[{"jcr:title":"Sustentabilidade e ética orientam debate sobre os rumos da inovação","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/internacional"},{"richText":"Durante o São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability, Fabio Kon, professor da USP, defendeu uma ciência comprometida com o bem-estar social e ambiental","authorDate":"17/03/2026 11h10","author":"Leandro Steiw","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","title":"Sustentabilidade e ética orientam debate sobre os rumos da inovação","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"O cientista da computação Fabio Kon, professor do Instituto de Matemática e Estatística da USP (Universidade de São Paulo), foi o palestrante do quarto dia do evento São Paulo  [School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/12/school-of-advanced-science) , realizado no Insper com o apoio da Fapesp (Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo). O projeto tem como pesquisador responsável o professor Sérgio Lazzarini, professor titular da Cátedra Chafi Haddad, do Insper. Para falar sobre a sua visão de inovação responsável e sustentabilidade, a partir do ponto de vista da ciência da computação, Fabio lembrou que a ciência e a tecnologia permitiram à humanidade, ao longo de 10 mil anos, tomar decisões melhores e viver mais, melhor e com saúde. “Se você olhar para os últimos 300 anos, a cada década estamos melhores do que na década anterior”, disse ele durante a  [palestra](https://www.youtube.com/live/rVo71kBcAII) . A parte ruim, segundo Fabio, é que ciência sem uma ética forte pode levar a resultados terríveis. Em meados do século 20, por exemplo, cientistas e médicos dos Estados Unidos fizeram um experimento controlado com pessoas que tinham sífilis, sem contar aos pacientes sobre a doença e sem oferecer o tratamento que já havia sido inventado. Como ele mesmo salientou, dezenas ou centenas de pessoas podem ter morrido por causa dessa decisão tomada em nome de um estudo científico. Em relação às tecnologias que pioram a vida, Fabio disse que parte do problema é que um pequeno número de pessoas, que gerenciam algumas poucas grandes empresas, muitas vezes movidas por lucro e ganância, tem influência desproporcional sobre a direção para a qual a humanidade caminha. “As grandes empresas de tecnologia são controladas por um punhado de pessoas, e elas decidem como dois ou três bilhões de pessoas no planeta trabalham e interagem com o mundo diariamente”, afirmou. “E achamos que temos a escolha de usar ou não usar a tecnologia, que basta decidir clicar ou não em certas coisas. Mas isso é apenas parcialmente verdade, porque somos sujeitos dos experimentos que essas empresas fazem.” A tecnologia desenvolvida nos últimos 50 anos tem um grande impacto sobre o meio ambiente, resultando em enorme quantidade de lixo eletrônico, perda de recursos naturais, emissões de gás carbônico e extração descontrolada de materiais e minerais. “A tecnologia digital é responsável por cerca de 4% das emissões, quase o mesmo que a indústria da aviação”, disse Fabio. “No entanto, as emissões do setor de tecnologia da informação estão aumentando, diferentemente das da indústria da aviação. A previsão é que, por volta de 2030, cerca de 20% do consumo mundial de eletricidade esteja em data centers. Já consumimos um trilhão de litros de água por ano apenas para o resfriamento de data centers, competindo diretamente com o consumo humano, de animais e da agricultura.” Inclusão e equidade da inovação Para o professor, a inovação responsável depende de três condições: da novidade da solução; da prova de que é possível construir essa tecnologia; e do valor que essa inovação produzirá na vida das pessoas. Ainda há algumas questões a responder: O que pode dar errado com essa inovação? Para quem pode dar errado? O que podemos fazer a respeito? Essa inovação promove inclusão e equidade? Quem são as pessoas que talvez estejam sendo prejudicadas e que não estão sendo ouvidas no processo de criação? E quem vai comandar essa tecnologia? A internet foi uma criação científica inovadora implementada de forma muito democrática, argumentou Fabio. “Porém, as redes sociais são uma camada sobre a internet que é controlada por talvez cinco pessoas”, afirmou ele. “O resultado é que hoje temos mais de 50% das pessoas que, quando perguntadas, relatam ser viciadas em seus smartphones. E estamos vendo um aumento na prevalência de transtornos mentais na humanidade, e muitas pessoas acreditam que isso está fortemente relacionado à nossa dependência de celulares.” Por fim, toda inovação tecnológica deve considerar o tema da sustentabilidade, na opinião do professor: “A inovação vai gerar um valor líquido positivo para o planeta e para a sociedade no longo prazo? Essa nova tecnologia vai tornar o mundo melhor agora, daqui a 10 anos e daqui a 50 anos? Isso é sustentabilidade. De forma geral, podemos usar a ciência e a tecnologia para proteger o meio ambiente e prevenir a destruição do planeta”. O que a sociedade pode fazer, ressaltou Fabio, é pressionar os legisladores e os governos a aprovar leis e regulações que obriguem as empresas a respeitar os seres humanos e o seu bem-estar mental. “Todos aqui somos cientistas, empreendedores ou estudantes, e precisamos pensar em causar impacto na sociedade, na direção certa”, disse ele. Como exemplos, ele citou a invenção do LED azul, nos anos 1990, que permitiu criar luzes de LED brancas muito mais econômicas e a expansão da energia solar e eólica em substituição aos combustíveis fósseis. Movimentos pequenos apontam para a direção da inovação sustentável. Fabio falou de alguns projetos dos quais participa, como o Forest Eyes, financiado pela Fapesp, que analisa imagens de satélite para detectar desmatamento na Amazônia e pode apoiar políticas públicas no futuro. Em outro, feito na USP, técnicas de ciência de dados buscam medir a probabilidade de as pessoas começarem a usar a bicicleta caso ciclovias sejam construídas na cidade. Outros temas de relevância são estudados em projetos sobre irrigação inteligente e computação verde. Na conclusão da palestra, Fabio disse que, durante a vida profissional do cientista, haverá pessoas pedindo para se fazer coisas ruins — pelo lucro da empresa, pela próxima eleição ou para publicar artigos. “Mas quase sempre você tem uma escolha”, afirmou. “Esqueça o que essas pessoas dizem e faça sempre a coisa certa. Faça ciência com ética. Busque inovação com responsabilidade. Convido vocês a fazerem ciência e tecnologia com ética, responsabilidade e preservando o meio ambiente.”"}]