[{"jcr:title":"Como os parques urbanos podem revigorar a democracia","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades"},{"richText":"O 2º Encontro das Cidades, realizado pelo Laboratório Arq.Futuro, reuniu pessoas que estão redefinindo a importância das áreas verdes para as relações sociais e ambientais","authorDate":"29/04/2026 23h31","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Como os parques urbanos podem revigorar a democracia","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"verde - vermelho - laranja"},{"themeName":"verde - vermelho - laranja"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Englobando os aspectos social e ambiental, os parques urbanos são reconhecidos contemporaneamente sob a perspectiva de três eixos estruturais do funcionamento das cidades. Um olhar esperançoso e democrático dessa realidade foi apresentado  no dia 16 de abril durante o 2º Encontro das Cidades — Parques Urbanos, organizado pelo Centro de Estudos das Cidades — Laboratório Arq.Futuro do Insper (Insper Cidades) e que teve lugar na própria escola. No dia 14, houve uma prévia do tema no evento Arq.Futuro Novas Centralidades Urbanas — Parques Urbanos, realizado no Teatro Oficina do Estudante Iguatemi, em Campinas. O primeiro dos eixos mencionados e contemplados na programação dos encontros é o que relaciona  parques e  mudanças climáticas. Segundo Tomas Alvim, coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades, esses equipamentos públicos transcendem o plano de um espaço de preservação da natureza, da biodiversidade, da saúde física e mental e da contemplação. Os parques são, cada vez mais, uma ferramenta estratégica no enfrentamento dos efeitos das mudanças climáticas sobre o solo, a drenagem e a temperatura das urbes, entre outros problemas. O segundo eixo reconhece o parque como infraestrutura que conecta a cidade, cria uma nova paisagem, qualifica o ambiente urbano e que traz uma amenidade paisagística ao espaço construído. “Pensar os parques é pensar a cidade para as pessoas, refletindo sobre o modelo vigente, orientado para o carro, e recondicionando para a mobilidade ativa”, diz Tomas. A terceira perspectiva, representada pelo conceito “Parque e Democracia”, está apoiada em pesquisa feita pelo Trust for Public Land, uma organização sem fins lucrativos que cria e conserva parques nos Estados Unidos desde 1972. Como parte da avaliação de cem cidades norte-americanas, um estudo da organização observou que, nos parques, o comportamento  do eleitor do Partido Democrata e do eleitor do Partido Republicano é igual. “As pessoas se conectam, estabelecem laços, criam vínculos e convivem independentemente da polarização política”, explica Tomas. Para o coordenador-geral do Insper Cidades, os convidados do evento conseguiram ressaltar o novo papel dos parques em face dos desafios do desenvolvimento urbano. “Acredito que, neste segundo encontro, acertamos em reconhecer a importância dessas discussões de interesse do público geral, não só do pessoal acadêmico e especializado, e reunir uma rede de engajamento cívico e urbano para um debate de alto nível técnico e inspirador”, avalia Tomas. “São dois níveis que ajudam a gente a entender que a cidade é a construção de um processo coletivo, e não individual ou de um só setor da sociedade.” A primeira mesa do 2º Encontro das Cidades, realizada pela manhã, teve o tema “Parques: como gerir e para quem?”. A experiência internacional veio dos relatos de Alan van Capelle (diretor executivo do Friends of the High Line, de Nova York, nos Estados Unidos) e Juan Ignacio Díaz (diretor executivo da Fundación Mi Parque, de Santiago, no Chile). Tamires Carla de Oliveira (chefe de gabinete da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo) e Maria Teresa Fedeli (secretária executiva do Programa Mananciais da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo) apresentaram casos brasileiros. À tarde, a segunda mesa tratou de “Projetos que transformam”, tendo como convidados Neil Porter, cofundador do escritório de arquitetura Gustafson Porter + Bowman, e Kira Strong, diretora sênior do High Line Network. Para falar das experiências urbanísticas brasileiras estavam Hélio da Silva (plantador de árvores do Parque Linear Tiquatira, na capital paulista) e Francisco Cunha (urbanista e representante do Jardim do Baobá, no Recife, em Pernambuco). Depois das apresentações, os painelistas responderam a perguntas de Mariana Chiesa (professora do curso de Direito do Insper) e Paulina Achurra (coordenadora institucional do Insper Cidades), na Mesa 1; e Heloisa Escudeiro (coordenadora-adjunta do Núcleo Arquitetura e Cidade do Insper Cidades) e Priscila Mengue (repórter da Folha de S.Paulo), na Mesa 2. Novas centralidades em Campinas Alan van Capelle, Juan Ignacio Díaz, Neil Porter, Kira Strong, Hélio da Silva e Francisco Cunha já tinham participado da prévia do 2º Encontro das Cidades, ocorrida em  Campinas. A programação do evento Arq.Futuro Novas Centralidades Urbanas — Parques Urbanos foi complementada pela participação de Carlos Jereissati, empresário e membro do conselho da Iguatemi S.A.; da paisagista Isabel Duprat; de Dário Saadi, prefeito de Campinas; de Carolina Baracat, secretária de Urbanismo de Campinas; de Samuel Lloyd, diretor comercial da Urbia Parques; e de Rafael Ribeiro, cofundador da ONG Formigas-de-Embaúba.Tomas sublinha que a equipe do High Line veio ao Brasil no momento em que os fundadores não estão mais na gestão do parque elevado de Nova York. Ou seja, é uma história de sucesso com uma gestão feita já por outra geração. Como o High Line era um espaço abandonado, trata-se de um exemplo de infraestrutura urbana que vira uma nova centralidade. Carlos Jereissati descreveu a ideia dos parques do empreendimento Casa Figueira, em Campinas. Para Tomas, foi interessante conhecer como um empreendedor do mercado imobiliário vê o parque como elemento estruturante de uma nova centralidade.  No caso de Samuel Lloyd, o depoimento importa porque a Urbia explora a concessão do Parque Ibirapuera em São Paulo. “Então, a gente quer aprender com o gestor privado como funciona a concessão do parque público, ainda mais se tratando do parque mais referencial do Brasil e provavelmente o mais visitado”, comenta Tomas. No dia seguinte ao evento Novas Centralidades, o Insper Cidades realizou um workshop com os secretários das prefeituras de Campinas, Valinhos e Vinhedo. A oficina técnica foi ministrada por profissionais que estão trabalhando com parques da região, permitindo entender como aplicar esses novos conceitos, enfrentar os atuais desafios urbanos e trocar experiências com os aprendizados locais."},{"jcr:title":"Equipe do Centro de Estudos das Cidades no evento","fileName":"Encontro das Cidades 2026 (1).jpg","alt":"Participantes do evento no Insper"},{"text":"Melhorar a vida da população A programação da manhã do dia 16 foi aberta por Tania Haddad Nobre, presidente do  [Conselho Deliberativo do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/quem-somos/governanca/conselho-deliberativo) . Ela destacou como o Centro de Estudos das Cidades é emblemático da natureza interdisciplinar e multidisciplinar do Insper. “Não tem como pensarmos a cidade numa ótica única”, disse Tania. “Aqui na escola temos engenheiros, economistas, advogados, administradores e cientistas da computação olhando para a questão das cidades. O Insper é uma escola de pessoas para pessoas. Parte central da missão da escola é transformar a sociedade através da geração de conhecimento, do ensino e da pesquisa. Mas entendemos que isso pode ser muito lindo, mas de nada ajuda se não melhorar a vida das pessoas.” Por sua vez, Tomas Alvim apresentou dados de como as cidades brasileiras crescem mal e relacionou com o custo social e econômico desse processo: “Chegamos ao século 21 com marcas da Revolução Industrial. Temos ainda 85 milhões de pessoas sem saneamento básico no Brasil e 740 mil jovens que abandonam o ensino básico todo ano no país. Esse jovem não vai encontrar oportunidade na vida, não será um cidadão pleno, digno e realizado. Ele vai depender do Estado para sobreviver no futuro. Em um dos países mais urbanizados do mundo, a gente tem que repensar as cidades”. Embora tenham se tornado parte essencial da infraestrutura urbana do século 21, os parques não surgem sozinhos, lembrou Tomas. É o caso do parque elevado High Line, em Nova York, nos Estados Unidos, apresentado por Alan van Capelle, diretor executivo do Friends of the High Line. Ele comentou que o parque não foi ideia de uma única pessoa, mas sim um projeto coletivo da iniciativa privada, do poder público e da comunidade. Construído sobre uma antiga passagem elevada de trens, o High Line é sustentado por três pilares: horticultura, arte pública (numa experiência mais informal do que nos museus e galerias) e reutilização da infraestrutura. Alan relatou diversos aspectos que fizeram o projeto dar certo, a ponto de receber 6,2 milhões de visitantes por ano e conseguir angariar 22,4 milhões de dólares anuais para mantê-lo em funcionamento. Na opinião do seu diretor executivo, o High Line conseguiu engajar a comunidade no projeto e no uso das instalações, incentivou a diversidade e o desenvolvimento de jovens e adolescentes, ajudou a combater a epidemia de solidão, promoveu o bem-estar e reduziu impactos socioambientais em Nova York. Todas as programações do parque são gratuitas. “O High Line nos lembra  que os espaços públicos não devem ser um luxo”, disse Alan. Na segunda apresentação da manhã, Tamires Carla de Oliveira, chefe de gabinete da Secretaria do Verde e Meio Ambiente da Prefeitura de São Paulo, falou no desafio de enxergar o parque como elemento estruturante do planejamento urbano, não só do lazer como também do ponto de vista das mudanças climáticas, da biodiversidade e da qualidade de vida das pessoas. Ela equiparou unidades de saúde parques e escolas como as estruturas  mais pedidas no planejamento. Tamires discorreu sobre o projeto Viva o Verde SP, que realizou 5 mil entrevistas para avaliar todos os parques paulistanos e entender quais investimentos devem ser priorizados. Numa segunda fase, será estruturado um banco de dados que vai auxiliar no sistema de gestão e descobrir como cada parque se articula entre outros parques e a infraestrutura da cidade. A chefe de gabinete disse que esses equipamentos públicos lidam diretamente com o ócio, um diferencial em relação às unidades de saúde, que são acessadas por obrigação. Assim, ela acredita, os parques são um elemento estruturador de São Paulo, cujo investimento trará melhores resultados no desenvolvimento humano, na saúde e na educação pública. Na sequência, Juan Ignacio Díaz, diretor executivo da Fundación Mi Parque, de Santiago, no Chile, mostrou que grande parte do trabalho da instituição está focada na recuperação de áreas verdes para populações em alta vulnerabilidade, normalmente em pequena escala. Podem ser parques urbanos, praças ou quintais de escolas e creches. “A gente faz isso tentando não só construir infraestrutura verde, mas também, mais importante, gerando comunidade”, afirmou Juan. A demanda é consistente no Chile. Em 2018, 40% da população disse não usar os parques e praças das suas comunas. Para complicar, 49% dessas áreas verdes se concentravam em apenas seis das 52 comunas de Santiago. Juan apresentou, então, o caso de Freirina, um lugar abandonado na região do Atacama, porém com valor histórico para a comunidade. Era um lixão que foi limpo e recuperado, com investimento que passou pela decisão da população local. A metodologia da Fundación Mi Parque segue diversos passos: alianças com diferentes agentes da sociedade; diagnóstico e desenho participativo com a comunidade; desenvolvimento técnico e arquitetônico e construção da obra; e acompanhamento e avaliação junto à comunidade também. Todos os recursos da fundação provêm de doadores privados. Como no Chile são os municípios que dispõem dos recursos para administrar os espaços públicos, Juan destacou a importância das parcerias público-privadas. Última palestrante da manhã, Maria Teresa Fedeli, secretária executiva do Programa Mananciais da Secretaria Municipal de Habitação de São Paulo, listou alguns dos desafios sociais e ambientais das cidades: obesidade infantil, uso exagerado de telas (e consequente afastamento da natureza), falta de espaço adequado para lazer, gestão da água, drenagem urbana, moradia digna, proteção dos mananciais e fortalecimento da economia azul e verde. São alguns desses desafios que estão na origem do Programa Mananciais, iniciado na década de 1990 e que abrange as regiões das represas Billings e Guarapiranga. Maria Teresa apresentou a história do complexo Cantinho do Céu, na borda da Billings, que consistiu na construção de um parque linear e na realocação de famílias para áreas mais seguras. Ela também falou no Plano Urbano Chácara Flórida, em Guarapiranga, cuja ocupação por famílias havia triplicado durante os anos de pandemia da covid-19. Conforme Maria Teresa, o Projeto Mananciais opera em conjunto com 18 secretarias municipais da capital paulista, o que demonstra o desafio do trabalho coletivo de cuidar dos territórios. “Um território se constrói com a soma dos aprendizados, das políticas e dos conhecimentos de cada um”, frisou ela. Os eixos do programa são trabalho técnico social, infraestrutura e habitação e equipamentos públicos, orientados por uma equipe multidisciplinar, parcerias com organizações da sociedade e soluções baseadas na natureza. Casos emblemáticos Abrindo a programação da tarde, Neil Porter, cofundador do escritório de arquitetura britânico Gustafson Porter + Bowman, demonstrou como velhos bairros industriais e parques disfuncionais podem se transformar em espaço verde, melhorando a qualidade de vida, reduzindo o ruído, moderando a temperatura e atraindo a biodiversidade. Ele disse que, embora 47% da área de Londres, na Inglaterra, seja verde, 40% dos residentes não têm acesso à natureza em determinados distritos da capital. Neil apresentou dois tipos de projetos: parques novos em áreas a revitalizar e parques já existentes que precisam ser revitalizados. Os primeiros normalmente são construídos em áreas portuárias, estações ferroviárias e zonas industriais, entre outras. Muitos são financiados pela iniciativa privada. Construído por um empreendedor imobiliário, o “pocket park” Taikoo Place, em Hong Kong, por exemplo, é um espaço verde entre os prédios, com temperatura agradável, para as pessoas almoçarem e caminharem. Neil contou que, alguns meses depois da construção, a vida selvagem voltou ao lugar e atraiu a atenção de outros visitantes. No segundo tipo de revitalização, o OnE é um eixo unificador da Torre Eiffel, em Paris, na França, conectando a Place du Trocadéro, o Palais de Chaillot, a Pont d’Iéna, o Champ de Mars e a École Militaire. O parque já existia, no entanto acabava ofuscado pela grandiosidade da icônica torre de metal, explicou Neil. O projeto aumentou em 35% a superfície verde da região. Em Roterdã, na Holanda, o Museumpark foi construído num pântano abandonado e num estacionamento sem uso. Outro caso emblemático é a rearborização do Highgate Cemetery, em Londres, cujas árvores estavam morrendo por causa das mudanças climáticas. Kira Strong, diretora sênior do High Line Network, complementou o relato sobre o parque elevado High Line, apresentado de manhã por Alan van Capelle. A experiência de Nova York resultou numa rede de 46 grupos vinculados a áreas verdes nos Estados Unidos, Canadá e México. Os parques do High Line Network receberam 50 milhões de visitantes em 2025, foram erguidos em estruturas antigas (ferroviárias, portos, minas) de diferentes tamanho e localização. Os orçamentos variam de acordo com a escala do equipamento. Um ponto interessante do relato de Kira é que a rede começou numa sala pequena, enquanto poucos profissionais pensavam como poderiam aprender uns com os outros. Nos últimos 10 anos, entre outras coisas, eles aprenderam a se relacionar com as prefeituras, a lidar com as pessoas em situação de rua que moram nos parques, a conseguir financiamento da iniciativa privada e a testar tecnologias e ideias com as universidades.   O High Line Network elaborou um kit de 18 ferramentas ( [disponível neste link](https://toolkit.highlinenetwork.org/) ) para ajudar organizações de parques a combater as desigualdades causadas pelo racismo estrutural e a moldar espaços públicos que tragam benefícios sociais, ambientais e econômicos para as comunidades. Segundo Kira, essas ferramentas foram testadas em treinamentos com servidores públicos e funcionários dos parques. Hélio da Silva demonstrou que “uma andorinha pode, sim, fazer verão” — como se autodefiniu no depoimento seguinte. Ele é reconhecido como o plantador das 43.923 árvores do Parque Linear Tiquatira, na capital paulista, semeadas desde 2003 em uma área de 320 metros quadrados e 3,2 quilômetros de extensão, acompanhadas por um córrego e cercadas por uma população de 1 milhão de pessoas. Hélio contou como foi possível erguer esse parque numa época que se achava que plantio de árvores era sinônimo de sujeira nas ruas. A primeira motivação veio do desconforto em relação à degradação  da Penha, o bairro onde cresceu. Na época, pensou: “Eu vou repatriar as queridas que existiam aqui há 200 anos”. As “queridas” são as espécies de árvores da Mata Atlântica desmatadas ao longo dos séculos. Não foi fácil. As primeiras 600 mudas plantadas foram destruídas. Diante de autoridades do poder público, Hélio comprometeu-se a plantar 5 mil árvores em quatro anos, com a promessa do prefeito de que aquilo se tornaria o primeiro parque linear da capital se o número fosse atingido. Dessa vez, Hélio mudou de estratégia, envolveu as pessoas que moravam e trabalhavam na região e conquistou novos guardiões para as árvores. Em 2008, a meta estava cumprida, e um legado, transmitido. “Eu continuo plantando sonhos e colhendo vida todos os dias”, afirmou ele. “O meu objetivo é incentivar pessoas a plantar e a praticar coisas boas nesse sopro de vida.” Fechando as apresentações da tarde, o urbanista Francisco Cunha falou sobre a criação do Jardim do Baobá, no Recife, em Pernambuco. O jardim é marco zero do Parque Capibaribe, iniciado a partir da preservação de um baobá na beira do rio que estava emparedado por um muro (posteriormente derrubado). Como ele mesmo disse, a história vale como metáfora de que os muros devem ser demolidos. O rio Capibaribe é considerado o principal ativo ambiental do Recife e articulador do território urbano. O baobá foi incorporado ao projeto de reconstrução da estação de trem, do outro lado do muro, que havia sido destruída num acidente de carro. Era um lugar inóspito que virou um sucesso de visitação. Segundo Francisco, o Jardim do Baobá é um exemplo de que é possível dar partida a uma trajetória virtuosa de mudança de um estado de coisas bastante deteriorado, quando se consegue uma articulação efetiva entre a mobilização social, um “advocacy” eficiente junto ao governo e uma articulação focada com a academia. A reconstrução da capital pernambucana também passa pelo projeto “O Recife que precisamos”, apresentado a todos os candidatos que participaram das eleições municipais de 2012. Em resumo, a proposta prevê a recuperação do planejamento de longo prazo, a retomada do controle urbano, o destravamento da mobilidade, o resgate da história com a reformulação do centro e a preservação do rio Capibaribe. Francisco destacou que Recife será a primeira capital brasileira a completar 500 anos, em 2037."}]