[{"jcr:title":"Como atrair capital privado para apoiar o combate às mudanças climáticas","cq:tags_0":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","cq:tags_1":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_2":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper/internacional"},{"richText":"O financiamento misto representa uma resposta para este dilema, argumenta Caroline Flammer, professora da Universidade Columbia. Ela visitou o Insper para participar da São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability","authorDate":"30/04/2026 13h26","author":"Tiago Cordeiro","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade","title":"Como atrair capital privado para apoiar o combate às mudanças climáticas","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"É preciso muito dinheiro para acelerar o desenvolvimento e a implementação, em escala global, de serviços e produtos inovadores em energias renováveis, tecnologias climáticas, soluções baseadas na natureza e inclusão social. De acordo com o Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (Pnuma), são necessários aproximadamente US$ 8 trilhões ao ano para que se alcance a meta de neutralizar as emissões de gases causadores do efeito estufa até 2050. Os benefícios macroeconômicos globais futuros recompensam o esforço: poderiam chegar a US$ 20 trilhões por ano até 2070, ainda segundo o Pnuma. Mas, para alcançá-los, é preciso aumentar a capacidade de mobilizar investimentos privados massivos. Para Caroline Flammer, professora de Assuntos Internacionais e Públicos e de Clima da Universidade Columbia, o caminho para alcançar esse objetivo passa pelo financiamento misto. “Combinar diferentes fontes de capital, incluindo capital filantrópico e capital público, pode melhorar o perfil de risco-retorno e, assim, ajudar a mobilizar recursos do setor privado — e não apenas dos investidores de impacto, mas também dos tradicionais”, disse ela, no campus do Insper, em São Paulo, na  [palestra](https://www.youtube.com/live/F12El6EuXTA)  de abertura do oitavo dia de atividades da  [São Paulo School of Advanced Science in Systems Change and Sustainability](https://www.insper.edu.br/pt/eventos/2025/12/school-of-advanced-science) . Realizado em dezembro de 2025, com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), o programa reuniu acadêmicos de referência global e alunos de 22 nacionalidades. Visão de longo prazo Especialista em investimentos sustentáveis, listada pela base de dados Web of Science entre os 100 pesquisadores mais citados na área de economia e negócios em termos de impacto nos últimos dez anos, Caroline examina, em suas pesquisas, como as empresas podem aumentar sua competitividade e lucratividade no longo prazo, fortalecendo o próprio sistema em que operam e, assim, desempenhando um papel crucial no enfrentamento das mudanças climáticas, da desigualdade, dos problemas de saúde global e de outros grandes desafios relacionados à sociedade e ao meio ambiente. Ao longo do dia, depois de sua apresentação, a programação teve sequência com painéis sobre avanços recentes em machine learning e inteligência artificial, inovações tecnológicas que pavimentam o caminho para a transformação sustentável, a integração da perspectiva de gênero e suas aplicações em sustentabilidade. O foco da professora e pesquisadora foi apontar estratégias para aplicar o financiamento misto, especialmente no Sul global, onde ele é mais necessário. “Existe uma enorme quantidade de capital privado disponível, da ordem de trilhões de dólares, mas esse recurso ainda não flui nessa direção, apesar de sabermos que mesmo quem só se importa com crescimento econômico deveria começar a pensar em biodiversidade, natureza e clima, porque as crises que afetam o planeta representam desafios sistêmicos para a prosperidade”, afirmou. Ou seja, a adaptação não é apenas uma resposta essencial à crise climática, mas também um investimento necessário e, de acordo com uma análise da organização de pesquisa independente WRI, capaz de gerar US$ 10,50 em benefícios, ao longo de dez anos, para cada dólar investido. “Historicamente, ações em prol de temas como a redução da pobreza e a mitigação das mudanças climáticas foram financiadas por meio de recursos públicos, bancos multilaterais de desenvolvimento e organizações filantrópicas. Mas isso não é suficiente. O capital privado pode contribuir muito mais, desde que encontre condições seguras, que garantam que o investimento terá retorno”, diz Caroline. Perguntas sem resposta É preciso que os projetos se mostrem financeiramente interessantes para os investidores privados, diz Caroline. “Para atrair dinheiro, pode ser necessário criar as condições para o surgimento de um novo mercado. Foi o que aconteceu com os automóveis elétricos, que contaram com apoio e subvenção para começar a ganhar escala. Nesse sentido, quando a viabilidade do conceito está confirmada, é que o setor privado tende a entrar em cena. Agora, empresas investem no ecossistema de serviços e soluções necessários para viabilizar as operações em torno dos carros movidos a eletricidade, como as estações de carregamento.” Mas qual é a alocação ideal de recursos? “Não é justo que outros setores sofram prejuízos financeiros elevados para que, posteriormente, os investidores privados se beneficiem. Por outro lado, é necessário criar as condições mínimas para atrair as empresas, ou elas não vão aderir. Esse equilíbrio ideal entre risco e retorno ainda não está bem definido. Há muitas perguntas sem resposta nesse campo, dado que o financiamento misto é um fenômeno emergente”, responde a professora. A assimetria de informação, especialmente nas regiões em desenvolvimento, é um fator complicador. “A falta de confiabilidade nos dados torna mais caro investir em projetos, precisamente nas regiões que mais precisam deles”, explicou a pesquisadora. Essa dificuldade pode ser superada. “Já existem, por exemplo, formas de calcular os benefícios do investimento em preservação da biodiversidade. É importante que eles sejam bem divulgados.” Em alguns casos, o setor financeiro tem apoiado investimentos em áreas carentes de recursos, em especial na África. “Pode parecer surpreendente, a princípio, mas o objetivo, nesse caso, é claro: construir do zero um sistema local sólido, o que representa uma grande oportunidade.” Outro setor que vem contando com um aumento da disponibilidade financeira é o agronegócio, por um motivo compreensível: “O celeiro do mundo está no Sul global”, explicou ela. Para impulsionar o financiamento misto e acelerar o processo de captação dos recursos privados necessários para superar os desafios que se apresentam, a comunicação é crucial, disse Caroline, por fim. “Há, em muitos casos, falta de compreensão interna nas organizações sobre o que é financiamento misto. Isso significa que a educação e o treinamento desempenham um papel importante: educar não apenas os gestores de patrimônio, mas também os escritórios familiares e os proprietários de capital sobre como eles podem servir de catalisadores, alcançar o impacto desejado e até mesmo multiplicar seus objetivos.”  "}]