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Práticas Operacionais e o Desempenho: Uma Análise Empírica de Empresas Paulistas

Pesquisa do Insper e FGV não encontra vínculo entre práticas operacionais e vantagem competitiva


Um estudo realizado pelos pesquisadores André Luís Duarte, do Insper, Luiz Carlos Di Serio e Luiz Artur Ledur Brito (ambos da EAESP/FGV) não detectou relação entre algumas das principais práticas operacionais – TQM (total quality manegement), JIT (just in time) e as certificações ISO – e vantagem competitiva das empresas mensurada através da performance financeira (lucratividade e taxa de crescimento). “Essas práticas podem proporcionar apenas vantagens temporárias. A relação entre elas e medidas efetivas de desempenho financeiro, como lucratividade e taxa de crescimento da receita, não existe, ou então, é muito baixa”, afirmou Duarte.

Ele acrescentou que as práticas, em si, são mecanismos para melhoria da performance operacional da empresa, porém, não trazem vantagem competitiva no longo prazo, uma vez que a concorrência também passa a adotar as mesmas práticas muito rapidamente. “Não basta ter a prática adotada, é preciso considerar a maneira como elas são implantadas e geridas. O modelo de implantação é que pode trazer alguma vantagem,” disse o pesquisador do Insper.

O estudo, que durou 12 meses, usou uma base de dados da Pesquisa da Atividade Econômica Paulista (PAEP), conduzida pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (SEADE). A amostragem analisada envolveu 1200 empresas, de 14 setores industriais, sediadas no estado de São Paulo. A pesquisa priorizou práticas operacionais consideradas de interesse para a estratégia de operações das empresas.

ESTRATÉGIA DUVIDOSA – A pesquisa encontrou, ainda, relação negativa entre as duas medidas de performance financeira – lucro e crescimento – e o nível de terceirização. “Em longo prazo, a terceirização mostrou efeitos negativos, ou seja, as empresas que mais terceirizaram suas operações tiveram uma performance pior do que as que menos terceirizaram. Foram aquelas que terceirizaram operações sem pensar no longo prazo, e que focaram única e exclusivamente na redução de custos”, opinou o professor.

Para ele, muitas empresas adotaram a terceirização como um modismo na década de 1990, com um grande foco na redução dos custos fixos. Conforme a pesquisa, no médio ou longo prazo, algumas empresas voltaram atrás ao identificar que haviam terceirizado operações vitais para a organização. “Além disto, o processo de terceirização deve ser bem feito. É necessário uma análise completa dos diversos aspectos envolvidos no processo, como os jurídicos, humanos e culturais”, recomendou Duarte.

Leia pesquisa na íntegra.