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Brasil precisa de 200 anos para alcançar meta de ter todos os jovens na escola

Evolução do país é lenta na direção da meta de universalização do atendimento escolar

Por que os jovens abandonam a escola e não concluem o Ensino Médio? A evasão escolar custa ao país R$ 100 bilhões por ano, além de comprometer a vida dos jovens e de suas famílias. No ritmo atual de engajamento e redução da evasão, o Brasil precisará de 200 anos para alcançar a meta de 100% dos jovens em idade escolar na escola. Confira neste vídeo.

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Fonte: gesta.org.br

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Quais são os grandes desafios da Educação no Brasil?

Acesso à educação infantil de qualidade, jornada escolar adequada, tecnologia como ferramenta pedagógica para professores, método de ensino e motivação pessoal do aluno são aspectos que impactam na trajetória de um estudante. Entre ressalvas e complementos, os professores Ricardo Paes de Barros, titular da cátedra Instituto Ayrton Senna, e Sergio Firpo, titular da cátedra Instituto Unibanco, participaram de painéis de discussão do evento que apresentou os resultados do estudo “Fatores que influenciam o sucesso escolar na América Latina”, realizados no último dia 29 no Insper.

O estudo é uma análise feita pela consultoria McKinsey & Company a partir de microdados do exame internacional Pisa de 2015, que é organizado pela OCDE a cada três anos. Na última edição, mais de 72 países participaram do exame de aprendizagem.

Marcos Lisboa, presidente do Insper, fez a abertura do encontro, que contou com a participação de mais de 100 profissionais ligados direta e indiretamente à área da Educação de diferentes estados, como São Paulo, Minas Gerais e Pernambuco.

“A formação e o debate são fundamentais, principalmente neste momento de dificuldade que o país está passando. Estamos aqui para servir à Educação, formando as melhores pessoas”, destacou Lisboa.

Mentalidade

A mentalidade de crescimento e o sentimento de pertencimento são pontos importantes na Educação. Mas, o professor Ricardo Paes de Barros fez um alerta durante sua fala sobre o risco de superestimar essas atitudes e ter predições, indicando que é preciso avaliar os efeitos causais.

“Não há dúvidas que os programas socioemocionais têm impacto no aprendizado de matemática, por exemplo. É difícil identificar qual das 15 aptidões desenvolvidas durante um programa é responsável por esse aprendizado. Estamos exigindo das competências socioemocionais o que nunca exigimos da matemática, tentando saber o quanto a álgebra impactou o futuro das pessoas”, apontou.

Apesar da dificuldade em analisar essas competências isoladamente, o professor destacou que, juntas, essas aptidões podem influenciar a realidade de um estudante de baixa renda, dando a ele resiliência, flexibilidade e determinação para persistir em sua trajetória, apesar das adversidades.

“Esses fatores contribuem para que o aluno possa ter alto desempenho, mas também é preciso ter coerência em toda a formação, dentro e fora da sala de aula, e a desigualdade de oportunidade não pode existir”, afirmou o professor.

Tecnologia

Entre tantos questionamentos que surgiram no decorrer do evento, os participantes dos três painéis compartilharam experiências pessoais, apresentaram cases e provocaram a plateia com reflexões. A consultora educacional Ana Lúcia Gazzola foi uma das participantes que aflorou o debate sobre o uso da tecnologia no ambiente escolar.

“É preciso ter foco e prudência. Distribuir um tablet por aluno na escola não resolve, sem antes melhorarmos a monotonia que é o ensino médio no país. Não vamos ser uma Finlândia, sem antes ser um Brasil melhor”, defendeu.

No mesmo painel, o professor Sergio Firpo ponderou os prós e contras do uso da tecnologia nas salas de aula, explicando que escolhas devem ser feitas para essa adoção.

“Os recursos tecnológicos podem causar distração, tendo quer ter supervisão para serem utilizados nas escolas. Mas, a tecnologia também nos dá a oportunidade de fazermos experimentos em tempo real e rapidamente, além de favorecer o trabalho em equipe”, enfatizou.

O caminho defendido por grande parte dos profissionais presentes é repensar a cultura, o método e as ferramentas utilizadas em sala de aula para se alcançar a qualidade no ensino e diminuir a desigualdade educacional, que são os desafios atuais no país.

O evento foi fruto de uma parceria entre Insper, McKinsey & Company e Folha de S. Paulo.

 

Evasão escolar custa R$ 49 bilhões ao ano

Cerca de 20% dos brasileiros entre 15 e 17 anos não frequentam a escola. Essa evasão tem um custo social e privado de R$ 49 bilhões ao ano, valor que soa ainda mais alarmante diante do fato de o Brasil gastar R$ 50 bilhões ao ano com educação. Esses são alguns dos dados levantados pelo estudo Políticas públicas para a redução do abandono e da evasão escolar de jovens, coordenado por Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Insper. O estudo foi encomendado pela Fundação Brava, Insper, Instituto Unibanco e Instituto Ayrton Senna.

Paes de Barros apresentou a pesquisa e debateu sobre possíveis soluções para a melhoria da educação brasileira no seminário Todos na Escola: O Combate à Evasão e Abandono, realizado no Insper. Após sua apresentação, Antônio Neto, diretor institucional do Consed, e Haroldo Rocha, secretário de educação do Espírito Santo, comentaram o estudo.

Dissecando o estudo

Segundo Paes de Barros, três principais fatores levam os jovens a não frequentarem as escolas. Em primeiro lugar está uma série de situações que impede o aluno de estudar mesmo quando ele deseja. Entre elas destacam-se violência, gravidez e trabalho. O segundo fator diz respeito à falta de interesse dos estudantes pelo modelo de educação oferecido pelo governo. E, por último, aparece o desinteresse do jovem pelos estudos em geral.

Vale salientar, entretanto, que a evasão de jovens na escola não é uma característica restrita ao Brasil. “A média nacional é equivalente a de outros países da América do Sul e está até abaixo em âmbito global. A questão é que não estamos fazendo nada para reverter essa situação. Há 15 anos vivemos no mesmo patamar, algo atípico em outros países”, disse Barros.

Entre 2003 e 2013, o Brasil teve um progresso de apenas um ponto percentual. No mesmo período, o Chile cresceu 15 pontos. “Se mantivermos a velocidade da última década, serão necessários 150 anos para alcançarmos os chilenos”, afirmou o pesquisador. De acordo com o estudo, seria necessária uma velocidade 23 vezes maior para universalizar o acesso de jovens à escola em uma década.

Como contar com a velocidade é algo viável apenas no papel, Barros apontou cinco medidas necessárias para tentar reverter a situação. Primeiro é importante descobrir o engajamento do jovem com as atividades escolares. Depois, avaliar o que determina a evasão e a falta de interesse. Com isso, deve-se pesquisar sobre as práticas já existentes no Brasil. “Encontramos 124 projetos, mas não sabemos a eficácia de cada um”, contou.

Também é necessário avaliar quais metas são factíveis e quanto custaria implementá-las no país. Só então será seguro apontar políticas públicas para diminuir a evasão e o abandono de jovens nas escolas.

Assista na íntegra o seminário “Todos na Escola”:

Mais diálogo

Após a apresentação do estudo, uma roda de conversa foi aberta para discutir o protagonismo e engajamento do jovem nas atividades escolares. Pedro Strozenberg, pesquisador associado do Instituto de Estudos da Religião (Iser), Ricardo Henriques, superintendente executivo do Instituto Unibanco, e Anna Penido, diretora do Inspirare, foram os especialistas convidados para o bate-papo. O debate foi mediado por Mozart Neves, diretor de articulação e inovação do Instituto Ayrton Senna.

“O engajamento dos estudantes começou em 2013, quando a discussão sobre R$ 0,20 do transporte público rapidamente passou para questões de educação e se tornaram ainda mais fortes com as ocupações nas escolas”, explicou Anna. “Essa nova forma de participação está deixando os gestores completamente perdidos. Eles não sabem qual movimento fazer ou com quem devem falar. Por isso, é necessário estabelecer novas conversas.”

De acordo com Strozenberg, é necessário desenvolver uma nova cultura do diálogo. Hoje, os alunos não designam mais um representante e não acreditam no grêmio. Todos querem participar. “A discussão com vários jovens ao mesmo tempo é a fórmula que ainda não deciframos e que precisamos encontrar”, comentou. Anna concordou com o pesquisador. “Os estudantes de hoje são do tempo do coletivo, e não das hierarquias”, completou.

Henriques, porém, não vê com bons olhos essa cultura. Para ele, fica mais difícil propor um diálogo se não há uma pessoa para direcionar a conversa. “Os jovens acreditam que João ou Maria não os representam. Os 20 ou 30 querem sentar e discutir. Mas como devemos conduzir esse diálogo?”, questionou.

Apesar das divergências, todos os especialistas concordaram que não é possível tomar medidas antes de consultar os alunos. Afinal, eles são o centro do debate. “Não queremos que os jovens assumam nosso papel. Não estamos terceirizando nossa responsabilidade. Mas se não os escutarmos para ver se as propostas criadas fazem sentido, vamos acabar cometendo um erro”, afirmou Anna.

No final do evento, um workshop com as Secretarias de Educação dos Estados presentes na plateia foi realizado. A ideia era discutir mais sobre a evasão e medidas que poderiam ser adotadas. Mas Anna ressaltou: “minha sugestão é fazermos agora um workshop com os alunos para validarmos nossas propostas”.

A integração de sistemas de benefícios é a resposta para o desafio das reformas fiscal e social no mundo todo?

Brasil, Reino Unido, Estados Unidos, França, Alemanha. Tanto nas economias de alta como nas de média renda, os desafios das reformas fiscais têm as mesmas premissas. A avaliação é de Sir Richard William Blundell, especialista em Microeconomia Aplicada, diretor de Pesquisas do Institute for Fiscal Studies e professor emérito da cátedra David Ricardo da University College London (UCL). Pesquisador mais citado por artigos acadêmicos na área de Economia no mundo todo em 2014, quando recebeu o título de cavaleiro na lista de Honras de 2014 por serviços prestados à Economia e Ciências Sociais, Blundell foi o palestrante convidado do Insper no Seminário Internacional Reformas Fiscal e Social, promovido pelo Centro de Políticas Públicas (CPP), no dia 21 de novembro.

O encontro reuniu o presidente do Conselho Deliberativo do Insper, Cláudio Haddad, o presidente da instituição, Marcos Lisboa, e Ricardo Paes de Barros, economista-chefe do Instituto Ayrton Senna e professor titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Insper, em uma análise de premissas, experiências e caminhos possíveis a partir da palestra Empirical Evidence and Tax Reform: Lessons from the Mirrless Review.

O desafio

Expoente internacional em Economia, Blundell fez uma análise comparativa entre os sistemas fiscais e de benefícios utilizados em diversos países, com base no relatório do Mirrlees Review. Produzido por um grupo de pesquisadores e especialistas internacionais, o documento identifica as características de um bom sistema fiscal para qualquer economia aberta, avalia em que medida o sistema fiscal do Reino Unido está em conformidade com essas ideias e recomenda como os países podem implementar reformas bem-sucedidas.

“O Mirrelees Review não foi destinado a países como Brasil ou México. O relatório foi destinado a países de alta renda, mas o sistema fiscal brasileiro não é muito diferente”, avaliou o economista que está conduzindo uma versão do Mirrlees Review para países de média renda.

O principal desafio nas estruturas fiscais e de benefícios é a falta de um sistema integrado que reúna benefícios sociais, impostos pessoais, previdência social e impostos corporativos em um único programa, na avaliação do economista. Na sua visão, os sistemas não são “isentos” como deveriam, uma vez que existem impostos indiretos e inconsistentes. Outro ponto de atenção, segundo o especialista, é que os impostos e benefícios sociais prejudicam incentivos de trabalho mais do que deveriam, impedindo o progresso.

Para Blundell, é necessário desenvolver uma base empírica para a concepção e realização de uma reforma fiscal. O pacote de reforma deve incluir premissas importantes, como alterações no imposto de renda; ampliação da base do Imposto sobre Valor Acrescentado (IVA), especialmente em serviços financeiros, alimentação e vestuário; captura de retornos e rendas em excesso; reavaliação dos fundos de pensões e previdência social, e alinhamento da taxa de impostos entre as fontes de renda.

“A integração dos sistemas de benefícios já foi implementado no Reino Unido. Conseguir essa integração é um grande avanço no pacote de uma reforma fiscal”, acredita Blundell.

Como construir uma agenda empírica?

Trabalhar com evidências é a melhor forma para garantir a assertividade, segundo Blundell. O economista destaca cinco ideias para definir uma metodologia.

A primeira é a análise descritiva dos principais aspectos do comportamento observado. Avaliar, por exemplo, onde podem haver pontos de variação nos dados, considerando uma média de 15 anos. “Esse é um ponto óbvio, mas demoramos a entender no início do nosso estudo. Não vale a pena começar por uma teoria fiscal ideal, e sim pelos pontos de variação. Se não há variação, há poucos pontos a serem ajustados e talvez a reforma não seja necessária”, justifica Blundell.

A avaliação de incentivos eficazes é outro ponto relevante. Ou seja, analisar como a política fiscal terá impacto sobre os incentivos dos principais atores sociais. Por exemplo, sobreposição de impostos, créditos fiscais e benefícios sociais.

Atenção para a informação e a complexidade. Isto é, como a reforma será entendia pelos diferentes agentes?

Análise microeconométrica, utilizando duas abordagens ecléticas: avaliações quase experimentais ou Ensaio de Controle Aleatório (RCT), e estimativa estrutural com base no retorno e dificuldades enfrentados pelo indivíduos e famílias.

O quinto aspecto é o entendimento dos ganhos para o redesenho eficiente da política fiscal, como incentivo para iniciar uma carreira profissional, mais incentivos para pessoas idosas, aumento da vida útil de trabalho, alinhamento das taxas de impostos com fontes de rendimento para tornar a tributação mais efetiva (por exemplo, dividendos e ganhos de capital).

O economista conclui sua análise recomendando que, uma vez apuradas as evidências, é preciso voltar aos aspectos iniciais do projeto da reforma e garantir que todos tenham sido devidamente acomodados.

Cenário brasileiro

O debate trouxe a análise de Blundell para a situação brasileira. O professor Ricardo Paes de Barros destacou que a falta de integração em um sistema único é o que impacta o Brasil. “Nosso país tem diversos programas extremamente generosos, mas cada um com interesses diferentes que, no final, não incentivam o progresso”, avalia.

O economista deu como exemplo o seguro-desemprego e o FGTS, sistemas que beneficiam a rotatividade de mão-de-obra. O Brasil tem um índice altíssimo de taxa de rotatividade – 63,7% em 2013. Indicador que impacta diretamente na produtividade. “Produtividade não é tudo, mas no longo prazo é quase tudo”, acredita. A taxa anual do crescimento da produtividade média do trabalho no Brasil, de 2001 a 2011, foi de pouco mais que 1%. Este número coloca o Brasil na posição de penúltimo país da América do Sul, atrás de países como Equador, Suriname, Paraguai e Bolívia.

Paes de Barros destacou ainda o abono salarial e o salário família, dois programas diferentes, concebidos para a população de baixa renda, pagos também de maneiras diferentes. Na avaliação do professor, os beneficiários desses programas não os percebem como incentivos, porque demoram muito para recebê-los. “O abono é pago 5 anos depois que o empregado comprova trabalho formal e o salário família, depois de 12 meses. Por que não os integrar?”, questionou. Para o economista, se tivermos regras claras de como o sistema funciona e soubermos integrar os vários programas de maneira inteligente, certamente haverá o apoio político e o consequente desenvolvimento do país.

Acesse as apresentações do evento:

O evento foi transmitido na íntegra pelo Live Stream. E pode ser conferido no vídeo abaixo:

Brasil deve apostar em produtividade para diminuir a pobreza

Para identificar os principais problemas enfrentados pelo Brasil e apresentar os desafios para o desenvolvimento do país, o Banco Mundial fez um diagnóstico que estudou o cenário dos últimos 15 anos. Sob o título Retomando o caminho para a inclusão, o crescimento e a sustentabilidade, o documento foi divulgado pela instituição no dia 24 de maio de 2016, no auditório Steffi e Max Perlman, do Insper.

Vale ressaltar que o relatório tem como foco a população pobre, que compreende 40% dos brasileiros, e tem o objetivo de trazer um entendimento sobre quais são os principais problemas do país. O Banco Mundial coloca-se à disposição para apresentar os dados aos líderes de forma imparcial e sem trazer recomendações ou soluções, que, na visão deles, está sob responsabilidade do governo.

Cenário brasileiro

“Se o Brasil quiser diminuir a pobreza e promover a igualdade, ele deve prestar atenção em três pontos expostos pelo diagnóstico”, afirmou o especialista em setor público do Banco Mundial, Roland Clarke, que apresentou o relatório durante o evento.

O primeiro item é que o país precisa criar novos postos de trabalho e aumentar a sua produtividade, em comparação com países desenvolvidos e alguns emergentes os trabalhadores brasileiros produzem pouco.

O segundo é que o Brasil deve fornecer os recursos públicos para quem precisa de fato – os 40% da população mais pobres, como citado acima – já que boa parte é gasta com um segmento da sociedade que não tem necessidades sociais prementes.

Por fim, é necessário ter a consciência de que a nação tem grande potencial numa estratégia green growth,  que promove o crescimento econômico e desenvolvimento do país enquanto preserva recursos naturais para que eles continuem sendo fornecidos para a população.

Ao deixar os três fatores de lado, o documento apontou que o Brasil também precisa focar em cinco desafios para ter um melhor desenvolvimento. São eles:

1) incrementar a concorrência de mercado, abrindo sua economia;
2) reparar as distorções do setor financeiro, sobretudo as intervenções dos bancos públicos;
3) organizar a insustentável situação fiscal que provoca um preocupante crescimento da dívida pública;
4) enfrentar os problemas de governabilidade e fragmentação política que impossibilitam a melhorias do ambiente de negócios;
5) reduzir as deficiências na gestão dos recursos naturais brasileiros e baixa resiliência contra riscos climáticos.

“Ao analisar os últimos 15 anos, podemos identificar muitos problemas. Porém, também vemos um desenvolvimento do Brasil. Ele tem evoluído e passado por um período bom em comparação aos outros países da América Latina. Na verdade, o Brasil está relativamente bem e só perde em duas áreas: saneamento e violência”, afirmou Clarke. O problema é que, ao ser colocado lado a lado com o resto do mundo, o cenário brasileiro não está tão favorável assim.

Escala global

Em relação ao crescimento de produtividade, o Brasil é um dos países com a menor taxa no mundo. Entre 2000 e 2013, o PIB agregado por trabalhador cresceu 1,3% ao ano. O índice é baixo e coloca a nação atrás de Colômbia, Tailândia e Turquia. Além disso, há uma disparidade entre a produtividade e a oferta de empregos. Por exemplo, enquanto no setor de agricultura a produtividade cresceu 105,6%, o emprego teve queda de -19,6%. Já na indústria, os empregos aumentaram em 50,8%. A produtividade, caiu5,5%.

Outro ponto controverso é o setor público brasileiro. Embora tenha papel importante na economia nacional (aproximadamente 40% de gastos do PIB), ele não é tão eficiente quanto deveria ser. “O Brasil possui um setor público parecido com os das economias mais ricas, porém, ele não apresenta a mesma qualidade e eficiência em seus serviços”, ressaltou Clarke. “A questão não é que o Brasil não tem um bom suporte. O problema é que temos instituições que não atendem as demandas corretamente”.

Falando ainda sobre os gastos públicos, é necessário melhorar a eficiência na distribuição -. Segundo dados coletados pelo Banco Mundial em 2014, o Brasil, um país de população jovem, separa 28,9% para a previdência. A saúde recebe13,9a educação 12,9% (tirando o ensino superior), no entanto, é notório que os serviços prestados nessas áreas está aquém do desejado. Os 44,3% restantes são difundidos entre os demais gastos primários, como segurança, transporte, trabalho, entre outros.

Vale ressaltar também que, ao comparar o Brasil com os outros países do mundo, a nação ganha o título de uma das mais violentas e desiguais do planeta. Isso porque a cada 100 mil pessoas, 26,5 são vítimas de homicídio intencional. Já a desigualdade abrange 52% da população. O país está atrás apenas da Colômbia e África do Sul em ambos os quesitos.

Em debate

Após a apresentação do relatório, o Insper organizou um debate para discutir os problemas apontados pelo documento. Além de Roland Clarke, participaram da conversa Martin Raiser, diretor do Banco Mundial para o Brasil, Marcos Lisboa, diretor presidente do Insper e Ricardo Paes de Barros, professor titular da Cátedra Instituto Ayrton Senna no Insper.

Tendo como mediadora Paula Miraglia, Diretora Executiva do jornal Nexo, cada participante teve 10 minutos para expor seu ponto de vista e em seguida foram abertas às perguntas da plateia.

Ao levantar a questão sobre a violência no país, Lisboa relembrou que esse problema já foi mais grave e é possível revertê-lo. “A minha geração viu um Brasil em que a cada seis jovens cariocas, dois estavam mortos antes dos 20 anos. Ainda é um país muito violento, mas a escala era maior anteriormente”, revelou.

Com relação ao relatório em si, Paes de Barros apontou que faltou cobrir uma questão delicada, mas importante: a privatização de empresas estatais e dos serviços públicos. “Ter serviços produzidos pelo setor privado, não quer dizer que eles precisam ser pagos. Na Holanda, toda escola é privada, embora ninguém pague pela educação”, comentou. “Seria bem melhor se a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo, em vez de tomar conta de 200 mil professores, pudesse regular um sistema que tivesse diversas instituições privadas que em conjunto tivessem 200 mil educadores”.

Por fim, Raiser ressaltou os problemas de produtividade. Ele afirmou que apenas haverá crescimento se a questão estiver intrinsecamente ligada à redução sustentável da pobreza. “O Brasil tem feito muitos esforços para aumentar investimentos na produtividade, mas não consegue ter sucesso nessa área. Era necessário ter uma análise aprofundada desse cenário. E foi isso o que tentamos entregar”, disse.

Para conferir o relatório completo preparado pelo Banco Mundial, clique aqui

Assista ao vídeo do evento na íntegra: