[{"jcr:title":"Acordo celebra as lições das comunidades ancestrais para o combate às mudanças climáticas","cq:tags_0":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper"},{"richText":"A três meses da COP30 em Belém, Insper e Ministério dos Povos Indígenas firmam parceria para aproximar a academia da sabedoria dos habitantes mais antigos do Brasil","authorDate":"28/08/2025 12h45","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"centro-de-conhecimento:laborat-rio-arq--futuro-de-cidades","title":"Acordo celebra as lições das comunidades ancestrais para o combate às mudanças climáticas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Enquanto as mudanças climáticas alcançam um ponto de inflexão sem precedentes, a Amazônia se prepara para receber a 30ª edição da Conferência das Partes, a reunião anual de países-membros da Convenção-Quadro das Nações Unidas sobre Mudança do Clima (UNFCCC). O momento é propício para aprender com as comunidades tradicionais. Afinal, elas vivem em interação com a floresta desde muito antes da chegada dos brancos, sem provocar os impactos impostos ao planeta a partir da Revolução Industrial. Tais comunidades têm muito a compartilhar com as lideranças globais, como lembrou Sonia Guajajara, ministra dos Povos Indígenas do Brasil, no palco do auditório Steffi e Max Perlman, do Insper, em São Paulo, durante o  [evento](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/08/cop-30-em-perspectiva-povos-indigenas-e-as-mudancas-climaticas)  “COP30 em Perspectiva: Povos Indígenas e as Mudanças Climáticas”. “Precisamos que essa COP seja diferente. Precisa ser a COP da implementação. Não há mais tempo, precisamos de medidas concretas. Por isso mesmo, esta precisa ser a convenção com maior participação indígena da história.” Realizado no dia 14 de agosto, o encontro foi marcado pela  [assinatura](https://www.insper.edu.br/pt/conteudos/cidades/insper-e-ministerio-dos-povos-indigenas-firmam-parceria-para-formacao-de-liderancas-indigenas-)  de um protocolo de intenções. Firmado pela ministra, por Marcelo Orticelli, vice-presidente de Desenvolvimento Organizacional do Insper, e por Priscila Claro, diretora de Graduação e líder do Centro de Sustentabilidade e Negócios, ele estabelece uma parceria que tem como objetivo promover a formação de indígenas em áreas estratégicas, como desenvolvimento urbano, políticas públicas, economia, administração e sustentabilidade. A parceria será exercida de forma transversal na instituição e vai envolver, além do  [Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro](https://www.insper.edu.br/content/insper-portal/pt/pesquisa/centro-de-estudos-das-cidades.html) , o  [Centro de  Gestão e Políticas Públicas (CGPP)](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-gestao-e-politicas-publicas)  e o  [Núcleo de Sustentabilidade e Negócios](https://www.insper.edu.br/pt/pesquisa/centro-de-estudos-em-negocios/nucleo-de-sustentabilidade-e-negocios)  do Insper. Desse modo, busca apoiar e fortalecer a inclusão de indígenas no ambiente acadêmico — que, por sua vez, se vê beneficiado por agregar os conhecimentos proporcionados pela comunidade, não apenas em sala de aula como também na produção de pesquisas relevantes e insights para a geração de políticas públicas. Troca produtiva “Os verdadeiros guardiões da floresta são os povos indígenas, que há milênios extraem dela tudo de que precisam para a sobrevivência. Aprendemos com eles que as árvores, os rios, os animais, tudo faz parte do ambiente onde as pessoas convivem, e não o contrário”, argumentou, durante o encontro,​ Tomas Alvim, coordenador-geral do Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper. “A academia tem muito a trocar com os povos indígenas, a incorporar esse conhecimento para estruturar processos a partir dessa perspectiva.” Dois nomes que são eferência no que diz respeito às comunidades indígenas e que atuam no Insper participaram do encontro: Thiago Henrique Karai Djekupe, líder indígena guarani, e Txai Suruí, líder suruí. Ambos se tornaram recentemente pesquisadores bolsistas no Centro de Estudos das Cidades – Laboratório Arq.Futuro do Insper. Eles participam do projeto Povos Indígenas e Mudanças Climáticas, vinculado ao  [Programa Cidade +2ºC](https://www.insper.edu.br/content/insper-portal/pt/conteudos/cidades/a-urgencia-da-adaptacao-climatica-para-cidades-cada-vez-mais-vulneraveis.html) , do Centro, lançado oficialmente no início deste mês, dia 5. “Sou neto de Jandira, primeira mulher reconhecida como cacique em seu território, o Jaraguá, que está sendo desenhado com nossas próprias mãos, de forma coletiva. Esse é um lugar sagrado para nós. É um lugar com alta incidência de raios, um espaço de manifestação de divindade”, relatou Thiago, que é graduando em Arquitetura e Urbanismo pela Escola da Cidade. “Nossos ancestrais nos ensinaram a olhar não apenas para as nossas vidas, mas a enxergar os outros, de diferentes gerações. Quando enxergamos os filhos dos nossos filhos, conseguimos cuidar do que nos cerca.” Por sua vez, Txai lembrou a importância das lideranças globais neste momento desafiador para a humanidade. “Aprendi com meu pai, que aprendeu com meu avô: um bom líder é humilde. Ele ouve seu povo, sabe que está ali para representar as pessoas, e não as substituir. Por isso mesmo, precisa saber ouvir críticas. E precisa de boa oratória, capacidade de diálogo”, disse ela, que acaba de ser nomeada pela ONU para o Grupo Consultivo de Jovens sobre Mudança Climática. É a única brasileira do grupo. Como apontou o sociólogo e professor Élcio Batista, coordenador do programa Cidade +2°C, garantir aos indígenas o direito de seguir desenvolvendo e preservando sua visão de mundo é crucial. “Há uma diversidade muito grande entre os povos indígenas do Brasil. Queremos oferecer ao mundo não apenas aquilo que fazemos bem em sustentabilidade, mas também direcionar insightscom base nas visões proporcionadas por nossos moradores mais antigos. Nossa ambição é contribuir articulando conhecimento e pesquisa aplicada aos territórios.” Espaço colaborativo O evento foi aberto com uma apresentação do coral da comunidade indígena do Jaraguá, que apresentou cantos ancestrais, seguido por relatos de lideranças. “Lutamos pela vida, pela natureza, porque sobrevivemos da natureza”, lembrou a cacique dos Tapé Mirim, Laura Guarany. “Somos um povo espiritual. Quanto mais a cidade se aproxima, mais nos enfraquecemos”, apontou Jandira Paramirim, moradora da terra indígena Jaraguá. Sérgio Lazzarini, vice-presidente acadêmico do Insper, lembrou da importância de trazer esses relatos para o centro dos debates. “Queremos que a comunidade veja o Insper como sua casa, uma extensão, uma área de aprendizado, de troca cultural. A agenda social e ambiental requer uma abordagem multiatores, focada na inclusão de atores que podem ajudar com soluções de formas colaborativas. E as comunidades indígenas são muito importantes para esse debate. Não apenas são afetadas pelo ecossistema, como podem fazer parte da solução, com base em seu sistema de seu conhecimento tradicional”, disse ele. “Esse evento é uma provocação a nós que trabalhamos com políticas públicas. Somos desafiados a colocar a dimensão humana no centro, quando falamos de mudanças climáticas. Nosso principal motivo de existir é fazer políticas públicas melhores que as atuais”, declarou, Vivian Satiro, coordenadora do Centro de Gestão e Políticas Públicas do Insper. “É impossível pensar no combate às mudanças climáticas sem considerar aquilo que o Brasil tem de mais singular, que é sua profunda diversidade ambiental, social e cultural”, apontou Vinicius Picanço, coordenador do Núcleo de Sustentabilidade do Insper. “O diálogo com os povos indígenas é absolutamente fundamental nesse momento em que o tema da sustentabilidade tem ganhado, na escola, uma posição estruturante em nossas ações. O Insper quer ser interlocutor dos saberes acadêmicos, científicos e ancestrais.” Proteger quem protege Daniel Maranhão, representante do Ministério dos Povos Indígenas, listou demandas das comunidades nativas que têm potencial para reforçar a proteção territorial e a contenção as emissões de gases causadores das mudanças climáticas. “Queremos garantir o protagonismo dos indígenas nos espaços de poder e de decisão. Sabemos da importância das comunidades locais para proporcionar a proteção territorial como política de mitigação.” Amanda Costa, ativista climática e fundadora do Instituto Perifa Sustentável, jovem conselheira do Pacto Global da ONU, tocou em um ponto estratégico para as cidades: o racismo climático, baseado na constatação de que as mudanças pelas quais a Terra passa tendem a afetar algumas parcelas da população mais do que a outras. “Para construir um Brasil realmente inclusivo e participativo, precisamos olhar para a realidade como ela está colocada, marcada pelas desigualdades sociais. O racismo ambiental aprofunda injustiças nos territórios periféricos, indígenas e quilombolas”, argumentou. Como disse Sonia Guajajara, cuja fala encerrou o evento, a realização da COP em Belém proporciona uma oportunidade única para debater esses temas. “O mundo sempre falou da Amazônia. Agora é importante que a Amazônia fale para o mundo. Queremos deixar claro que temos, sim, fauna e flora, mas também uma diversidade de pessoas, de culturas. Antes de proteger a Amazônia, é importante proteger quem a protege.” [Veja aqui a galeria de fotos do evento.](https://www.flickr.com/photos/insper/albums/72177720328402528)"}]