Fóruns Estadão Brasil 2018 – Saúde

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Em 16/07, realizamos mais um evento de nossa parceria educacional com o jornal O Estado de S. Paulo. Nesta oportunidade o seminário do Fóruns Estadão Brasil 2018 debateu o tema Saúde.

O primeiro painel, que contou com a medição do Coordenador do Centro de Políticas Públicas do Insper, Naercio Menezes Filho, abordou o tema “Avanço no sistema público e os desafios dos próximos anos”. Naercio iniciou o debate apresentando as melhorias que o país obteve na área da saúde desde 1988. Em destaque, ele citou a criação do SUS – Sistema Único de Saúde, que proporcionou maior acesso da população carente a exames e procedimentos, queda na mortalidade infantil, mas também levantou os desafios, como a dificuldade de implementação do próprio SUS e a ineficiência quanto ao gasto relacionado ao atendimento e tratamento dos pacientes. Este painel também contou com a presença de André Medici, economista do Banco Mundial e autor do blog Monitor da Saúde e Gonzalo Vecina Neto, Superintendente Corporativo do Hospital Sírio-Libanês. Para Médici, apesar do incremento de 47% na verba destinada a saúde pública, entre 2000 e 2010, o valor ainda é insuficiente, fazendo com que a população desaprove o serviço. Médici elencou motivos para este descontentamento como a demora no atendimento, baixo investimento em infraestrutura e equipamentos, falta de acesso a medicamentos, envelhecimento da população, entre outras dificuldades. Quanto a falta de recursos, o especialista citou a emenda 29, que assegurava recursos mínimos para o financiamento de ações e serviços públicos de saúde, mas que ainda funciona de maneira provisória a partir de uma nova regulamentação. O Brasil de distingue pela maior participação do setor privado nos gastos de saúde, nos países desenvolvidos cabe ao governo a maior fatia dos investimentos, ao todo a saúde representa 9% do PIB brasileiro. Já para Gonzalo, os problemas do setor são em grande parte decorrentes do baixo nível de coordenação da saúde pública e suplementar, essa integração é uma oportunidade de vencer os obstáculos citados no debate. A gestão se torna ainda mais complexa com a divisão de recursos e responsabilidades entre as esferas federal, estadual e municipal. Ele também trouxe em sua fala alguns desafios para melhoria no setor, com destaque para mudança no modelo de gestão focado na eficiência, sugerindo as parcerias público-privadas como uma estratégia que pode dar resultado, políticas industriais mais claras e assertivas que tragam investimentos visam o fomento de tecnologia aplicada à saúde e incentivo à pesquisa. Finalmente, Gonzalo apontou a necessidade de priorizarmos a promoção da saúde, evitando internações e casos recorrentes, a saúde também deve ser gerida a partir de um acompanhamento perene e não tratar os pacientes episodicamente. Ele ainda ressaltou que o Brasil tem um quadro insuficiente de médicos.

Assista ao vídeo completo do 1º painel.

O segundo painel, que tratou da “Saúde Privada e Desafios da Regulamentação nos Planos de Saúde” começou com fala da Profª. Monica Viegas Andrade, especialista em Economia da Saúde e Líder do Grupo de Estudos em Economia da Saúde e Criminalidade do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), que defendeu a lógica de um sistema universal, que reúna o melhor do público e do privado. Monica levantou que os atuais três pilares de concentração da regulamentação (registro de produtos, reajuste de preços e sustentabilidade financeira) não permeiam os dois setores (privado e público) e que não temos mecanismos que garantam a eficiência, gerenciamento de cuidados e a redução de gastos. Este cenário é agravado quando se pensa sob a ótica da saúde suplementar, que apresenta despesa maior do que receita, o que coloca em cheque a sustentabilidade dos planos de saúde. Em seguida, o Dr. Reynaldo André Brandt, do Conselho Deliberativo e da Diretoria Executiva do Hospital Israelita Albert Einstein, apresentou os desafios que instituições privadas têm atualmente como a carência de inovação e falta de políticas justas de remuneração. Brandt defendeu que o foco do trabalho seja direcionado à prevenção, cuidados, reabilitação e reintegração social dos pacientes e levantou também importantes ações que precisam estar na agenda do setor: melhora na qualidade de ensino nas faculdades de medicina e mais investimento em infraestrutura e tecnologia da informação. Em seguida, os diretores-adjuntos da ANS, Agência Nacional de Saúde Suplementar, Leandro Fonseca e Cesar Serra trouxeram a visão da agência reguladora e apresentaram o cenário que influencia a vulnerabilidade de boa parte das operadoras, como a falta de limite financeiro para procedimentos, alta probabilidade de sinistralidade, ampliação de cobertura dos planos conforme novas tecnologias são incorporadas, baixas margens de retorno entre outros desafios. Neste painel foi ratificada a necessidade que o sistema público e privado trabalhem de maneira integrada e que a saúde seja dotada de uma visão mais crítica e menos ideológica. Alguns operadores privados, principalmente os principais hospitais dos grandes centros urbanos têm se destacado na incorporação de tecnologia e na gestão do corpo clínico, mas a realidade de muitos hospitais e de planos de saúde é a ineficiência operacional e a insolvência. Em específico em relação às operadoras, foi levantada a dificuldade de regulamentação da relação entre o seguro, o paciente e a precificação dos serviços.

 

Por fim, o terceiro painel apresentou os “Desafios demográficos e o novo contexto de saúde no Brasil” e contou com a presença de Cassio Maldonado Turra, pós-doutor em demografia pela Princeton University e Jouyce Schramm, pesquisadora da Fundação Oswaldo Cruz e especialista em Saúde Coletiva. A moderação foi feita por Kenya Noronha, pós-doutora pela Northwestern University, especialista em economia da saúde, que abriu a discussão apresentando as mudanças do perfil demográfico brasileiro, diretamente ligados a uma queda da mortalidade infantil e do aumento da taxa de fecundidade, mas trouxe uma importante questão para os colegas de painel dizendo que é necessário avaliar se os ganhos de longevidade estão traduzindo-se em aumento de anos de vida saudável. Para Cassio Turra, o fato de a população estar envelhecendo já traz, obrigatoriamente, aumento dos gastos no setor. Ele sugeriu também incentivo a pesquisas que apontem o histórico de saúde de pacientes, o que poderia estimular programas de prevenção garantindo que recursos sejam poupados e que a população tenha acesso a serviços mais eficazes, as hospitalizações extensas são custosas para o sistema e o paciente. Joyce Schramm, apresentou os principais dados coletados em sua pesquisa sobre carga de doença, avaliação de serviços e mortalidade materna e neonatal. Os panelistas concordam com o diagnóstico de falta de planejamento e de informações longitudinais dos pacientes, com a atual expectativa de um acelerado envelhecimento da população brasileira, a questão se torna ainda mais urgente.

Assista ao vídeo completo do 2º e 3º painel.

Como parte do projeto, o ‘Estadão’ lançou um caderno especial com toda a cobertura do evento acrescido de matérias e artigos exclusivos da edição impressa. As matérias podem ser lidas na íntegra nos links abaixo:

 

Melhorar gestão é meta para sistema de saúde

O desafio é integrar as duas redes

Ações ajudam a criar novas regras

Hospitais querem mudar a forma de cobrar por serviços

Médicos se concentram no Sul e no Sudeste

Saúde não é tratar apenas a doença

 

Assim como nos dois eventos da série que debateram respectivamente Educação e Segurança, o jornal também disponibilizou conteúdo adicional à versão impressa em uma página dedicada à cobertura deste evento e pode ser acessado neste link.

 

Promover o debate sobre temas relevantes para o desenvolvimento do país é nosso objetivo com esta parceria. Confira a agenda com os próximos eventos:

Programação dos eventos Brasil 2018 (09h – 13h):

Data Evento
05/08/2014 (terça-feira) Insper – Fóruns Estadão Brasil 2018 – Infraestrutura
28/08/2014 (quinta-feira) Insper – Fóruns Estadão Brasil 2018 – Meio-ambiente
18/09/2014 (quinta-feira) Insper – Fóruns Estadão Brasil 2018 – Agricultura

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Fóruns Estadão Brasil 2018

O Insper foi parceiro educacional do projeto que discutiu os principais temas para desenvolvimento do país. Saiba mais.

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