[{"jcr:title":"Brasil busca aliança entre produtividade e sustentabilidade em nova rede de pesquisa lançada no Insper","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:acontece-no-insper","cq:tags_1":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","cq:tags_2":"area-de-conhecimento:economia","cq:tags_3":"area-de-conhecimento:políticas-públicas/sustentabilidade"},{"richText":"Iniciativa interinstitucional reúne economistas de referência para produzir evidências, orientar políticas públicas e impulsionar a transição climática e econômica do país ","authorDate":"15/12/2025 17h52","madeBy":"Por","tag":"area-de-conhecimento:políticas-públicas","title":"Brasil busca aliança entre produtividade e sustentabilidade em nova rede de pesquisa lançada no Insper","variant":"imagecolor"},{"jcr:title":"transparente - turquesa - vermelho"},{"themeName":"transparente - turquesa - vermelho"},{"containerType":"containerTwo"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"text":"Em um momento em que os impactos das mudanças climáticas se tornam cada vez mais visíveis e a urgência por transições econômicas sustentáveis aumenta, foi lançada no Insper, em São Paulo, no dia 9 de dezembro, a Rede de Pesquisa em Produtividade & Sustentabilidade (Rede PP&S). A iniciativa interinstitucional reúne economistas e pesquisadores de diversas instituições de excelência no Brasil para fomentar estudos de alto impacto capazes de orientar políticas públicas e transformar a economia brasileira em direção a um modelo mais produtivo, inclusivo e ambientalmente responsável. A proposta nasce do reconhecimento de que os desafios enfrentados pelo país — crise climática, perda de biodiversidade, desigualdades sociais e estagnação econômica — estão profundamente interligados. Como definiu Sergio Lazzarini, vice-presidente acadêmico do Insper, ao abrir o evento: “Muito dessa mudança depende de pressões e lideranças que muitas vezes estão fora do nosso controle, mas aqui, na academia, o que podemos fazer é gerar pesquisa de alto nível, com rigor, que detecte impactos, efeitos, mecanismos, e nos ajude a entender o que está travando essa agenda e onde estão as oportunidades”. A Rede PP&S conta com o apoio do Instituto Itaúsa, que vê na iniciativa uma resposta necessária a uma lacuna estrutural. “Sem ciência, não há boas políticas públicas. Sem evidências, não há transformação estrutural”, afirmou Rodolfo Villela, vice-presidente executivo da Itaúsa e presidente do conselho do Instituto Itaúsa. Segundo ele, a própria criação do Instituto, há dois anos e meio, foi motivada por uma ambição clara: atuar em áreas como conservação ambiental e aumento da produtividade com impacto social. “Nosso foco é trabalhar com os dois temas — produtividade e sustentabilidade — de forma integrada. São desafios de longo prazo que exigem compromisso contínuo e articulação entre diferentes setores”, disse. A Rede será sediada inicialmente no Insper, mas sua governança foi desenhada para ser rotativa, fortalecendo o espírito colaborativo entre as instituições. A coordenação acadêmica, nos primeiros três anos, estará a cargo do economista Rodrigo Soares, que também coordena o comitê de pesquisa formado por Juliano Assunção (PUC-Rio), Paula Pereira (USP) e Francisco Costa (EPGE-FGV), além do próprio Soares. A coordenação executiva está a cargo de Leila Pereira, do Insper. Entre os pilares da atuação da rede estão: geração e apoio direto à pesquisa; fortalecimento da inserção internacional dos pesquisadores brasileiros; disseminação de evidências científicas; e formação de novos quadros. Ao explicar o tipo de produção científica que a Rede pretende estimular, Soares resumiu: “A ideia é fomentar uma geração de pesquisa voltada para publicação internacional de alto impacto, mas que também seja profundamente relevante para as políticas públicas brasileiras.” Soluções brasileiras para dilemas globais A mesa de abertura do evento também debateu os resultados da COP30 e os caminhos para compatibilizar crescimento econômico com preservação ambiental. Joaquim Levy, ex-ministro da Fazenda e atual diretor de estratégia econômica e relações com mercados do Banco Safra, destacou que o Brasil pode ser um dos poucos países do mundo capazes de atingir a neutralidade de carbono nas próximas décadas “não com custos adicionais, mas com aumento de produtividade”. Para ele, exemplos como o etanol de milho, que vem transformando a pecuária e a agricultura com impacto positivo na geração de energia limpa e proteína animal, demonstram que “sustentabilidade e produtividade caminham juntas, desde que se façam as escolhas certas”. Levy ressaltou ainda que o Brasil precisa aproveitar suas vantagens naturais para liderar a transição ecológica global: “Temos soluções baseadas na natureza que podem gerar valor, industrializar setores, criar empregos e atender à sociedade com custos mais baixos. Mas, para isso, precisamos de mais coordenação e ajustes regulatórios, não necessariamente de subsídios”. Marcelo Furtado, hedge de sustentabilidade do Instituto Itaúsa e ex-diretor do Greenpeace, enfatizou a importância de se pensar a sustentabilidade como vetor de desenvolvimento industrial. “Estamos vivendo uma transformação em que adaptação à nova realidade climática será um diferencial competitivo. Desenvolver sementes resistentes, produtos seguros, infraestrutura resiliente — tudo isso cria novos mercados e empregos”, afirmou. Para ele, o papel do setor privado será crucial, e o Brasil já tem bons exemplos de inovação, como o ônibus híbrido a etanol desenvolvido pela Marcopolo. “Temos engenheiros e centros de excelência que ninguém conhece. Precisamos contar melhor essas histórias para o Brasil e para o mundo”, afirmou. Furtado também chamou atenção para a importância de mecanismos de financiamento inteligentes, como garantias para acesso a crédito público (por exemplo, do Fundo Clima), e para a articulação com o setor financeiro na atração de recursos privados. “Não se trata apenas de novas ideias, mas de adaptar instrumentos existentes e fazer com que funcionem para uma nova realidade”. A floresta como infraestrutura econômica Responsável por dezenas de publicações e iniciativas voltadas à conservação da Amazônia, o pesquisador Beto Veríssimo (Imazon e Amazônia 2030) completou o painel reforçando o papel estratégico das florestas. “Quando desmatamos a Amazônia, estamos destruindo uma infraestrutura que regula o clima, a produção agrícola, o abastecimento de água e a geração de energia”, alertou. Ele apresentou dados recentes de um estudo que mensura os efeitos do desmatamento sobre a perda de chuvas e a geração de energia nas hidrelétricas, destacando a urgência de inserir essa perspectiva nos planejamentos públicos. Para Veríssimo, a rede representa uma oportunidade rara de produzir conhecimento aplicado com impacto direto sobre decisões institucionais. “A maior ameaça à nossa agenda são as pessoas confusas, que fazem as perguntas erradas. Precisamos, como comunidade acadêmica, melhorar a qualidade das perguntas que orientam políticas públicas”, disse. Ele também propôs que o Brasil assuma uma posição de liderança global, especialmente no G20, ao adotar uma estratégia de desenvolvimento baseada na biodiversidade. “Somos o país com maior riqueza natural do mundo e ainda sabemos pouco sobre ela. Temos tudo para fazer uma descarbonização rápida, com aumento de produtividade e mais inclusão”, afirmou, lembrando que iniciativas como o uso crescente de bioinsumos e a agricultura regenerativa estão mostrando resultados concretos no campo. Debate que continua A programação do evento seguiu ao longo do dia com sessões de pesquisa organizadas por temas como meio ambiente e produtividade, economia política da preservação ambiental e consequências socioeconômicas do desmatamento. Pesquisadores do Insper, da FGV, da USP e da PUC-Rio apresentaram estudos empíricos que abordaram desde os efeitos de desastres naturais sobre o mercado de trabalho até os impactos do desmatamento sobre a saúde pública e os mercados de energia. Ao final da jornada, ficou clara a convicção de que a convergência entre produtividade e sustentabilidade é não apenas possível, mas indispensável para o futuro do país. Como afirmou Rodrigo Soares: “Queremos que essa rede seja uma semente de longo prazo. Que daqui a 15 anos ela tenha vida própria, operando por suas próprias pernas, com um campo de pesquisa amadurecido, internacionalizado e cada vez mais relevante para o desenvolvimento do Brasil”."}]