[{"jcr:title":"Pesquisador-líder do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável apresenta trabalho no Canadá","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"O estudo de Luiz Pedro Silva investiga como a expansão dos sistemas de metrô, trem e BRT na Região Metropolitana de São Paulo impactou o comportamento dos moradores","authorDate":"27/02/2026 09h35","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Pesquisador-líder do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável apresenta trabalho no Canadá","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Para que o sistema de transporte público seja efetivo em influenciar o comportamento de viagem dos moradores de uma cidade ele precisa ser facilmente acessível, rápido e competitivo com outros modais. Essa é a principal constatação do  [estudo](https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=5087529)  “Reaching potential users: the effects of a rapid transit expansion on travel behavior”, que analisa como a ampliação do transporte de alta capacidade altera escolhas de deslocamento. Produzido pelo economista Luiz Pedro Silva, pesquisador-líder do  [Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável](https://www.motiva.com.br/instituto/observatorio/)  do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, e por outros dois pesquisadores, Rafael Pereira (Ipea) e Fernando Perobelli (UFJF), o trabalho se debruça sobre as mudanças de comportamento dos moradores da Grande São Paulo entre 2007 e 2017, quando uma série de novas linhas de transporte público de alta capacidade foi inaugurada. Em outubro de 2025, o artigo, desenvolvido a partir de um trecho da tese de doutorado de Luiz, foi apresentado durante o Urban Economics Association (UEA) Meeting North America, realizado em Montreal, no Canadá. De periodicidade anual, o congresso é um dos mais influentes do universo das pesquisas em economia aplicada às cidades, uma frente surgida nos anos 1970 e que desenvolve teorias e utiliza ferramentas quantitativas para avaliar as relações que definem os espaços urbanos. “Entre centenas de estudos apresentados entre os dias 3 e 4 de outubro, esse foi o único produzido por brasileiros”, afirma Luiz. “Recebi excelentes feedbacks e sugestões valiosas para aprimorar o trabalho — além de ampliar minha rede de contatos e abrir portas para novas parcerias de pesquisa de alto impacto.” Para Helena Coelho, coordenadora-adjunta do Núcleo Mobilidade Urbana e do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Laboratório Arq.Futuro do Insper, o evento representa uma oportunidade de conectar a pesquisa brasileira em economia urbana ao cenário internacional. “Esse intercâmbio possibilita a absorção de novas ideias e práticas, além de dar visibilidade à forma como tal campo de pesquisa vem sendo desenvolvido no Brasil, promovendo trocas de conhecimento benéficas para todos os envolvidos.”   Vantagens dos trilhos O estudo se apoiou em dados da pesquisa de viagens domiciliares e em informações sobre deslocamentos espaciais na metrópole para estimar mudanças no comportamento e nas condições de viagem ao longo de um período de dez anos. O objetivo era examinar como as mudanças na densidade populacional e nas oportunidades de trabalho e educação dentro da área de abrangência das estações de transporte rápido influenciam as decisões individuais de deslocamento — tudo isso no contexto de uma das maiores áreas urbanas da América Latina, que viu a participação das viagens de carro crescer de 37% para 46% do total entre 1977 e 2017, com aumento do tempo médio de deslocamento de 37 minutos em 1992 para 44 minutos em 2015. Os resultados apontam, por um lado, que o aumento da população nas áreas de abrangência das estações ferroviárias influencia positivamente o número de passageiros e os fluxos de viagens; por outro, a expansão das áreas de abrangência das estações de BRT não exerce o mesmo efeito sobre o número de passageiros ou os fluxos de viagens de ônibus. Isso porque a diferença no tempo de viagem entre o carro e o transporte público se tornou mais favorável para o trem, mas não para os ônibus durante o período analisado. Isso significa que não basta expandir a rede: é importante que as novas opções proporcionem maior velocidade nos deslocamentos, melhor acesso às estações e maior acessibilidade a oportunidades por meio do transporte público. “Há muitas questões envolvidas na tomada de decisão sobre qual alternativa utilizar. O tempo de caminhada até uma estação ou um ponto de BRT é uma delas. A velocidade do veículo é outra — e esse é um aspecto em que metrôs e trens apresentam vantagens importantes em relação aos automóveis”, afirma o economista, que pretende expandir o estudo, analisando dados de 2018 a 2025, período marcado pelo impacto da pandemia e pelo aumento do acesso aos automóveis de aplicativo. “A pesquisa contribui ao propor uma solução para a mensuração do impacto de políticas públicas de transporte urbano sobre o comportamento de viagem”, diz Helena. “Isso foi realizado combinando configurações de uso do solo, por meio da forma urbana da Região Metropolitana de São Paulo, quantificando a conveniência para potenciais usuários do transporte público com base no tempo de caminhada e comparando a eficiência do nível de mobilidade entre múltiplos modos de transporte a partir de seus respectivos tempos de viagem.” Vivências diversas O Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável é resultado de uma parceria da Motiva com o  [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) . Seu objetivo é formar e manter um banco de dados robusto sobre os sistemas de mobilidade urbana nas maiores cidades brasileiras, além de entregar para a sociedade estudos baseados em dados e evidências, possibilitando uma melhoria qualitativa no processo de tomada de decisão. O pesquisador-líder do Observatório nasceu em Aracaju (SE). Desde a graduação, desenvolveu interesse por economia do espaço urbano. “Vi minha cidade se verticalizar durante um período de expansão de crédito imobiliário e fui estudar como a moradia se relaciona com o cenário econômico e a localização de amenidades urbanas — depois disso, quis entender como as condições de acesso ao mercado de trabalho promovidas pelo sistema de transporte público influenciam o nível de renda”, relembra. O mestrado foi cursado em Curitiba (PR) e o doutorado em Juiz de Fora (MG). Posteriormente, ele ainda passou uma temporada de dez meses em Irvine, uma cidade planejada na Califórnia. “São cidades com filosofias muito diferentes entre si.” A participação no encontro da UEA também proporcionou uma nova interação com metrópole que sediou o evento. “Aproveitei a oportunidade para utilizar a impressionante rede de ciclovias de Montreal, uma das mais extensas e bem integradas da América do Norte. Foi inspirador observar como a cidade combina infraestrutura cicloviária de qualidade, planejamento urbano sustentável e uso ativo do espaço público, elementos que reforçam, na prática, muitos dos debates teóricos apresentados no congresso.”  "}]