[{"jcr:title":"Parcerias intersetoriais podem impulsionar as atividades econômicas regenerativas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/internacional"},{"richText":"Práticas corporativas eficientes, que conectam os negócios ao ecossistema e às comunidades, foram o tema central do último dia da São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability","authorDate":"30/04/2026 13h57","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","title":"Parcerias intersetoriais podem impulsionar as atividades econômicas regenerativas","variant":"image"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"jcr:title":"Oana Branzei, professora da Ivey Business School","alt":"Oana Branzei, professora da Ivey Business School"},{"text":"As comunidades indígenas têm muito a ensinar às organizações desafiadas a rever processos e rotinas para contribuir com o combate às mudanças climáticas. Em geral, são grupos que tradicionalmente atuam de forma integrada aos ciclos naturais ao seu redor, sejam eles positivos ou negativos. E se adaptam a eles, porque entendem que fazem parte de um sistema que valoriza a preservação e a reconstrução, e não a destruição. A prática da regeneração pode se inspirar nessesmodelos, que conciliam o todo e valorizam os ecossistemas em todas as suas características. Essa foi a lição deixada por Oana Branzei, professora da Ivey Business School, da Western University, e Matthew A. Cronin, docente da Universidade George Mason, no  [último dia](https://www.youtube.com/live/9jYJyBNc-NY)  de programação da [São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability (ESPCA)](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/12/school-of-advanced-science) . Realizado em dezembro de 2025, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o programa reuniu acadêmicos de referência global e alunos de 22 nacionalidades. Eles tiveram acesso a uma programação densa, que se estendeu diariamente das 9h às 19h e contou com 40 palestrantes. O objetivo foi explorar, em nível avançado, subáreas centrais para a transformação sustentável, incluindo temas como teoria da mudança, organização regenerativa, colaboração intersetorial, novos serviços em marketing, transversalidade e interseccionalidade, operações e cadeias de suprimentos inovadoras, capital de risco, sustentabilidade, tecnologia e sustentabilidade, além de liderança adaptativa. Restabelecendo laços A proposta da ESPCA era integrar múltiplas formas de conhecimento e agentes de transformação, promovendo reflexões críticas e contribuindo para o avanço das agendas de sustentabilidade globais e locais. E a apresentação de Oana e Matthew apresentou insights capazes de contribuir com a aplicação de práticas de regeneração capazes de facilitar as conexões entre diferentes atores, em especial com a iniciativa privada. “A conversa sobre regeneração começou no final de 2023 e atingiu o ápice em 2024, quando o Fórum Econômico Mundial afirmou que a regeneração é o futuro não apenas dos negócios, não apenas das economias, mas da vida na Terra. Foi uma declaração de peso, vinda de uma organização conhecida por impulsionar reflexões entre líderes mundiais”, disse a professora. “Somos desafiados a não mais nos considerar desconectados da natureza, mas sim como uma parte viva e intrincada de ecossistemas vivos, compostos por seres humanos e não humanos.” Essa nova atitude demanda uma nova postura por parte do setor produtivo. “Somos tão bons em degeneração organizada! Realmente sabemos como causar dano. Só agora estamos começando a focar em trabalhar com a natureza, em parceria. Começamos a aprender a transformar a dinâmica degenerativa em uma jornada regenerativa, positiva, e este caminho passa pelas comunidades ancestrais”, apontou ela. Exemplo que vem da Finlândia Entre os casos concretos de aplicação de práticas regenerativas – e lucrativas – está a experiência de resgate de práticas de biomanipulação para recuperar lagos da Finlândia. Os pequenos pescadores locais encontraram formas de gerar valor financeiro a partir dos peixes menores, que costumavam ser descartados – ou, no máximo, dados aos cachorros. Ao desenvolver uma categoria de produtos a partir dessas sobras da atividade comercial, encontraram um caminho para recuperar os lagos degradados da região. No esforço de transformar os peixes menores em um produto alimentar de sucesso, os produtores criaram um ciclo positivo: com menos espécies de pequeno porte na água, já que elas passaram a ser atrativas para os pescadores, os pequenos animais conhecidos como zooplânctons se multiplicam e consomem mais algas, o que torna a água mais limpa. Isso, por sua vez, ao permitir maior incidência de luz solar, facilita o desenvolvimento de plantas aquáticas maiores, das quais os peixes de maior porte se alimentam. Como benefício adicional, a água mais limpa também beneficia os moradores dos centros urbanos. “Os produtores entenderam como trazer os negócios para a discussão ambiental. Eles perceberam que a intervenção em prol do meio ambiente vinha falhando, e não por falta de dados científicos. A ciência ambiental era bem estabelecida. Faltava um produto de sucesso”, relatou Oana. Longo prazo possível Matthew lembrou que essas são práticas difíceis de implementar, porque demandam um esforço para repensar processos produtivos. Mas o esforço, disse ele, é recompensador. “Este é um trabalho de longo prazo – que, como sabem as pessoas mais velhas, tende a se realizar antes do que imaginamos. É possível encontrar novos significados para qualquer atividade econômica. Da minha parte, trabalho com dados para desenvolver conhecimento sobre práticas regenerativas, que então comunicamos para a sociedade.” O passo seguinte é replicar práticas comprovadamente eficazes em novos cenários. “É necessário encontrar formas de reproduzir iniciativas que deram certo nos confins da África para o norte gelado do Canadá. Vai demorar um tempo, mas é possível”, afirmou ele. “Essa proposta nos leva a um lugar de possibilidades futuras, de imaginários radicais, em que vamos além dos compromissos que ousamos assumir atualmente”, disse, por fim, a professora. “O futuro é regenerativo. E tem que ser. Não consigo imaginar nenhum futuro diferente.”  "},{"jcr:title":"Matthew A. Cronin, professor da Universidade George Mason","alt":"Matthew A. Cronin, professor da Universidade George Mason"}]