[{"jcr:title":"Guardas municipais devem ampliar papel de proteção e inteligência urbana, defendem especialistas no Insper","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Seminário reuniu representantes da GCM de São Paulo, pesquisadores e especialistas para discutir segurança pública, urbanismo social, tecnologia e prevenção","authorDate":"29/06/2026 08h08","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Guardas municipais devem ampliar papel de proteção e inteligência urbana, defendem especialistas no Insper","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A segurança pública não pode ser pensada separadamente da cidade. Essa foi uma das mensagens do seminário “O papel contemporâneo das Guardas Municipais no cenário da segurança pública e urbana”, realizado em 3 de junho no Insper, em parceria com a Guarda Civil Metropolitana de São Paulo e a Academia de Formação e Segurança Urbana. Ao longo do encontro, representantes da GCM, pesquisadores e especialistas discutiram como as guardas municipais vêm ampliando sua atuação para além da proteção patrimonial, assumindo papel relevante na prevenção da violência, na mediação de conflitos, na leitura dos territórios e na construção de cidades mais seguras e inclusivas. Na abertura, Tomas Alvim, coordenador-geral do [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) do Insper, situou o debate no cruzamento entre urbanismo, desigualdade e segurança pública. Segundo ele, o tema exige uma abordagem integrada, capaz de considerar as condições de vida nos territórios, o acesso a oportunidades, a presença qualificada do Estado e a qualidade do espaço urbano. “A segurança pública não pode ser pensada de forma isolada”, afirmou. Ao tratar do conceito de cidades inteligentes, Alvim destacou que a tecnologia é importante para gerar dados, qualificar a gestão e ampliar a capacidade de resposta do poder público, mas não deve ocupar o centro da discussão. “O centro deve ser sempre a vida das pessoas.” O vice-presidente acadêmico do Insper, Sérgio Lazzarini, reforçou o papel da escola como espaço de pesquisa aplicada e de construção de conhecimento voltado ao debate público. Para ele, eventos como aquele seminário permitem aproximar a academia de quem está na linha de frente. O comandante-geral da Guarda Civil Metropolitana de São Paulo, inspetor superintendente Jairo Chabaribery Filho, também ressaltou a importância do encontro como oportunidade de reflexão institucional. Segundo ele, a GCM reúne profissionais com longa experiência em segurança urbana, porém precisa se manter aberta às mudanças sociais, econômicas e culturais em curso. “É importante essa reflexão de saber também o que a sociedade espera de nós”, afirmou. O policial como “pedagogo da cidadania” Uma das ideias enfatizadas no seminário foi a necessidade de integrar segurança pública, urbanismo e políticas sociais. Alvim lembrou que o Centro de Estudos das Cidades incorporou a segurança pública como dimensão estruturante de sua agenda de urbanismo social depois de identificar uma lacuna em uma pós-graduação desenvolvida pelo Insper em parceria com a Universidade EAFIT, de Medellín. Em uma formação de 274 horas sobre urbanismo social, não havia originalmente um tempo dedicado à segurança pública. A constatação levou à inclusão do tema no currículo e ao fortalecimento de uma visão segundo a qual não há urbanismo de qualidade sem considerar a segurança, nem segurança sustentável sem integração com políticas urbanas, sociais e territoriais. Essa perspectiva também apareceu na fala de Ricardo Balestreri, coordenador do Núcleo de Urbanismo Social e Segurança Pública do Centro de Estudos das Cidades. Para ele, as forças de segurança devem se reconhecer como parte da sociedade, e não como um corpo separado dela. “Uma força de segurança, uma guarda municipal, uma polícia militar não existe por causa do Estado. Ela existe por causa da sociedade”, afirmou. Balestreri também retomou a ideia do guarda como “pedagogo da cidadania”, alguém cuja atuação cotidiana transmite exemplos, valores e limites. “Ele educa muito mais pelo exemplo do que pelas palavras”, disse. Policiamento e cidades inteligentes O papel das guardas em cidades inteligentes foi discutido por Maurício Bouskela, um dos coordenadores do Núcleo de Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data do Centro de Estudos das Cidades, e Percival Barboza, especialista em segurança urbana. Bouskela partiu da lembrança de um guarda que, nos anos 1970, ajudava crianças a atravessar a rua e era referência de confiança para a comunidade. A imagem serviu como ponto de partida para discutir como tecnologia, processos e pessoas podem ampliar a capacidade de prevenção, detecção e reação na segurança urbana. Barboza aproximou o debate da prevenção do crime pelo desenho do espaço socioambiental, conceito conhecido pela sigla CPTED. Sua tese é que a guarda municipal pode ser um ator fundamental nesse processo, desde que receba ferramentas adequadas. Iluminação, desenho urbano, circulação de pessoas, ocupação dos espaços públicos e articulação comunitária foram apresentados como elementos decisivos para transformar áreas vulneráveis em ambientes mais seguros. “A transformação urbana, aliada à integração comunitária e ao policiamento de proximidade, pode devolver os espaços públicos à sociedade”, afirmou. O inspetor da GCM Luis Flávio Rodrigues, doutorando em Cidades Inteligentes e Sustentáveis, conectou esse debate à desigualdade territorial. Para ele, tecnologia, ciência, CPTED e policiamento orientado por inteligência não podem ficar concentrados nas regiões centrais ou de maior renda. “A tecnologia tem que chegar nesses locais”, disse, referindo-se às periferias e às áreas onde as pessoas mais precisam da presença do poder público. Escuta, formação e desafios institucionais O diálogo com a sociedade civil apareceu na fala de Carmen Silva, liderança do movimento de moradia e professora da Pós-graduação em Urbanismo Social do Insper. Carmen relatou como a passagem pela academia ajudou a transformar sua atuação: de uma liderança marcada pelo enfrentamento, ela passou a se perceber como mediadora, capaz de dialogar com diferentes setores da cidade. Ao falar da Guarda Municipal, defendeu a importância da comunicação e da escuta. “A escuta é o principal princípio de tudo. Mas, além de escutar, nós temos que nos comunicar”, afirmou. No painel sobre planejamento urbano e segurança urbana, Wilson Levy, pesquisador na área de cidades inteligentes e sustentáveis, elogiou os investimentos da GCM de São Paulo em formação e qualificação. Segundo ele, poucas corporações têm desenvolvido com tanta intensidade uma agenda de capacitação no campo da segurança urbana. A discussão reforçou a necessidade de articular produção acadêmica, experiência institucional e conhecimento prático acumulado pelos profissionais que atuam nas ruas. O último painel, conduzido pelo inspetor Oséias Francisco da Silva, supervisor da Guarda Civil Municipal de São Bernardo do Campo e estudioso das guardas municipais, tratou do quadro atual da categoria no Brasil. Ele lembrou que, por muitos anos, faltaram diagnósticos nacionais consistentes sobre o que são, onde estão, quantos são e como estão estruturadas as guardas municipais. Essa ausência, segundo Oséias, dificultou a formulação de políticas públicas, a definição de padrões nacionais e a defesa de pautas no Congresso.  No encerramento, Balestreri convidou os participantes a resumirem em uma frase o principal aprendizado do dia. Sua própria síntese foi direta: “É preciso mudar do ethos guerreiro para o ethosprotetor da sociedade”. A frase condensou o espírito do seminário. Ao longo das discussões, o papel contemporâneo das guardas municipais foi apresentado não como uma simples ampliação de atribuições e sim como uma mudança de paradigma: de uma guarda vista apenas como força de vigilância para uma instituição capaz de proteger, prevenir, mediar, orientar, produzir inteligência territorial e conectar o poder público às necessidades concretas da população.  "}]