa e realidade econômica”, diz. “A combinação entre a escala e a governança dos dados da Qive e a excelência acadêmica do Insper cria um ambiente muito sólido para pesquisas sérias, responsáveis e de longo prazo.” A Qive, explica Christian, atua na integração e automação da gestão de pagamentos, fornecedores e documentos fiscais, conectando esses processos ao ERP das empresas, com ganhos de eficiência, previsibilidade de caixa e rastreabilidade. A companhia atende principalmente médias e grandes empresas com operações complexas e alto volume de transações. Hoje, trabalha com mais de 210 mil CNPJs ativos e já processou mais de 5,7 bilhões de documentos fiscais, movimentando mais de R$ 3 trilhões por ano na plataforma. “Nosso papel é garantir que os dados financeiros e fiscais nasçam corretos, estruturados e confiáveis, sustentando decisões melhores e processos mais seguros”, afirma. Para o Insper, a cooperação amplia o acesso a estatísticas raras e de alta qualidade, fortalecendo a pesquisa aplicada. Suelane Garcia Fontes, gerente do Centro de Dados e IA, ressalta que a iniciativa está alinhada à missão do Centro. “Este acordo é diretamente alinhado à missão do Centro de Dados e IA de apoiar o avanço da excelência em pesquisa e na aplicação da ciência de dados e da inteligência artificial”, diz. Na avaliação dela, o acordo viabiliza estudos de alto impacto ao combinar dados robustos com infraestrutura avançada de processamento e análise. O que será possível pesquisar com as notas fiscais Na avaliação do professor Miguel Bandeira, do Insper, o diferencial da base está na combinação de escala, granularidade e alta frequência — atributos raros em dados econômicos no Brasil. “A nota fiscal tem por trás um XML que pode reunir mais de 800 campos”, afirma. Além da amplitude do conteúdo, o docente destaca a marcação temporal: “A nota fiscal registra o momento exato em que foi emitida, e isso permite construir indicadores em alta frequência, no nível da semana e, em alguns casos, do dia.” Um dos usos mais promissores citados por Miguel envolve pesquisas sobre inflação. Ele observa que, no Brasil, a mensuração costuma capturar preços, mas nem sempre quantidades transacionadas, o que limita diagnósticos relevantes para política econômica. Com dados de notas fiscais, seria possível construir indicadores que ajudem a decompor pressões inflacionárias entre demanda e oferta. “Se observamos preços e quantidades indo na mesma direção, essa variação é compatível com um movimento de demanda”, explica. “Se observamos preços e quantidades em direções opostas, essa variação é compatível com um movimento do lado da oferta.” Para o professor, esse tipo de leitura qualifica a interpretação sobre a origem da inflação e pode contribuir para análises mais refinadas de política monetária. Outro campo é o mapeamento de fluxos intermunicipais e interestaduais. Miguel afirma que o país tem lacunas na mensuração da circulação regional de mercadorias e que os dados de notas fiscais podem ajudar a preencher esse espaço, já que registram informações associadas ao transporte, à origem e ao destino. Ele também aponta a possibilidade de acompanhar efeitos da reforma tributária ao longo do tempo, considerando impactos diferentes por setor e por região — uma análise que exige elevada granularidade. Para o professor, “nós queremos que o dado esteja disponível aqui dentro com segurança, porque a pesquisa amadurece e novas perguntas surgem quando o acesso a esse tipo de informação se torna possível”. Governança de acesso e infraestrutura de pesquisa Os dados serão disponibilizados ao Insper já anonimizados, e o uso ocorrerá em um arranjo de governança que combina avaliação acadêmica e critérios de segurança. Miguel explica que o processo prevê a submissão de projetos a um comitê conjunto, com representantes do Insper e da Qive, responsável por avaliar o mérito acadêmico e a aderência às regras de confidencialidade. Após a aprovação, o pesquisador receberá acesso à base no ambiente definido para conduzir o estudo. Christian detalha que os pesquisadores terão acesso a conjuntos de dados fiscais estruturados e anonimizados em ambiente acadêmico seguro do Insper e ressalta que o uso será estritamente científico. “Todo o acesso é restrito a fins acadêmicos e científicos, sem qualquer uso comercial, sempre respeitando critérios rigorosos de governança, segurança e ética”, afirma. Suelane explica que o acesso ocorrerá por meio dos ambientes seguros de pesquisa do Insper, com governança de dados, controles de segurança, monitoramento e recursos avançados de processamento e análise. “Esses ambientes permitem que pesquisadores trabalhem com grandes volumes de dados de forma protegida, garantindo privacidade, conformidade regulatória e alto desempenho computacional”, diz. O acordo também contempla o uso por pesquisadores de outras instituições, com condições diferenciadas. A previsão é que pesquisadores do Insper possam acessar via ambiente virtual seguro, enquanto pesquisadores externos tenham acesso por meio de uma sala física de sigilo no Insper, com infraestrutura dedicada. “Esta parceria é valiosa não só por beneficiar pesquisadores do Insper, mas acadêmicos de outras instituições de ensino que desejem utilizar estas bases de dados em um ambiente seguro e com infraestrutura de ponta”, afirma Miguel. Como se trata de uma base de grande escala e complexidade técnica, a expectativa é que os resultados se consolidem progressivamente, à medida que os primeiros projetos amadureçam e criem ferramentas auxiliares para novos pesquisadores. Para Christian, o foco está em resultados que ampliem a compreensão sobre o país. “A partir desse processo, surgirão estudos, análises econômicas e leituras macroeconômicas que contribuam para o debate público e para uma melhor compreensão da economia brasileira”, afirma. Ele acrescenta: “Essa parceria é um investimento institucional de longo prazo, alinhado ao compromisso da Qive com o uso inteligente e ético da informação.” Suelane diz que o Centro de Dados e IA já tem uma meta para os primeiros frutos da cooperação: “Como primeiro resultado, o Centro de Dados e IA busca viabilizar, para pesquisadores do Insper e de outras instituições, a realização de pesquisas baseadas em evidências que gerem análises robustas e indicadores estratégicos com impacto real na sociedade.”"},{"jcr:title":"Sede da Qive","fileName":"Qiva_sede.jpg","alt":"Sede da Qive"}]