[{"jcr:title":"Projeto do novo Parque Dom Pedro II busca tornar o centro de São Paulo atraente para moradia","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Proposta de José Police Neto, coordenador do Núcleo Habitação, Real Estate e Regulação, é direcionada à classe média baixa e a trabalhadores com renda de até quatro salários-mínimos","authorDate":"27/02/2026 09h45","author":"Bruno Toranzo","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Projeto do novo Parque Dom Pedro II busca tornar o centro de São Paulo atraente para moradia","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"jcr:title":"Terminal de ônibus no Parque Dom Pedro II, em São Paulo","alt":"Terminal de ônibus no Parque Dom Pedro II, em São Paulo"},{"text":"A recuperação da região central da cidade de São Paulo é motivo de debates há muitos anos. Entre as propostas mais recentes está a requalificação e ampliação do Parque Dom Pedro II para fazer com que o centro se torne atraente como área residencial. Da mesma forma que ocorre com o Parque do Ibirapuera, na zona sul, que atrai moradores para seu entorno e valoriza os imóveis próximos, o Parque Dom Pedro II tem potencial para repovoar o centro. Esse é o entendimento de José Police Neto, coordenador do Núcleo Habitação, Real Estate e Regulação do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper e autor de um projeto com tal proposta de revitalização urbana. “O problema é que o parque não está sendo utilizado pelas famílias. Trata-se de um imenso potencial desperdiçado”, diz Police Neto. Sua proposta foi tema de uma recente  [reportagem](https://www1.folha.uol.com.br/cotidiano/2026/01/projeto-preve-ibirapuera-no-centro-de-sp-para-alavancar-desenvolvimento-imobiliario-do-bras-e-da-se.shtml)  na  Folha de S. Paulo , parte de uma série sobre a requalificação da região central da capital paulista. A iniciativa, que surge como uma resposta ao esvaziamento daquela área da cidade após o horário comercial, tem como estratégia fixar novos moradores por meio de melhorias no espaço público e na qualidade de vida. “Cerca de 1,2 milhão de pessoas circulam pelo centro de São Paulo diariamente para trabalhar. No entanto, a partir das 19h, a região sofre perda drástica de vitalidade, pois os trabalhadores retornam para casa em outras zonas da cidade”, explica Police Neto. Segundo ele, para repovoar o centro é necessário oferecer os elementos de cidade que tornam um território atrativo para as famílias morarem. “O centro paulistano, que conta com excelente infraestrutura de transporte público e oferta real de empregos, carece de articulação eficiente de áreas verdes que sirvam ao lazer familiar”, avalia o especialista. Sua proposta foca na classe média baixa e em trabalhadores com renda de até quatro salários-mínimos, que compõem a maior parte da força de trabalho da região. O plano se destaca pela viabilidade financeira, não exigindo elevado investimento público. Isso porque não há necessidade de compra de terrenos e remoção de moradores por meio de desapropriações, uma vez que se trata de uma área verde de propriedade do poder público. Além disso, o Parque Dom Pedro II já conta com equipamentos de peso, como o Museu Catavento, um ginásio e um teatro, para não falar da proximidade com o Mercado Municipal — que está entre as principais atrações turísticas da cidade — e de uma futura nova unidade do Sesc, que será construída nos próximos anos. “É um parque diferente de todos os outros, motivo pelo qual precisa ser valorizado. Seu sistema de circulação permite aos visitantes desembarcar do metrô e já pisar na grama. São diversos os atrativos para que seja um parque muito visitado, o que contrasta com a situação de hoje”, observa Police Neto. O único investimento necessário ficaria por conta da remoção de obras viárias que perderam sua relevância com o passar do tempo e são consideradas atualmente subutilizadas, como os viadutos Antônio Nakashima e Diário Popular, a fim de criar uma experiência ainda melhor para os visitantes. A pista com sentido zona norte da Avenida do Estado seria retirada, com o fluxo desviado para a avenida Mercúrio, criando acesso direto ao Rio Tamanduateí. Essas alterações no tráfego de veículos, mais precisamente ligadas à retirada dos viadutos, atendem ao objetivo de renaturalizar um dos trechos do rio dentro do Parque Dom Pedro II. “Com a perspectiva de universalização do saneamento básico até 2030, o projeto prevê a retirada da avenida que hoje secciona o parque em relação ao rio, permitindo que as famílias voltem a ter uma relação direta com as águas limpas da cidade. A proposta é contar com o primeiro parque de São Paulo com um rio renaturalizado”, sublinha o especialista. Além do aspecto ambiental, esse esforço visa resgatar a importância histórica do local por meio de conexões verdes que ligam o Parque Dom Pedro II à colina onde se localiza o Pátio do Colégio, matriz da capital paulista. Urbanismo social A proposta de Police Neto está fundamentada no conceito de urbanismo social, muito trabalhado nos cursos do Laboratório Arq.Futuro do Insper, que defende uma gestão pública mais participativa por meio da promoção do diálogo com a população. O propósito é garantir ao cidadão o direito à cidade, com boas condições sociais, sanitárias e de lazer, além de poder circular livremente por ela. O urbanismo social está comprometido com uma sociedade mais justa para todos, reduzindo as desigualdades e fortalecendo o acesso a oportunidades, motivo pelo qual há um terreno fértil para seu desenvolvimento no Brasil. “Esse novo Parque Dom Pedro II pode ser visto como um antídoto para o adoecimento do centro de São Paulo, já que passará a oferecer um espaço de alegria e autoestima para as pessoas que sofrem com transtornos diversos na região. Nos últimos anos, o centro adoeceu”, explica Police Neto. Para ele, a revitalização do parque vai restabelecer os laços das pessoas com a capital — laços com a história de São Paulo, pois o centro faz parte de maneira singular da memória da metrópole. “A revitalização daquela região não depende de ideias complexas, mas de torná-la atraente o suficiente em um novo modelo de convivência urbana voltado à qualidade de vida”, finaliza.  "}]