1º Fórum Insper de Políticas Públicas

Insper Instituto de Ensino e Pesquisa

Insper sedia fórum de debates sobre políticas públicas baseadas na ciência

Dezenas de convidados, entre pesquisadores, professores da rede pública e privada, estudantes, economistas e jornalistas, participaram do 1º Fórum Insper de Políticas Públicas, realizado na sede da instituição. A abertura foi feita pelo Presidente do Insper, Claudio Haddad, que atentou para a necessidade de ampliar o debate sobre políticas públicas no Brasil.  Haddad também comentou sobre a importância de formulá-las, bem como efetivá-las, com base em fatos, no conhecimento e na ciência. “É preciso alimentar esse debate, que hoje é restrito, para que as políticas sejam construídas em cima de evidências reais e saberes científicos”, disse.

Assista o vídeo com depoimentos do professores convidados do evento:

A Professora Regina Madalozzo, também do Insper, fez a abertura do primeiro painel, convidando Ernesto Schargrodsky, um dos maiores especialistas em criminalidade na América Latina e reitor da Universidade Torcuato di Tella, Buenos Aires, para apresentar os resultados dos seus últimos estudos. “A América Latina é uma das regiões do planeta que possuem os mais altos índices de criminalidade, perdendo apenas para a África Central. Honduras, Venezuela,  Jamaica e Colômbia estão entre os países mais violentos do mundo. Sabemos que esses índices preocupantes, são, ao mesmo tempo, causa e consequência do nosso subdesenvolvimento e que o crime continua sendo uma das principais preocupações dos latinos”, defendeu.

Ao longo da palestra, Ernesto tratou também dos impactos do crime sobre determinados setores da economia, como turismo e negócios; serviço militar obrigatório; prisões como escolas para o crime; eficiência do monitoramento eletrônico de sentenciados e estimativas de vitimização por classe social, todos na perspectiva da América Latina. O painel foi encerrado por mesa redonda composta pelo pesquisador, Leandro Piquet Carneiro (USP) e Denis Mizne (Fundação Lemann), que apresentaram suas visões sobre o tema.

O segundo painel foi mediado por Naercio Menezes Filho, professor do Insper e Coordenador do Centro de Políticas Públicas, realizador do evento. Dedicado à educação, o painel teve como destaque as abordagens de Flavio Cunha, da Universidade da Pensilvânia, Estados Unidos, sobre a importância de políticas efetivas voltadas para a formação na primeira infância (0 a 3 anos). Mencionando programas aplicados nos Estados Unidos, como Head Start e Perry Preschool Program, o pesquisador, que estudou e continua estudando o assunto em conjunto com James Heckman, Prêmio Nobel de Economia-2000, afirmou que a qualidade da escola deve ser garantida por uma equação que some currículo, pedagogia e interação constante professor X aluno, com expressivo nível de atenção conferido pelos docentes a cada criança.

Cunha argumentou também que a concepção de políticas para a área deve reconhecer que habilidades não relacionadas ao conhecimento propriamente dito, como empenho, motivação ou senso de responsabilidade, são componentes essenciais no desenvolvimento do capital humano. “Podemos afirmar que capital humano é algo muito maior do que as habilidades cognitivas. Ele é multidimensional. E que as defasagens nesse campo começam a se formar muito cedo na vida. Palavras de incentivo, proferidas pela mãe à criança pequena, influenciam, de modo expressivo, na formação das habilidades não-cognitivas”, revelou. A apresentação foi encerrada com participação de Francisco Soares (UFMG) e Fernando Veloso (IBRE-FGV).

Pela tarde, o Fórum prosseguiu centrando o debate em torno da macroeconomia internacional. Marcelo Moura, professor do Insper, abriu o último painel e convidou Eric Leeper, da Universidade de Indiana, para falar sobre política fiscal, política monetária e inflação nos países desenvolvidos em comparação com emergentes. O estudioso defendeu que o envelhecimento da população, fenômeno já consolidado no Japão, é o problema que ameaçará fortemente a economia americana em um nível muito mais temeroso que a dívida pública do país, de cerca de R$14 trilhões.

“A Córeia e o Reino Unido tem populações que estão envelhecendo também. Pelo menos em curto prazo, o Brasil não sofrerá estresse fiscal, mas é previsto um sério problema por volta de 2082 quando a população dependente da Previdência Social tenderá a aumentar e ser maioria”, previu. “O verdadeiro problema fiscal está no futuro”, reforçou. Tratando de taxas de desemprego, PIBs e juros mundiais, o economista disse, ainda, que há ligações intrínsecas entre a política monetária e fiscal e que elas não podem ser colocadas em ‘caixas separadas’, com cada uma delas demandando políticas dissociadas. “Veja o caso desastroso da União Europeia, que criou uma unidade político-monetária, mas não fiscal. A fonte da economia é simétrica”, frisou. O Fórum foi encerrado com mesa-redonda integrada por Samuel Pessoa (Tendências Consultoria) e Marcos Lisboa (Itaú-Unibanco).  Ao final de cada um dos painéis, a plateia pode participar com perguntas que acrescentaram novas reflexões aos temas centrais.

 

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