Revista de Economia e Administração – vol. 12 – n° 3

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

O efeito da monitorização na taxa de juro e na profundidade da relação bancária: a perspectiva bancária

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2013.721

Mário A. Gomes Augusto
Tiago Jorge Ganja de Carvalho

Resumo

Este trabalho tem dois objetivos centrais. O primeiro é estudar o efeito da monitorização, levada a cabo pelo banco financiador, na taxa de juro praticada nas contas correntes caucionadas (CCC). O segundo é o de perceber se existe uma relação entre o spread de uma operação de empréstimos em CCC e o grau de profundidade da relação bancária. Neste trabalho adotamos a seguinte abordagem: o banco, ao conceder crédito está a comprar risco. É utilizado um modelo de regressão múltipla e uma amostra de 174 linhas de crédito ativas e utilizadas por pequenas e médias empresas portuguesas. Apesar de não se comprovar a existência de um efeito da monitorização na taxa de juro, verifica-se que a profundidade da relação afeta negativamente o preço dos empréstimos em CCC. Verificou-se também que o preço dos empréstimos influencia negativamente a profundidade da relação bancária. As empresas, através da profundidade da relação, poderão obter melhores condições de crédito e o banco terá incentivos para reduzir a taxa de juro para aumentar a sua quota de crédito. Este trabalho apresenta contributos no plano teórico e empírico. No plano teórico adota-se uma abordagem diferente daquela que tem sido seguida no que respeita ao posicionamento do banco quando concede crédito. No domínio empírico, fornece importantes indicações aos bancos que concedem financiamento e às empresas que o procuram.

Palavras-chave: Relacionamento bancário; Relacionamento de crédito; Profundidade; Monitorização; Spread.

 

Implantação de metodologia de minimização de risco: o seguro da agricultura familiar

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2013.745

Paulo Augusto P. de Britto
Carlos Henrique Rocha

Resumo

A agricultura familiar tem importância sistêmica para a estabilidade econômica e social, demandando insumos e crédito para a manutenção de sua atividade diante dos notórios riscos associados à questão climática. Dado o seu importante papel, bem como sua inserção no debate acerca da segurança alimentar e nutricional, tal atividade passou a ser objeto de ações governamentais, tendo como marco institucional a criação do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (PRONAF), em 1995. Dentre os diversos programas que existem atualmente no Brasil, destaca-se o Seguro da Agricultura Familiar (SEAF), que garante a cobertura total do financiamento obtido junto ao PRONAF e de até 65% da renda estimada da família produtora em caso de perda de safra. O SEAF é financiado primeiramente com recursos orçamentários, sendo o prêmio pago de meros 2% do valor segurado. Este artigo analisa o SEAF à luz da teoria das finanças e, sem esquecer seu caráter social, demonstra suas fragilidades atuariais na medida em que exacerba os problemas de seleção adversa e de risco moral típicos em contratos de seguro. A partir disso, são propostas duas alterações no SEAF – modificar o critério de adesão e alterar a forma de cálculo dos valores do seguro e do prêmio – que contribuiriam para dirimir problemas de moral hazard típicos em contratos de seguro e, ainda, gerar recursos excedentes para a expansão da própria ação.

Palavras-chave: Agricultura familiar; Seguro; Risco e retorno; Simulação de Monte Carlo.

 

Cones de assimetria e curtose no mercado brasileiro de opções de compra de ações: uma análise dos cones de volatilidade perante a volatilidade implícita calculada pelos modelos Corrado-Su e Black-Scholes

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2012.678

Henrique Bauer
Antonio Carlos Figueiredo Pinto
Marcelo Cabus Klotzle

Resumo

O presente estudo tem como objetivo mostrar a existência de cones de assimetria e curtose no mercado brasileiro de opções de compra. As volatilidades implícitas calculadas pelo modelo Corrado & Su são sobrepostas aos cones de volatilidade. O modelo Black & Scholes também é utilizado para fins de comparação. Foram realizados testes estatísticos de eficiência para uma correta análise do mercado de opções em momentos de estabilidade e baixa volatilidade como os verificados no ano de 2010. O estudo mostra possibilidades de ganhos com as operações feitas através dos cones de volatilidade, porém os resultados obtidos pelos dois modelos não apresentaram diferenças estatisticamente significantes.

Palavras-chave: Cones de assimetria e curtose; Cones de volatilidade; Volatilidade implícita.

 

Preço da cesta básica na Região Sul do Brasil: testando a integração espacial

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2012.712

Airton Lopes Amorim
Eliane Pinheiro de Sousa
Daniel Arruda Coronel

Resumo:

O desempenho da cesta básica é um dos instrumentos importantes para a avaliação do desenvolvimento socioeconômico e nutricional de uma região e a relevância da análise de integração de preços como forma de aumentar a eficiência alocativa do mercado. Assim, este estudo realizou testes econométricos buscando identificar a integração espacial entre o preço da cesta básica do Decreto-Lei 399/38 entre as capitais da Região Sul do Brasil. Os resultados do teste de raízes unitárias mostram que as séries de preços das cestas básicas do Decreto-Lei 399/38 são integradas de ordem 1. Verificou-se, com base no teste de cointegração de Johansen, que tanto no modelo bivariado, como no modelo multivariado, as séries de preços em análise são cointegradas. Os resultados do teste de causalidade de Granger indicam que, no curto prazo, evidencia-se a transmissão do preço da cesta básica de Florianópolis para as demais capitais, enquanto que, no longo prazo, predomina a posição da cidade de Porto Alegre como grande influenciadora de preços. Vale destacar ainda Curitiba como grande tomadora de preços dos outros mercados. Ademais, constata-se que, apesar das informações serem transmitidas rapidamente entre os agentes das capitais da Região Sul, não se confirma a presença da Lei do Preço Único nestes mercados; ou seja, a transmissão dos preços da cesta básica não se dá completamente de uma cidade para outra.

Palavras-chave: Cesta básica; Cointegração; Transmissão de preços.

 

Estratégia de integração vertical versus terceirização: uma análise a partir do custo

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2012.668

Dyogo Felype Neis
Maurício Fernandes Pereira
Alexandre Marino Costa

 

Resumo

Esta pesquisa faz uma análise comparativa entre os custos da estratégia de integração vertical e da terceirização de uma operadora de plano de saúde. O referencial teórico é relatado através de uma seção com conceitos de autores históricos e atuais, disponibilizando referências aos temas propostos. Foram utilizados métodos de custeio para identificar o custo unitário de cada paciente que permanece internado em uma determinada unidade própria de atendimento (integração vertical). A partir de dados extraídos do business intelligence da operadora de plano de saúde, identificou-se o custo unitário de cada paciente na rede prestadora (terceirização). Todavia, é importante ressaltar que o custo de manutenção dos serviços de internação da unidade própria de atendimento não implica, necessariamente, em lucro ou prejuízo para a organização. Dado que, uma vez que o cliente passa a utilizar os serviços próprios ao invés da rede prestadora, se torna possível diminuir os custos do seu processo produtivo, mesmo que o resultado do processo não consista em lucro. Neste contexto, torna-se oportuna a realização de uma análise quantitativa, ou seja, uma comparação entre os custos de produção por hierarquia e por mercado.

Palavras-chave: Estratégia; Integração vertical; Terceirização.

 

Uma análise de risco e retorno baseada no modelo de Fama e French para fundos de investimentos em ações brasileiros com gestão ativa no período de 2000 a 2011

DOI: http://dx.doi.org/10.11132/rea.2013.716

Ricardo Orso
Roberto Meurer

Resumo

O desenvolvimento dos modelos multifatoriais decorre de questões não solucionadas pelo Capital Asset Pricing Model (CAPM) para o retorno esperado de carteiras de investimentos. Neste trabalho, com base na metodologia de Fama e French (1993), é avaliado se a exposição à carteira de mercado de 109 fundos de investimentos em ações brasileiros com gestão ativa é captada pelos fatores de risco relacionados ao valor de mercado da empresa e à razão enterprise value/valor de mercado, e se a posição comprada nestes fatores compensa o retorno em excesso ajustado pelo risco. O período analisado é de fevereiro de 2000 a abril de 2011. A contribuição deste trabalho à literatura está na utilização de janelas móveis na estimação dos modelos e na utilização de um conceito de enterprise value que considera a dívida da empresa e o seu saldo de caixa. Os principais resultados apontam que o fator de risco relacionado ao valor de mercado da empresa tem poder explicativo na avaliação da exposição dos fundos de investimento analisados à carteira de mercado, ao contrário do fator de risco enterprise value/valor de mercado, que não foi estatisticamente significante. Observa-se uma relação inversa significativa entre a sensibilidade do retorno do fundo à carteira de mercado com a compra do fator de risco valor de mercado. A maior exposição à carteira de mercado não compensou o retorno ajustado pelo risco, pois fundos com menores betas obtiveram desempenho superior a alguns fundos do grupo com os maiores betas. O cenário macroeconômico afeta as decisões dos gestores sobre a exposição aos fatores de risco e o desempenho dos fundos, dependendo da amplitude dos efeitos dos fatores de risco sobre o mercado.

Palavras-chave: Beta; Fatores de risco; Fundos de ações.

voltar

Insper
linkedin facebook twitter youtube flickr

Insper

Rua Quatá, 300 - Vila Olímpia
- São Paulo/SP -
Brasil
| CEP: 04546-042
| Tel:
(11) 4504-2400

Webmail | Intranet Corporativa
Todos os direitos reservados

Mapa do site Notícias Acessibilidade Fale conosco