[{"jcr:title":"Na COP30, o presente das cidades se confronta com os desafios do futuro","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30","cq:tags_3":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Pesquisadores do Laboratório Arq.Futuro do Insper que estiveram na Conferência da ONU em Belém avaliam os resultados do evento","authorDate":"28/11/2025 01h40","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Na COP30, o presente das cidades se confronta com os desafios do futuro","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"verde - vermelho - laranja"},{"themeName":"verde - vermelho - laranja"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Um grupo de integrantes do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper esteve na Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas de 2025 (COP30), realizada de 10 a 21 de novembro, em Belém do Pará, e participou de diversas atividades do encontro. A programação incluiu desde a apresentação de trabalhos até o debate de ideias e projetos desenvolvidos pela equipe do centro de conhecimento do Insper nas áreas de adaptação das cidades, financiamento, resiliência, arquitetura — incluindo a indígena — e urbanismo e mobilidade urbana. Segundo Élcio Batista, coordenador do programa Cidade +2°C, esperava-se um avanço significativo na modelagem do financiamento para a adaptação urbana frente às mudanças climáticas, estimado em 1,3 trilhão de dólares por ano. Mas, diante das expectativas, o resultado foi tímido, principalmente em relação às fontes de recursos, aos prazos e às metas. O documento final da COP30 não definiu também quais seriam os tipos de projetos validados como adaptação das cidades. Refletindo sobre a Cúpula do Clima, Batista sublinhou a falta de uma definição mais precisa sobre a maneira de reduzir as emissões para conter o aquecimento global e a ausência de uma clareza maior sobre o momento em que o planeta vai abandonar os combustíveis fósseis. Na programação paralela da Casa do Seguro, relata Batista, chegou-se a diversas conclusões: as cidades foram desenhadas para um clima que acabou; os eventos extremos estão se multiplicando; os países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, pagam o preço mais alto em vidas e em atividade econômica; a indústria de seguros está sendo puxada para o centro da adaptação climática; e dados, tecnologia e ciência podem transformar a “conta do desastre” em motor de prevenção e resiliência. O Laboratório Arq.Futuro do Insper, portanto, pode atuar nessa fronteira entre cidade, clima, dados e finanças, tornando-se um parceiro estratégico da indústria de seguros, no Brasil e no exterior, acredita Batista. As discussões da COP30 abriram oportunidades de trabalhos com números e mapas de risco urbano, modelos de financiamento e seguros para adaptação, ciência de dados aplicada a alerta precoce, formação executiva de nova geração de gestores públicos, executivos de seguros, investidores e líderes comunitários e, por fim, na produção de evidências sobre prevenção e reparação de danos pós-eventos climáticos. “Temos buscado fazer com que o Cidade +2°C ofereça capacitação e qualificação para criar uma massa crítica acerca dessa questão dos riscos climáticos e o mercado de seguro”, diz Batista. No dia 12, no pavilhão da Zona Verde, Hannah Arcuschin Machado, coordenadora-adjunta e pesquisadora principal da Iniciativa que Batista dirige, esteve ao lado dele protagonizando o Painel Cidade +2°C, que tratou de soluções de adaptação urbana à mudança do clima. Os dois integrantes do Laboratório Arq.Futuro do Insper lançaram na ocasião um  [policy brief](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/197bcc30-665b-4c72-aeca-d80bb28181c1)  sobre Barcarena e conversaram com convidados a respeito de mitigação, adaptação, sistematização do conhecimento e soluções baseadas na natureza, entre outros temas. Hannah participou também do lançamento do relatório síntese Cidades Verdes-Azuis Resilientes, do qual é uma das autoras. As principais mensagens do estudo foram apresentadas no dia 14 pela pesquisadora principal do estudo, Maria Fernanda Lemos, da PUC-Rio, no pavilhão da Zona Azul da conferência. O debate tratou ainda da centralidade do setor de habitação para a adaptação climática (com moradias resilientes), da desigualdade na distribuição da arborização urbana, de alavancas de política pública capazes de apoiar municípios na transição para a resiliência verde e azul e da diversidade dos desafios hídricos do país. Arquiteturas dos povos originários Beatriz Vanzolini, coordenadora de ensino do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, contribuiu ativamente no processo de construção coletiva da Bienal Indígena, evento pré-COP, que ocorreu de 3 a 10 de novembro. Ela conta que o grupo de coordenação realizou a sistematização dos principais temas e eixos emergentes nas rodas de conversa, confirmando o título Bienal Indígena: Arquiteturas e Territórios. “Destacou-se a arquitetura como forma de habitar, considerando os seus usos, significados e materiais, assim como a centralidade da questão territorial, incluindo a demarcação das terras, o debate sobre o marco temporal, a vida em coletividade, o bem viver e a coexistência”, relata Beatriz. No título da Bienal, o termo “urbanismo”, escolhido previamente, foi substituído por “território” como uma expressão mais fiel à relação viva, espiritual e comunitária que cada povo mantém com seus espaços coletivos, explica Beatriz. Ela destaca a abordagem de temas como memória, tradições e modos de vida, que posicionam a arquitetura como espaço de reminiscência, cultura e ferramenta de luta. Outro ponto importante das discussões foi o impacto das transformações tecnológicas nas aldeias e suas implicações para os territórios. O processo de escuta e construção da Bienal reuniu dezenas de representantes dos povos originários e lideranças de diversas regiões do Brasil. A Bienal Indígena: Arquiteturas e Territórios tem uma lista diversificada de organizadores e apoiadores. A conceituação e a realização são da Escola da Cidade e do Instituto A Gente Transforma, em conjunto com a Pró-Reitoria de Extensão Universitária e Cultura da Universidade Estadual Paulista (Unesp Proec) — Casa da Floresta Unesp Peabiru, o Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, a Associação Casa Floresta, o Coletivo Mídia Indígena e a Universidade Federal da Bahia (UFBA). O apoio institucional é do Ministério dos Povos Indígenas e da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib). A sistematização da Bienal foi apresentada no dia 10, no espaço do Conselho de Arquitetura e Urbanismo (CAU), na Zona Verde, por Thiago Karai Djekupe, Carla Bethânia e Araju Ara Poty, que destacaram a importância da arquitetura para os territórios indígenas. Nessa primeira etapa, os oito dias de atividades no período pré-COP, na Casa Maraká, envolveram cerca de 100 pessoas no processo — entre lideranças indígenas, universitários, coletivos culturais e parceiros institucionais. Havia representantes de 30 povos indígenas de todo o Brasil, entre os quais  Arapium, Aruá, Bakairi, Baniwa, Guajajara, Guarani Mbya, Kaiabi, Kamayurá, Kayapó, Karajá, Kuikuro, Macuxi, Marubo, Munduruku, Pankararu, Suruí, Tembé, Tupinambá, Tuxá, Tuyuka, Waiwai, Wapichana, Xikrin, Xipaya, Yanomami e Yudja. Descarbonização do transporte urbano Sérgio Avelleda, coordenador do Núcleo Mobilidade Urbana, também esteve na COP. Ele participou de um painel sobre descarbonização na mobilidade urbana e oportunidades de inovação com transição justa, conduzido pelo Ministério das Cidades e pela Confederação Nacional do Transporte (CNT). Realizado na Zona Verde, o debate mostrou que a eletrificação das frotas de ônibus e a transição energética podem gerar mais inclusão, justiça social e desenvolvimento econômico. “Foi uma conversa rica, com uma plateia muito atenta, o que me chamou bastante a atenção”, comenta o coordenador. No relato de Avelleda, os convidados falaram sobre tipos de soluções tecnológicas que podem acompanhar a eletrificação, dando prioridade ao ônibus no uso das vias e repensando a digitalização do transporte público — para que cada usuário tenha acesso facilitado, via celular, à compra do bilhete, à consulta de horários e à previsão do tempo de viagem, entre outras informações. Uma preocupação relevante na área de mobilidade urbana é que a transição para ônibus com novas tecnologias não seja excludente. “Como os novos motores exigem menos manutenção, é essencial cuidar da formação profissional, promover treinamento e assegurar inclusão social”, pondera Avelleda. Considerando o desenvolvimento brasileiro, os debatedores lembraram que o país sempre foi uma plataforma importante de exportação de ônibus a diesel e que precisa manter esse patrimônio econômico com uma indústria nacional forte de ônibus elétricos."}]