[{"jcr:title":"Eleições entram no radar da “Sexta da Mobilidade”","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"Série reúne especialistas e lideranças do setor para inserir o tema na agenda dos candidatos de 2026","authorDate":"29/04/2026 17h22","author":"Michele Loureiro","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Eleições entram no radar da “Sexta da Mobilidade”","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O tempo perdido no trânsito segue como um dos principais sintomas da crise de mobilidade nas grandes cidades brasileiras. Em São Paulo, motoristas gastam, em média, mais de 100 horas por ano em congestionamentos, segundo o TomTom Traffic Index. O dado ajuda a dimensionar um problema que impacta produtividade, qualidade de vida e emissões de gases de efeito estufa — e que, apesar disso, ainda aparece de forma periférica no debate eleitoral. Foi nesse contexto, e diante da proximidade do pleito de 2026, que o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, em parceria com a Motiva e o Insper, programou debates sobre o tema dentro da série “Sexta da Mobilidade”. Promovida pelo Núcleo Mobilidade Urbana do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper, no qual o Observatório está inserido, o evento ocorre na última sexta-feira de cada mês, das 12h às 13h30, em formato híbrido, com participação presencial e remota, e transmissão ao vivo pela plataforma Zoom. Ao trazer a mobilidade urbana para a agenda de discussões em um ano de pleito federal e estadual o núcleo visa estimular a formulação de propostas mais estruturadas para o setor. “A ideia surgiu para tentar influenciar uma agenda positiva em direção a uma mobilidade sustentável e inclusiva”, afirma Sérgio Avelleda, advogado, consultor, professor e coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana e do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável. Segundo ele, a iniciativa parte de um diagnóstico direto: a mobilidade é um dos assuntos mais abrangentes da vida urbana e afeta toda a população, independentemente de renda. “Todo mundo que mora nas cidades é tocado pelo tema. Mesmo quem tem mais recursos, e consegue recorrer a serviços privados em outras áreas, não escapa dos impactos do trânsito e da ineficiência dos deslocamentos”, diz Avelleda. Para o especialista, esse caráter transversal reforça a necessidade de dar maior protagonismo à mobilidade urbana no debate eleitoral, especialmente nas eleições federais. Com a nova programação da série, a intenção é iniciar um pacto federativo capaz de garantir sustentabilidade financeira, tecnológica e ambiental para o setor. Avelleda destaca que a pauta dos encontros deve abranger aspectos como o marco legal do transporte público, a descarbonização da mobilidade, a integração entre modais, a segurança viária e a ampliação de soluções como mobilidade ativa e sistemas ferroviários. “Mais do que listar prioridades, o debate busca organizar uma agenda consistente, capaz de orientar políticas públicas de longo prazo”, pontua ele. Visões diferentes O primeiro encontro sobre o assunto foi realizado no dia 24 de abril e reuniu nomes que representam diferentes perspectivas — da análise política à gestão pública e à operação do sistema. Participaram Luiz Carlos Mantovani Néspoli, superintendente da Associação Nacional de Transportes Públicos (ANTP); Edmundo Carvalho Pinheiro, presidente da Associação Nacional das Empresas de Transportes Urbanos (NTU); Carlos Melo, cientista político e professor do Insper; Marcos Daniel de Souza, secretário nacional de Mobilidade Urbana do Ministério das Cidades; e Suzana Leite Nogueira, coordenadora-adjunta do Núcleo Mobilidade Urbana. O objetivo foi articular leituras variadas em torno do mesmo eixo. Carlos Melo abriu o debate com um panorama do cenário eleitoral e da relevância dos temas urbanos na agenda pública. Na sequência, Edmundo Carvalho Pinheiro apresentou as expectativas do setor de transporte de passageiros, enquanto Luiz Carlos Mantovani Néspoli trouxe a visão institucional da ANTP, que reúne poder público e sociedade em torno da mobilidade. Ao final, Marcos Daniel de Souza apresentou a perspectiva técnica do governo federal e os principais desafios que devem estar no radar da próxima gestão. Apesar das diferentes abordagens, o diagnóstico foi convergente. Os participantes destacaram como principal desafio a sustentabilidade financeira dos sistemas de transporte público no Brasil, além da necessidade de revisão dos modelos tarifários e de maior integração entre modais. “Precisamos discutir uma estratégia nacional de financiamento do transporte, que passe principalmente pelo aumento da atratividade do transporte público e por ações coordenadas nas cidades em favor de sua prioridade”, sublinha Avelleda. Outros encontros sobe o assunto ocorrerão nos próximos meses. Na “Sexta da Mobilidade” os debates são estruturados como conversas informais, em formato de talk show, com foco em temas como transporte público, financiamento, segurança viária e mobilidade ativa. “Queremos trazer todos os atores — sociedade civil, academia, líderes do setor e candidatos de diferentes matizes — para um debate aberto. A proposta é ouvi-los, mas também fazer com que eles ouçam os especialistas, para que possamos influenciar positivamente os planos de governo”, afirma Avelleda. De acordo com ele, o objetivo é que, independentemente do resultado eleitoral, os futuros gestores estejam mais bem preparados, do ponto de vista técnico, para enfrentar os desafios da mobilidade urbana e apoiar as cidades na construção de soluções mais eficientes e sustentáveis. A expectativa é que, ao longo dos próximos encontros, a iniciativa contribua para consolidar a mobilidade urbana como prioridade estratégica na agenda política e ajude a elevar o nível do debate público sobre um dos temas mais sensíveis para o futuro das cidades brasileiras.  "}]