Imprensa | Marcos Lisboa: Esquerda à brasileira

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Fonte: Democracia Política – 9/7/2018

Cortina de fumaça disfarça discurso que defende velhos setores
A polarização usual contrapõe PSDB e PT como direita e esquerda. Não deveria. Na definição clássica de Norberto Bobbio, a direita aceita maior desigualdade para estimular o crescimento, enquanto a esquerda opta por maior equidade mesmo ao custo de menor renda.
Essa taxonomia permite diferenciar, por exemplo, os Estados Unidos, com menor gasto social e tributação, de países europeus, que, por outro lado, têm menor crescimento.
Nesses termos, tanto o PSDB quanto o PT são de esquerda. Ambos elevaram a carga tributária e os gastos sociais. O salário mínimo, por exemplo, cresceu cerca de 20% acima da inflação em cada mandato de FHC e pouco mais nos dois de Lula.
Mesmo na economia, a diferença foi menor do que a retórica sugere. Em ambos, havia o resquício da tese cepalina de que o Estado deve proteger e conceder benefícios a empresas que produzam localmente para estimular o crescimento.
Esse argumento, porém, nada tem de esquerda, afinal significa transferir recursos para as empresas, além de tornar mais caros os bens domésticos. Não deveria surpreender que a desigualdade fosse maior no período mais fechado da economia, entre 1970 e 1990.
A divergência entre os economistas decorre sobre a extensão e a forma da intervenção estatal para promover o crescimento.
Alguns acham que a política econômica deve enfatizar a regulação e o estímulo à concorrência. As medidas de proteção deveriam ser adotadas apenas nos setores com evidência robusta de potencial competitivo, com o país se beneficiando das trocas com outras economias.
Outros, por sua vez, acham que a simples concessão de subsídios e a proteção contra a concorrência levam ao aumento da produtividade e ao crescimento, e o país deveria produzir domesticamente tudo o que fosse possível. Essa foi a nossa escolha de política econômica até os anos 1980.
A grave crise, porém, levou a uma mudança de rumo. O país estabilizou a economia, fortaleceu as agências de Estado e abriu a economia à concorrência externa.
Durou pouco. Depois de uma década de normalidade econômica e queda da desigualdade, optamos, a partir de 2009, pelo resgate do velho desenvolvimentismo. O resultado foi o imenso desperdício de recursos públicos em empresas que se revelaram insustentáveis em meio a uma economia mais fechada e menos produtiva.
Em vez de debater as evidências sobre as escolhas da última década, muitos dos seus defensores preferem denunciar a divergência como entreguista e contrária à redução da desigualdade.
A cortina de fumaça disfarça de esquerda o discurso que defende os velhos setores e cartórios dependentes de favores oficiais para pagar as suas contas.

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