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Engenharia requer profissionais com novas habilidades

O surgimento de novas tecnologias traz mais automatização para os processos nas empresas, especialmente na indústria. Internet das coisas, computação em nuvem e Big Data são alguns desses conceitos que chegaram ao mercado na última década e que têm impactado, inclusive, no perfil do profissional, chamado agora de engenheiro 4.0.

“Esse ambiente é bastante avançado e complexo, exigindo do profissional análise e tomada de decisão sobre diversos aspectos, como demanda, estoque e flexibilização de produção. É necessário que os engenheiros estejam preparados para esses desafios”, pontua Frederico Barbieri, coordenador da Engenharia Mecânica do Insper.

Multidisciplinaridade e interdisciplinaridade são as palavras que definem esse novo perfil profissional e os estudantes da área devem estar atentos a essas características. Levantamento do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) prevê uma carência de mão-de-obra nesse campo de atuação até 2020 e o estudo aponta que a escassez não será na formação e, sim, na qualificação.

“O engenheiro precisa ter a habilidade de enxergar o mundo sob múltiplas perspectivas, que vão desde a sociocultural, político-legal, ética, ambiental até a econômica”, completa Barbieri.

Na parte técnica, a digitalização vai muito além do desenvolvimento de máquinas inteligentes e um dos desafios é entender os dados: o que significam, como devem ser armazenados e processados, como podem ser usados e como transformá-los em informações úteis para tomada de decisões.

“É preciso compreender o presente para atender as futuras demandas, com uma visão estratégica e evolutiva da tecnologia. O engenheiro não pode se limitar, tem de entender se o que está gerando para a sociedade é positivo”, afirma Fábio Miranda, coordenador da Engenharia de Computação do Insper.

Miranda descreve que há um horizonte colossal na Engenharia, diante dessas novas tecnologias. O ponto inicial dessa transformação é o próprio engenheiro, que deve sempre pensar na melhor maneira de se fazer algo.

“Ele precisa ter sensibilidade e empatia com o usuário de seu produto para que atenda demandas reais, aliadas às escolhas técnicas assertivas. Não há solução pronta”, argumenta Vinícius Licks, coordenador da Engenharia Mecatrônica do Insper.

Licks atua há 18 anos nesse mercado e explica que os fundamentos são os mesmos, o que muda é a aplicabilidade. Além do conhecimento técnico e prático, o engenheiro 4.0 deve ter habilidades empreendedoras, relacionamento interpessoal e aprender a aprender.

“O profissional deve desenvolver sua comunicação oral e escrita, saber trabalhar em equipe, ter a capacidade de observar e estar aberto para novos conhecimentos, afinal, o papel da Engenharia é transformar o mundo a sua volta”, finaliza Licks.

 

Como escolher seu sócio para empreendedor

“Começar uma empresa com o meu melhor amigo? Na hora, eu soube que iria fazê-lo. Como eu poderia recusar?” Foi assim que Steve Wozniak decidiu aceitar a proposta de sociedade feita por Steve Jobs para criar a Apple, em 1976.

Capital inicial? Wozniak vendeu sua calculadora HP por 500 dólares enquanto Jobs vendeu o seu VW velho por 1,5 mil dólares. Jobs também propôs uma participação de 10% na Apple para Ron Wayne, um colega de trabalho seu na Atari. Wozniak e Jobs ficaram, cada um, com 45% da empresa.

Wozniak seria corresponsável pela engenharia elétrica junto com Jobs, que também assumiria a parte comercial, e Wayne seria responsável pela engenharia mecânica e documentação dos projetos.

Para qualquer empreendedor, fazer uma sociedade com um amigo ou colega de trabalho para começar um novo negócio é uma decisão super simples. Afinal, eles já se conhecem. Mas, como toda decisão na vida, ter ou não ter sócios traz consequências. Ao optar pela sociedade, o empreendedor terá que fazer algumas escolhas importantes: quem ele convidará para ser seu sócio? Qual será o papel de cada um na sociedade? Como dividir a participação na empresa?

Foram exatamente estas as primeiras decisões que os fundadores da Apple tiveram que tomar. Todas estas escolhas estão interligadas e afetarão, no longo prazo, a estabilidade da equipe de sócios fundadores, o valor da empresa e o controle sobre os rumos do empreendimento.

Claro, o empreendedor sempre poderá adiar estas decisões se optar pelo voo solo no início. Mas esta escolha também traz os seus próprios desafios. Sozinho, o empreendedor poderá não reunir todas as competências e conhecimento do mercado, rede de contatos e recursos necessários para começar a empresa. Ou ainda, poderá sentir falta do apoio emocional e psicológico que uma sociedade poderá lhe trazer.

Para decidir se faz sentido ou não ter um sócio, o empreendedor deverá avaliar o capital humano, social e financeiro necessários para colocar o negócio em funcionamento. Em seguida, comparar com as competências, o conhecimento do mercado, os contatos e recursos de que ele já dispõe.

A partir desta autoanálise, se ele identificar que muitas peças importantes do quebra-cabeça estão faltando, então valerá a pena ter um ou mais sócios com um perfil capaz de complementar as suas deficiências. Se apesar disto, ele decidir que quer mesmo é convidar o seu melhor amigo de escola para embarcar junto no seu sonho, pelo menos a decisão terá sido bem informada.

Curiosidade: se você nunca tinha ouvido falar da participação de Ron Wayne na formação inicial da Apple, existe uma boa razão para isso: 11 dias depois de topar entrar na sociedade, ele desistiu e vendeu para Jobs e Wozniak sua participação de 10% na Apple por 800 dólares à vista e 1.500 dólares em um cheque pré-datado.

Publicado no Exame.com  – 12/09/2014.