[{"jcr:title":"COP30 e a coalização transportes: para frear o aquecimento global","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30"},{"richText":"Ao sediar a COP30, o país terá a oportunidade de mostrar resultados concretos, e o setor de transportes pode ser o emblema da transição justa e sustentável","authorDate":"10/11/2025 09h00","author":"Sérgio Avelleda*","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30","title":"COP30 e a Coalização Transportes: para frear o aquecimento global","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"@stringArray@variations_0":"azul_marinho_rosaturquesa"},{"jcr:title":"azul marinho / rosa / turquesa","name":"azul_marinho_rosaturquesa","jcr:description":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"synchronizeWithVersion_0":"themeName:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_1":"titleFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_2":"titleBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_3":"thinLineFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_4":"additionalDataFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_5":"linkFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_6":"linkHoverFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_7":"backgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_8":"gradientColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_9":"buttonFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_10":"buttonBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_11":"tagFontColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08","synchronizeWithVersion_12":"tagBackgroundColor:e1d1d653-cff0-4cbb-bae9-7676f42d5f08"},{"themeName":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"themeName":"azul marinho / rosa / turquesa"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"A realização da COP30 em Belém coloca o Brasil no centro das discussões globais sobre clima e sustentabilidade. Trata-se de uma oportunidade histórica para o país reafirmar sua liderança ambiental e demonstrar capacidade de alinhar crescimento econômico e redução de emissões. Nesse contexto, o setor de transportes assume papel decisivo: responsável por aproximadamente 11% das emissões brutas nacionais — cerca de 260 milhões de toneladas de CO₂e em 2023 —, ele concentra um dos maiores potenciais de mitigação de gases de efeito estufa. A rota para a descarbonização exige um imenso engajamento de todos os atores envolvidos. Não será o Estado ou o setor privado que, isoladamente, conseguirão se desincumbir da hercúlea tarefa de mudar a plataforma energética dos veículos que movem cargas e pessoas em todo o Brasil. Com base nesse desafio, nasceu, em outubro de 2024, a Coalizão Transportes . Trata-se de uma articulação inédita coordenada por Motiva, Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável (CEBDS), Confederação Nacional do Transporte (CNT) e o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) . Reunindo, inicialmente, mais de 50 entidades distribuídas em seis verticais —mobilidade urbana, rodoviário, ferroviário, aquaviário, aeroviário e infraestrutura —, o grupo elaborou um diagnóstico nacional e um conjunto de 90 alavancas de descarbonização capazes de colocar o setor no caminho da neutralidade climática até 2050. Agora, já somos mais de 110 organizações congregadas em torno da descarbonização do transporte brasileiro. A Coalizão mobiliza o setor privado, a sociedade civil e a academia para somar esforços no sentido de identificar os meios para a rota da descarbonização, contribuindo com o setor público nas negociações das obrigações nacionais, bem como localizando as lacunas de financiamento e regulação. A iniciativa partiu de uma visão integrada da mobilidade, cruzando dados primários e contribuições técnicas das entidades participantes. O objetivo foi identificar políticas e tecnologias com maior potencial de impacto sobre a trajetória das emissões. O resultado é um mapa abrangente de soluções, estruturadas no tripé Avoid-Shift-Improve (ASI), ou seja, Evitar-Mudar-Melhorar, grupos de ações que, em conjunto, promovem uma mobilidade mais sustentável, segura e inclusiva. No âmbito do “Evitar”, estão listadas as ações que irão promover o planejamento urbano integrado e o uso misto do solo, encurtando distâncias e evitando viagens desnecessárias. Na dimensão do “Mudar”, vamos localizar as ações que visam induzir a migração do transporte individual motorizado para modos sustentáveis, fortalecendo o transporte coletivo, a mobilidade ativa e a micromobilidade.  Finalmente, no plano do “Melhorar” estão alocadas as ações que objetivam tornar os modais existentes mais limpos e eficientes, com uso ampliado de biocombustíveis, eletrificação e inspeção ambiental de frotas. Essas diretrizes articulam políticas públicas, incentivos econômicos, tecnologia e comportamento social. A ambição é construir um setor de transportes carbono neutro, capaz de ajudar ativamente no cumprimento da Nova Contribuição Nacionalmente Determinada (NDC) e do Plano Clima brasileiro. O relatório da Coalizão — já apresentado para a cúpula da COP30 e para diversas autoridades estaduais, municipais e federais — destaca que 87% da população do país vive em cidades, e que 45% do potencial de redução de emissões até 2050 está concentrado nos centros urbanos. A mobilidade, portanto, é o elo entre as metas climáticas nacionais e a qualidade de vida das cidades.  Comparações internacionais reforçam o argumento: em São Paulo, o automóvel emite cerca de 127 gCO₂/passageiro-km, enquanto o ônibus emite 16 gCO₂/passageiro-km — uma diferença de quase oito vezes. Expandir o transporte coletivo, especialmente sobre trilhos, é essencial para o alcance das emissões líquidas zero. O estudo também chama atenção para as diferenças entre cidades brasileiras. Enquanto as metrópoles com mais de 3 milhões de habitantes dependem fortemente do transporte individual, os municípios médios e pequenos têm espaço para acelerar a transição com políticas de micromobilidade, ciclovias e sistemas integrados.  Entre as 90 alavancas identificadas, destacam-se medidas estruturantes que podem ser adotadas imediatamente por governos locais e concessionárias, tais como: Corredores exclusivos para ônibus e BRTs, com prioridade operacional e integração tarifária; Zonas de Baixa Emissão, restringindo a circulação de veículos poluentes em áreas centrais; Promoção da intermodalidade, com bicicletários em terminais, sistemas de bilhete único e integração física entre modos; Incentivos à micromobilidade e à mobilidade ativa, com redes de ciclovias, Zonas 30 (quer dizer, com velocidade máxima permitida de 30km/h) e calçadas acessíveis; Uso ampliado de biocombustíveis e eletrificação da frota pública, aproveitando a liderança brasileira em etanol e biometano; Inspeção veicular ambiental obrigatória e programas de condução ecoeficiente; Planejamento urbano orientado ao transporte (TOD), que combina adensamento, uso misto e transporte coletivo de alta capacidade. Essas ações podem reduzir significativamente o crescimento das emissões projetadas — que, sem intervenção, chegariam a 424 milhões de toneladas de CO₂e em 2050. A Coalizão também identificou cinco eixos habilitadores fundamentais para a implementação das alavancas:  governança capacitada e planejamento integrado; Infraestrutura tecnológica e física; engajamento público e inclusão social e digital; financiamento e incentivos econômicos sustentáveis; e monitoramento e fiscalização ambiental. Esses pilares exigem coordenação entre União, estados e municípios, com destaque para o papel das concessões e parcerias público-privadas (PPPs) na aceleração dos investimentos. Casos como o Trem Intercidades (TIC) Eixo Norte e a concessão das Linhas 8 e 9 da CPTM, já em modernização pela iniciativa privada, mostram que o setor pode liderar o movimento de descarbonização e inovação tecnológica. Ao sediar a COP30, o país terá a oportunidade de mostrar resultados concretos, e o setor de transportes pode ser o emblema da transição justa e sustentável. A agenda da Coalizão Transportes traz uma mensagem clara: não há neutralidade climática sem mobilidade sustentável. O caminho para a descarbonização passa pela integração modal, pela substituição de combustíveis fósseis e pelo redesenho das cidades. Isso, entretanto, não basta. É preciso também que se implante uma nova cultura de deslocamento — mais coletiva, limpa e acessível.  O esforço liderado pela Coalizão é, portanto, mais do que um estudo técnico: é um chamado à ação conjunta entre governos, empresas e sociedade civil para que a COP30 seja lembrada não apenas pelas negociações diplomáticas e sim por ter iniciado uma virada concreta na mobilidade brasileira. * Coordenador do Núcleo Mobilidade Urbana e do Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper. Foi secretário municipal de Mobilidade e Transportes de São Paulo (2017-2018). Presidiu o Metrô (2011-2012) e a Companhia Paulista de Trens Metropolitanos – CPTM (2007-2010). É autor de Nas Trincheiras da Mobilidade (Editora CLA, 2024)"},{"title":"Insper na COP30"},{"linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"A COP e as populações urbanas: desafios e oportunidades"},{"linkIcon":"icon-insper-return-arrow","linkText":"Insper Cidades promove Bienal Indígena de Arquitetura e Urbanismo em parceria com lideranças e instituições nacionais"},{"jcr:title":"transparente / vermelho / turquesa"},{"buttonBackgroundColor":"rgb(229,5,5)","themeName":"transparente / botao vermelho / tag amarelo"}]