[{"jcr:title":"Equidade deve estar no centro do planejamento urbano","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Na visão de José Police Neto, que representou o Insper na 6ª Conferência Nacional das Cidades, é preciso reduzir as barreiras que impedem as pessoas de acessar oportunidades nas metrópoles","authorDate":"30/03/2026 10h42","author":"Bruno Toranzo","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Equidade deve estar no centro do planejamento urbano","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Após um intervalo de mais de 12 anos, a ª Conferência Nacional das Cidades voltou a reunir os principais especialistas em desenvolvimento urbano do Brasil. Em sua sexta edição, o evento, realizado entre os dias 24 e 27 de fevereiro — a Conferência anterior ocorreu de 20 a 24 de novembro de 2013 —, no Centro Internacional de Convenções do Brasil (CICB), em Brasília, contou com a presença de quase 3 mil delegados, representando governos, movimentos sociais e a sociedade civil. O coordenador do Núcleo Habitação, Real Estate, Saneamento e Regulação Urbana do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, José Police Neto, colaborou com essas discussões, trazendo sua experiência e apresentando aquilo que tem sido feito pela instituição. No painel “Poder Público — Transformações Urbanas”, conduzido pelo Conselho das Cidades (ConCidades), Police Neto defendeu uma revisão das estratégias de planejamento urbano. Para ele, o Desenvolvimento Urbano Sustentável e a Habitação de Interesse Social (HIS) precisam deixar de ser pautas isoladas para se tornarem os eixos centrais das mudanças necessárias nos municípios brasileiros. “Os novos desafios impostos pelas mudanças climáticas, somados à consolidação do adensamento urbano, que tem um recorte de intensas conurbações e marcante desigualdade socioeconômica, justificam uma mudança drástica no modelo de desenvolvimento urbano”, defendeu o especialista. Segundo Police Neto, a sustentabilidade e a promoção da equidade a partir da HIS têm papel decisivo na transformação das cidades. Um dos objetivos centrais das habitações de interesse social é sua localização perto dos centros de oferta de emprego, a fim de diminuir a quantidade de deslocamentos diários da população. Trata-se de uma lógica bem diferente da atual, que promove o espraiamento urbano, sobretudo nas metrópoles, forçando quem não tem condições de adquirir imóveis nas áreas centrais a morar nas periferias. Em uma capital como São Paulo, por exemplo, esse modelo resulta em longos deslocamentos diários para o trabalho, prejudicando a qualidade de vida da população e trazendo uma série de problemas para o dia a dia, como o trânsito causado pelo excesso de veículos nas ruas. “Uma cidade sustentável precisa reduzir essas barreiras que impedem as pessoas de acessar oportunidades, estimulando a moradia nas áreas centrais, que contam com uma infraestrutura completa de transporte e serviços”, observou Police Neto, ressaltando que a 6ª CNC concentrou seus esforços justamente nessa direção, ao mostrar como deve ser essa urbe voltada para o enfrentamento das desigualdades. “O modelo de desenvolvimento para as cidades, independentemente do seu tamanho, deve priorizar a equidade, com a geração de oportunidades e bem-estar para todos. A Conferência centralizou seus debates e deliberações nesse sentido”, disse. Dados e evidências como base Houve também espaço para a apresentação das iniciativas conduzidas pelo Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper que buscam municiar o planejamento urbano com dados e evidências. Entre essas ações estão o programa Cidade +2ºC, a Pesquisa da Plataforma Indutora de Políticas Habitacionais e o Painel HIS e seus Impactos. Police Neto também mencionou o Acordo de Cooperação Técnica com o governo de Pernambuco e o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável como exemplos de contribuições reais ao desenvolvimento das cidades. “O caminho ideal para o futuro urbano deve ser um processo com intensa participação social estruturada e escuta ativa. Isso, somado a dados e evidências que alicerçam o processo de planejamento urbano e a tomada de decisão sobre o investimento público”, pontuou o professor, que promove no Insper, em suas aulas nos cursos de curta duração, essa pluralidade de visões sobre o planejamento das cidades, por meio da participação do governo, da iniciativa privada e dos movimentos sociais. “É essa diversidade no ambiente acadêmico que permite encontrar as melhores soluções para o futuro das nossas cidades”, destacou o especialista. Além desse norte, a governança urbana moderna, de acordo com Police Neto, precisa estar apoiada no conceito de cidades inteligentes (smart cities), utilizando as estatísticas provenientes da tecnologia para otimizar e melhorar a qualidade dos serviços públicos, como transporte coletivo e coleta de lixo. Outro ponto relevante é que os espaços públicos sejam seguros e convidativos, por meio de estratégias que contemplem fachadas ativas, estimulando comércios nos térreos dos prédios residenciais para manter as ruas movimentadas e seguras, e a caminhabilidade, priorizando os deslocamentos a pé, o que se dá com calçadas de qualidade, iluminação adequada no período noturno e proximidade do transporte público."}]