[{"jcr:title":"Núcleo de Estudos Raciais apresenta pesquisa sobre tecnologia e desigualdades raciais"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Núcleo de Estudos Raciais apresenta pesquisa sobre tecnologia e desigualdades raciais","jcr:description":"O estudo investiga as disparidades na educação básica relacionadas ao uso de computadores, internet e laboratórios e as diferenças no acesso ao ensino superior"},{"subtitle":"O estudo investiga as disparidades na educação básica relacionadas ao uso de computadores, internet e laboratórios e as diferenças no acesso ao ensino superior","author":"Ernesto Yoshida","title":"Núcleo de Estudos Raciais apresenta pesquisa sobre tecnologia e desigualdades raciais","content":"O estudo investiga as disparidades na educação básica relacionadas ao uso de computadores, internet e laboratórios e as diferenças no acesso ao ensino superior   Leandro Steiw   O [Núcleo de Estudos Raciais do Insper](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/nucleo-de-estudos-raciais/) (NERI) apresentou, no dia 18 de junho, a pesquisa “Tecnologia e Desigualdades Raciais no Brasil”, realizada em conjunto com o [Centro de Gestão e Políticas Públicas](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/) (CGPP) do Insper e com o apoio institucional da Fundação Telefônica Vivo. Assinado pelos economistas Alysson Portella, Michael França, Giovana C. Bigliazzi e Gabrielle Rebouças, o estudo investiga as desigualdades raciais na educação básica relacionadas ao acesso à tecnologia e as diferenças no acesso ao ensino superior. “Os resultados mostram mais uma camada na qual os negros tendem a estar em desvantagens em relação aos brancos”, diz Michael França, coordenador do núcleo. Da avaliação da presença de infraestrutura tecnológica adequada nas escolas e o seu uso pelos professores, os pesquisadores observaram que os alunos brancos têm maior acesso a computadores, internet e laboratórios de informática e ciências. Também foi medido o uso de internet, computador, projetor e softwares de ensino pelos professores. A diferença chega a 8 pontos percentuais em comparação aos estudantes pardos e 7 pontos percentuais aos pretos. No entanto, a desigualdade sobe a 24 pontos percentuais na relação entre o acesso de um aluno branco da rede privada da região Sul ao de um estudante preto da rede pública do Nordeste. A pesquisa também encontrou diferenças similares no índice de exposição à tecnologia. Entre os alunos do 9º ano do Ensino Fundamental das escolas públicas, as diferenças entre brancos e pretos são de 6 pontos percentuais — um pouco menor no Nordeste, com diferença de três pontos. A lacuna entre estudantes de escolas públicas e privadas na região, porém, chega a 25 pontos, considerando apenas os alunos brancos. A exposição à tecnologia está associada com notas maiores em matemática tanto entre os alunos do 5º e 9º anos do fundamental quanto entre os do 3º ano do médio, de acordo com o estudo. Alunos negros do 5º ano obtêm, em média, 14,5 pontos a menos em matemática no Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) quando comparados a estudantes brancos com o mesmo nível de exposição à tecnologia. “Esse resultado sugere que a exposição à tecnologia não é o fator determinante para explicar diferenças raciais de desempenho”, infere a pesquisa. Desde a implementação oficial da política de cotas no ensino superior, pela Lei 12.711/2012, aumentou o ingresso de pessoas negras às universidades. Mas cerca de 90% desse avanço foi impulsionado pelo aumento da participação dos alunos negros em instituições privadas. A participação de negros matriculados nos cursos de educação a distância (EaD) aumentou de 3% (2009) para 20% (2022). “Foi importante para reduzir a diferença de acesso ao ensino superior, mas a qualidade desses cursos também importa”, diz Michael França. Outro apontamento da pesquisa é que, embora haja um aumento geral na representação dos negros no ensino superior, a maior concentração está em cursos relacionados à saúde e serviços ou humanidades e ciências sociais, com menor presença nos cursos de ciências naturais e tecnologia. A disparidade racial no acesso aos cursos universitários é uma informação que ajuda a explicar as desigualdades de remuneração entre pessoas brancas e negras no Brasil.   Recomendações O documento do NERI faz ainda cinco recomendações para políticas públicas de redução das desigualdades: 1) Fortalecer políticas em nível federal e direcionar recursos financeiros de forma a reduzir disparidades entre regiões mais pobres e mais ricas do Brasil; 2) Realizar um acompanhamento continuado do acesso e uso da tecnologia na educação básica e seu impacto no desempenho; 3) Realizar um investimento consistente na infraestrutura das escolas e desenvolver uma estratégia permanente de estímulo e fortalecimento da transformação digital na gestão pública de educação e nas práticas pedagógicas; 4) Garantir a sustentabilidade da expansão do ensino privado e educação a distância e assegurar que a qualidade dos cursos seja tão boa quanto a dos presenciais; e 5) Exigir um percentual mínimo de alunos ou bolsistas negros em cada curso de ensino superior para condicionar o acesso a subsídios governamentais e programas de fomento. Os pesquisadores entendem que, além de ter potencial para aproximar e transformar o cenário educacional, a tecnologia pode ser um instrumento catalisador de desigualdades de aprendizagem se não for integrada ao ensino de maneira adequada e equitativa. Outros estudos do NERI mostram como as diferenças raciais na educação têm reflexos profundos nas oportunidades do mercado de trabalho para esses jovens.   Participantes do evento de lançamento do estudo no Insper  "}]