[{"jcr:title":"As conexões entre moradia, transporte e meio ambiente","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/urbanismo","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/cop30"},{"richText":"O terceiro e último texto da série sobre os seis anos do Laboratório Arq.Futuro do Insper apresenta as conquistas e os planos dos núcleos de Habitação e de Mobilidade, além do programa Cidade +2°C","authorDate":"28/11/2025 12h42","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"As conexões entre moradia, transporte e meio ambiente","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Moradia e transporte são dois temas presentes no cotidiano dos indivíduos e das organizações que ocupam os centros urbanos. Estão diretamente relacionados entre si e definem hábitos e relações pessoais e profissionais. Cada vez mais, são impactados pelos incidentes climáticos extremos, crescentes em intensidade e frequência. É natural, portanto, que esses assuntos contem com um espaço privilegiado de reflexão e atuação no  [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades) . O Centro parte do princípio de que as abordagens tradicionais do urbanismo já não são capazes de equacionar os complexos desafios enfrentados pelas cidades contemporâneas, e apoia-se na interdisciplinaridade como base de uma plataforma para o ensino e a pesquisa sobre o meio urbano, com foco na inovação. No terceiro e último texto dedicado a celebrar os seis anos do Laboratório, conheça dois núcleos, ligados à habitação e à mobilidade, e o programa dedicado a acompanhar — e orientar — medidas de mitigação de emissões e adaptação aos riscos estruturais provocados pelas mudanças climáticas. Em tempo: os dois textos anteriores desta série trataram,  [primeiro](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/conexao-entre-setores-publico-e-privado-academia-e-comunidades-precarizadas-pode-transformar-a-vida-urbana) , da Iniciativa Mulheres e Territórios e do Núcleo Arquitetura e Cidade. No  [mês seguinte](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/razao-dados-e-sensibilidade-para-melhorar-o-dia-a-dia-dos-municipios-brasileiros) , o foco recaiu sobre os núcleos de Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data e de Urbanismo Social, além da Iniciativa Saúde Urbana. Habitação, Real Estate e Regulação Com coordenação do cientista social e arquiteto José Police Neto, coordenação-adjunta da arquiteta e urbanista Rebecca Dantas Carneiro, e pesquisas conduzidas pelo economista Rodger Campos, o núcleo de Habitação, Real Estate e Regulação lança luz sobre questões estratégicas relacionadas à moradia para todos os perfis sociais. “Conectamos setor produtivo, sociedade civil organizada e esferas de governo em iniciativas conjuntas e cursos que alcançam lideranças de todas as regiões do país”, diz Neto. O núcleo firmou recentemente seu primeiro  [acordo de cooperação técnica](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/contra-o-deficit-de-moradias-insper-analisara-politica-urbana-de-municipios-pernambucanos.html)  com um estado — no caso, Pernambuco — e está negociando outros pontos de contato e cooperação com, por exemplo, Bahia, Rondônia, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul. “Vemos alunos e ex-alunos alcançando postos de liderança em secretarias de habitação, enquanto nossos eventos atraem integrantes da imprensa e CEOs das principais incorporadoras do Brasil”, comemora o coordenador. “Buscamos analisar o quanto a cidade se torna deseconômica no seu processo de desenvolvimento, à medida que perdemos oportunidades de investir no solo urbano. É um processo que pode ser revertido, com base em dados qualificados.” De fato, pesquisas focadas em identificar lotes vazios e avaliar seu potencial construtivo estão no centro das atenções do núcleo, reforça Campos. “O déficit habitacional segue aumentando. Sabemos que os modelos de operações urbanas desenhadas na cidade de São Paulo estão esgotados, mas estamos avaliando a estratégia do Rio de Janeiro com o Porto Maravilha, que concilia recursos públicos e soluções da iniciativa privada”. Outra frente de atuação conecta a moradia com a mobilidade: “Apenas 5% das pessoas que trabalham no Itaim Bibi conseguiriam comprar um imóvel no bairro. É importante debater o acesso a moradias mais próximas dos empregos”, afirma Campos. O núcleo conduz seis cursos, sendo que o carro-chefe, dedicado a políticas habitacionais, é realizado duas vezes por ano. “Trabalhamos com temas relevantes, como planejamento urbano e regulação de cidades, saneamento básico em áreas irregulares, as conexões entre real estate, dados e cidades”, relata Carneiro. “Buscamos conectar diferentes aspectos das moradias nos ambientes urbanos, inclusive os de menor porte. Queremos contribuir para pensar nos modelos de cidade que queremos construir, em todas as regiões do país.” Mobilidade Urbana O núcleo foi um dos primeiros a se estruturar  no   Laboratório Arq.Futuro. Em setembro de 2023, lançou o Observatório Nacional de Mobilidade Sustentável, uma parceria com a Motiva (antiga CCR), que surgiu com o objetivo principal de reunir dados de mobilidade urbana das 20 maiores cidades do Brasil. A meta numérica já foi ultrapassada: atualmente, 23 municípios compartilham informações, reunidas em um  [portal](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/insper-cidades-lanca-portal-de-dados-para-monitoramento-do-transporte-urbano.html)  que será disponibilizado no início de dezembro Para 2026, o núcleo quer dobrar esse número, almejando metas de representações regionais. A coordenação está a cargo de Sérgio Avelleda, ex-secretário de Mobilidade e Transportes da cidade de São Paulo e ex-presidente do Metrô de São Paulo e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM). A coordenadora-adjunta, Helena Carvalho Coelho, é advogada e pesquisadora com mestrado e doutorado pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). “Caracterizamos os dados de acordo com a qualidade das informações e realizamos reuniões bimestrais para que as cidades se conectem e reforcem o intercâmbio produtivo entre secretários municipais e diretores de mobilidade”, diz ela. “O Insper tem o potencial de ser um centro de debates ricos sobre mobilidade, com cursos executivos e imersões para grupos de alunos diversos, que incluem empresários de empresas de ônibus, representantes do setor de trilhos, instituições financeiras e movimentos sociais.” O núcleo acumula mais de 200 alunos de educação executiva e mais de 47 horas de eventos realizados, com um número superior a mil participantes. Também liderou a Coalizão pela Descarbonização do Transporte, uma iniciativa que levou à COP30 uma série de alavancas para reduzir em até 70% as emissões do setor de transporte até 2050. Entre as publicações técnicas produzidas pelo núcleo, se incluem o  [Guia de Eletromobilidade para Cidades Brasileiras](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/dc7361f5-65f7-4e42-9d33-f8ed2349c194/full)  e o  [Guia de Mobilidade Humana](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/f0dcb9c3-8d56-4cf5-8149-a0c93cadd739) . O Observatório também entregou a pesquisa sobre a Faixa Azul, em parceria com o Núcleo Economia Urbana, Cidades Inteligentes e Big Data, consolidando uma grande e relevante produção em apenas dois anos. “Temos a intenção de ampliar o número de cidades que compartilham dados, e a missão de olhar com atenção para as informações que já temos. Cada município entrega dados da forma como consegue e nós aceitamos o desafio de padronizar. Agora temos o desafio de avançar, tendo em vista a agenda de descarbonização”, afirma Coelho. O núcleo também ´realizou a websérie  [Insper Cidades na Mobilidade](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/webserie-insper-cidades-na-mobilidade-traz-historias-reais-e-provoca-debate-sobre-o-futuro-do-transporte-urbano-nos-municipios-brasileiros) , disponível no YouTube do Insper, que reúne 10 episódios com o desafio de aproximar a linguagem acadêmica do público jovem. Os participantes vão desde usuários de transporte entregadores e alunos do Insper até alunos lideranças de movimentos sociais, CEOs e especialistas. Programa Cidade +2°C As mudanças climáticas são um fato consumado, e as cidades sofrem as consequências com uma intensidade própria, já que são especialmente propícias à ocorrência de ondas de calor, alagamentos, desabamentos e aumento da incidência de doenças tropicais — em espaços com grande concentração populacional, o número de vítimas pode ser muito elevado. Daí o Laboratório Arq. Futuro abrigar, oficialmente desde agosto deste ano, o programa Cidade +2°C, coordenado pelo sociólogo e professor Élcio Batista e com a arquiteta e urbanista Hannah Arcuschin Machado atuando como coordenadora-adjunta e pesquisadora principal. A  [implementação da iniciativa](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/programa-cidade-2c-sera-um-dos-destaques-do-laboratorio-no-ano-da-cop30)  teve início no começo do ano, conta Élcio. “Trabalhamos com projetos de diferentes escopos, transdisciplinares, capazes de criar laços com a graduação, o ensino, a pesquisa e a extensão, com incidência nos territórios”. Entre os temas centrais da iniciativa estão o desenvolvimento de métricas e metodologias capazes de avaliar vulnerabilidades urbanas diante das mudanças climáticas, a estruturação de sistemas de informação e predição climática aplicados ao planejamento urbano, a realização de testes de soluções urbanas em territórios reais, com monitoramento e avaliação, a articulação de fontes de recursos e mecanismos financeiros voltados à adaptação e o engajamento de atores públicos, privados e comunitários em processos de decisão colaborativos e escaláveis. “O clima já mudou. Precisamos parar de queimar combustíveis fósseis e de desmatar, porque as cidades já estão sendo afetadas. Mas o programa tem um norte: nossa prioridade é a adaptação, que se torna cada vez mais essencial”, destada Machado. Duas pesquisas em andamento buscam contribuir nessa direção. Uma delas, “Investimentos em adaptação climática em cidades brasileiras”, é dedicada a apurar quais foram os recursos internacionais alocados no Brasil desde o Acordo de Paris de 2015, e quanto desse total foi mobilizado para mitigação e quanto para adaptação. “Estamos desenvolvendo um modelo de classificação que pode virar uma ferramenta de inteligência artificial replicável aos orçamentos de todos os municípios do país”, diz a pesquisadora. Outra pesquisa em andamento, “Dinâmica de sistemas para resiliência urbana”, busca encontrar pontos de alavancagem dos investimentos em adaptação, com o objetivo de gerar conhecimento para orientar decisões para o fortalecimento da resiliência das cidades em habitação, mobilidade, saneamento integrado, espaços públicos e áreas verdes, regulação ambiental, urbana e uso do solo, energia, saúde, educação e capacidade institucional. Uma entrega importante da iniciativa foi um  [estudo](https://repositorio.insper.edu.br/entities/publication/197bcc30-665b-4c72-aeca-d80bb28181c1)  apresentado durante a  [COP30](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/na-cop30-o-presente-das-cidades-se-confronta-com-os-desafios-do-futuro.html) , em Belém (PA), a respeito das ações realizadas no município paraense de Barcarena. Focado em traçar um diagnóstico com base em urbanismo, saneamento e adaptação climática na Amazônia em transformação, o trabalho mapeia os avanços do município, de acordo com metas descritas nos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da ONU, ao mesmo tempo que também identifica contradições estruturais: “A cidade que universaliza o esgoto também pavimenta com concreto a orla dos rios. Implanta redes subterrâneas, mas mantém calçadas sem árvores. Constrói obras de contenção a erosões causadas por ela mesma. Em nome do progresso, reproduz um modelo de urbanização exógeno, pouco adaptado ao bioma amazônico e à cultura local”, descreve o documento. “Atuamos para medir as soluções que estão sendo implementadas nas cidades brasileiras, dos mais diversos portes e regiões”, sublinha Batista. “O suporte do Centro de Estudos das Cidades é crucial, já que nele são gerados dados sobre diversos setores, de forma transversal, o que nos permite analisar as implicações das iniciativas das metrópoles sobre os indivíduos e os grupos sociais”, conclui."}]