Imprensa | Dívida líquida total dispara 5,8 pontos percentuais no ano, para 52% do PIB

Insper
Insper Instituto de Ensino e Pesquisa
Fonte: DCI Online – 3/9/2018

Endividamento bruto do governo geral (DBGG) aumentou 3 pontos percentuais, de 74% do PIB em dezembro de 2017 para 77% do PIB em julho de 2018, e atingiu o volume de R$ 5,186 trilhões.

A dívida líquida total do setor público (federal, estaduais, municipais e estatais) do País disparou 5,8 pontos percentuais neste ano, de 46,2% do Produto Interno Bruto (PIB) em dezembro de 2017 para 52% do PIB em julho de 2018.

Ao passo que no mesmo período de sete meses, a dívida bruta do governo geral (DBGG) avançou 3 pontos percentuais, de 74% do PIB para 77% do PIB, o equivalente a R$ 5,186 trilhões.

Na avaliação de especialistas em contas públicas consultados pelo DCI, a situação fiscal do País é especialmente complicada porque a economia brasileira está crescendo num ritmo muito lento.

“É uma história de déficits públicos elevados e por um longo tempo. A deterioração fiscal começou na gestão Dilma Rousseff (2011-2016), e o governo Temer (2016-2018) não se impôs como deveria”, avaliou o consultor da Fundação Instituto de Administração (FIA), Raul Velloso.

Para explicar a contradição da dívida líquida estar crescendo num ritmo mais rápido (5,8 pontos do PIB) que o da dívida bruta (3 pontos), a professora de economia do Insper, Juliana Inhasz, afirmou que o Tesouro e o Banco Central (BC) estão administrando a expansão com as ferramentas disponíveis.

Dito de outra forma é como se os administradores da dívida estivessem “enxugando gelo”, usando receitas extraordinárias como a devolução de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) para abatimento da dívida bruta. “Quando a dívida líquida cresce é sinal de que o País está ficando cada vez mais endividado”, avalia a professora do Insper.

De acordo com os dados divulgados pelo Banco Central (BC) na última sexta-feira, o principal fator para o aumento do endividamento está relacionado a rolagem da dívida e dos juros, que não foram cobertos por superávits. Nos últimos 12 meses até julho, os juros nominais somaram R$ 394,5 bilhões ou 5,86% do PIB. Em sete meses de 2018, os juros acumulados somam R$ 228,73 bilhões, ou 3,4% do PIB.

Outro fator que mudou a participação da dívida líquida se deu nos créditos concedidos do governo para instituições financeiras. No período de sete meses, o volume de créditos do governo junto ao BNDES recuou em 1,5 ponto percentual do PIB ou R$ 66,5 bilhões, de R$ 429,658 bilhões em dezembro (6,9% do PIB), para o valor de R$ 363,092 bilhões em julho passado (5,4% do PIB).

Para rolar a dívida crescente para o futuro e cumprir “a regra de ouro” das contas públicas, ou seja, não emitir dívida para pagar despesas correntes como aposentadorias e salários, o relacionamento entre o Tesouro e o BC está cada vez mais intenso. “Joga-se dinheiro para um lado, e joga-se o dinheiro para o outro lado para contornar uma parte da pressão”, observa a professora.

De fato, com a valorização dos US$ 379,44 bilhões em reservas cambiais (equivalentes a R$ 1,408 trilhão em julho) e o recebimento de juros em swaps cambiais, o Banco Central transfere o lucro obtido dessas operações para a conta única do Tesouro, caixa que honra títulos em vencimento. Mas, ao mesmo tempo, o próprio BC possui R$ 1,754 trilhão em títulos mobiliários do governo em sua carteira.

E, na outra ponta, para enxugar a liquidez do mercado financeiro, o Banco Central trabalha com operações compromissadas (overnight). Em dezembro de 2017, essas operações somavam R$ 1,047 trilhão (16,7% do PIB), e se expandiram em R$ 134 bilhões ou 0,8 ponto percentual até julho para um total de R$ 1,181 trilhão (17,5% do PIB).

Situação nos Estados

Para complicar ainda mais a situação fiscal, a dívida dos governos estaduais com os bancos aumentou de R$ 134,483 bilhões em dezembro (2,1% do PIB) para R$ 145,20 bilhões em julho de 2018 (2,2% do PIB), uma expansão de R$ 10,7 bilhões ou 0,1 ponto percentual no PIB. E a dívida externa das estatais estaduais cresceu 27,3% para R$ 14,213 bilhões, por causa da valorização da moeda americana no período.

“A situação nos estados é ainda pior que a da União, que possui instrumentos para administrar o passivo. A arrecadação dos estados é baseada no ICMS [Imposto sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços], que decorre da atividade econômica. Se o PIB estivesse crescendo mais, a situação estaria melhor”, afirmou o professor de macroeconomia do Ibmec, André Diz.

Para o professor de pós-graduação em finanças e investimento da Pontifícia Universidade Católica (PUC-RS), Alfredo Meneghetti, o problema dos estados também é agravado pela falta de um pacto federativo. “Os estados estão perdendo receitas sobre os recursos disponíveis. Os municípios avançaram no percentual das receitas, os estados, não.”

voltar

Finanças para Executivos

Avalie o impacto de suas decisões nos resultados financeiros da empresa.
Inscreva-se!

Experiência Insper

Estudar no Insper é uma experiência que vai muito além da sala de aula.

Centro de Empreendedorismo
Núcleo de Carreiras
Alumni

Insper
linkedin facebook twitter youtube flickr

Insper

Rua Quatá, 300 - Vila Olímpia
- São Paulo/SP -
Brasil
| CEP: 04546-042
| Tel:
(11) 4504-2400

Webmail | Intranet Corporativa
Todos os direitos reservados

Mapa do site Notícias Acessibilidade Fale conosco