[{"jcr:title":"IA, ESG e as transformações no mundo dos produtos para um futuro mais sustentável e ético"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"IA, ESG e as transformações no mundo dos produtos para um futuro mais sustentável e ético","jcr:description":"Os professores Alex Bottene, Fabrício Barth e Vinícius Picanço falaram sobre como a inteligência artificial pode revolucionar a indústria se alinhadas a boas práticas ambientais, sociais e de governança"},{"subtitle":"Os professores Alex Bottene, Fabrício Barth e Vinícius Picanço falaram sobre como a inteligência artificial pode revolucionar a indústria se alinhadas a boas práticas ambientais, sociais e de governança","author":"Ernesto Yoshida","title":"IA, ESG e as transformações no mundo dos produtos para um futuro mais sustentável e ético","content":"Os professores Alex Bottene, Fabrício Barth e Vinícius Picanço falaram sobre como a inteligência artificial pode revolucionar a indústria se alinhadas a boas práticas ambientais, sociais e de governança   Leandro Steiw   O potencial da inteligência artificial (IA) para revolucionar o processo de criação de produtos foi o tem da masterclass [“IA, ESG e as Transformações no Mundo dos Produtos”](https://www.youtube.com/watch?v=i4yeB4REGuc) , realizada no dia 22 de maio, no Insper. Participaram do evento o engenheiro Alex Bottene, coordenador do [Programa Avançado de Transformação Digital](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-transformacao-digital/) do Insper; o cientista da computação Fabrício Barth, professor do curso de [Ciência da Computação](https://www.insper.edu.br/graduacao/ciencia-da-computacao/) ; e o engenheiro Vinícius Picanço, professor do [Programa Avançado em Sustentabilidade e ESG](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-sustentabilidade-e-esg/) . As oportunidades da IA se associam às práticas ambientais, sociais e de governança (ESG) para um futuro empresarial mais sustentável e ético. “É um processo consumidor que está se acelerando, mas que impõe para a sociedade uma série de outros dilemas”, afirmou André Lahóz, diretor de marketing e conhecimento do Insper e mediador da masterclass. O vigor da IA é reconhecido na geração de textos, imagens e vídeos por ferramentas como ChatGPT e Midjourney. Mas existe outra camada de aplicações que as pessoas não percebem e que impactam o mundo dos produtos e processos em escritórios e fábricas. São softwares que precisam tomar decisões de forma automática, sem intervenção humana, e que dependem da IA. Segundo Barth, são aplicações que afetam indiretamente as pessoas físicas, de maneira bastante considerável. “A base de tudo isso são os dados”, disse Barth. “À medida que lança um produto, você também está capturando dados daquele uso. E esses dados retroalimentam a evolução do produto. Por isso muita gente fala que inteligência artificial é revolucionária no desenvolvimento de produtos.” O processo de desenvolvimento dos chamados dispositivos e eletrodomésticos smarts, cada vez mais presentes no cotidiano, não é mais complexo do que há 30 anos em produtos com eletrônica embarcada. “A questão é que a tecnologia evoluiu e você tem essas ferramentas de acesso à internet para embutir nos produtos e buscar e trazer informação”, afirmou Bottene. “Um novo produto pode acessar a IA e dar uma interação totalmente diferente para quem vai usá-lo, transmitindo experiências diferentes. Essa é a camada invisível da tecnologia. Você pode estar usando coisas novas das quais participou da criação sem nem saber ou estar de acordo com as condições sem ter as lido completamente.” Picanço citou o que vai além da invisibilidade das aplicações que não tocam os consumidores e consumidoras. Cada produto, não necessariamente digital, tem uma cadeia conectada de empresas de matéria-prima, manufatura, distribuição e varejo que se alinharam para levar aquele produto até o consumidor. “É uma complexidade absurda, com algumas cadeias globais que passam por 12 fusos horários ou 20 idiomas, regidos por normas diferentes”, disse Picanço. “Com o avanço tecnológico, os produtos vão ficando complexos também, ainda mais comparados com outros de 10, 15 ou 20 anos atrás. A IA ajuda a tomar melhores decisões, para que esses produtos cheguem não só melhores, mas também que cheguem às pessoas que necessitam.” O contexto não é puramente consumista. Para Picanço, as soluções baseadas em IA podem colaborar para o enorme desafio das mudanças climáticas, por exemplo. “Não é uma organização ou governo que vai resolver esse desafio, mas uma ação coletiva num nível talvez jamais antes visto”, afirmou. “Isso também pressupõe uma análise de dados e uma necessidade de pensar diferente. No mundo da sustentabilidade, a IA tem impactado a forma como lidamos com os grandes desafios, como a perda de biodiversidade e a questão da pobreza e desigualdade. Acumulamos anos e anos de dados e experiências boas e ruins de coisas que funcionam e não funcionam. Longe de dizer que a IA por si só vai resolver essas questões, mas será uma grande ajuda.” O grande dilema da IA é o viés indesejado que pode estar embutido nos produtos: discriminação de raça, gênero, orientação sexual e condição social, entre outros. Há técnicas que permitem identificar esses vieses, mas o primeiro cuidado do programador deve ser desenvolver soluções sem o comportamento indesejado, na opinião de Barth. Como tudo que é novo, há muito a aprender ainda. Bottene complementou: “Acho que o maior risco é delegar à IA total julgamento e força para que ela resolva todos os problemas”. Diante das incertezas, o fato é que a IA já é realidade no setor de manufatura e quebra algumas barreiras relacionadas ao processo tradicional de decisão realizado em todas as criações de produtos, observou Bottene. Entregando a análise dos dados para as máquinas, as pessoas serão menos requisitadas a participar da sequência minuciosa de decisões e poderão se dedicar mais ao pensamento estratégico. Picanço mencionou como a experiência de economia circular avançou desde o começo dos anos 2010, então direcionada por governos e organizações do terceiro setor da Europa. “O Brasil e a manufatura foram entrando nesse contexto, e hoje temos bons casos globais no país de ecossistemas de economia circular que são muito interessantes, que vão além da reciclagem”, disse Picanço. “A remanufatura é um oceano a ser explorado no Brasil. É quando um produto manufaturado é reintroduzido na etapa de manufatura para sofrer atualizações e modificações que criam uma nova vida para ele. Trabalho com as cadeias de alimentos, em particular no tema de proteínas alternativas à proteína animal. O Brasil está bem posicionado nessa agenda de tentar entender como combinar novos ingredientes. E a IA tem buscado transformar o desenvolvimento de produtos na indústria alimentícia.” Segundo Barth, outras soluções no setor agrícola incluem o reconhecimento de ervas daninhas em plantações a partir de imagens coletadas por drones: “Para identificar qualquer anomalia na plantação, você tira fotos da região, e o software classifica automaticamente. Vale também para a otimização de insumos. Tudo isso tem a ver com dados”. Esses processos não substituem o produtor rural, que continuará ligado ao seu território e dotado de maior precisão de informações, e são capazes de gerar benefícios econômicos e ambientais que se espraiam na redução da emissão de gás carbônico e, consequentemente, no potencial de aquecimento global, opinou Bottene.   Consumo de energia Os bilhões de dólares investidos pelas big techs em ferramentas generativas de texto e imagem pressupõe que, por enquanto, não há limites ao desenvolvimento da IA. “O interessante é que, ao mesmo tempo em que se gasta muita energia elétrica para desenvolver esses produtos e soluções, é essa tecnologia que permite a otimização de energia elétrica em data centers”, afirmou Barth. Na mesma linha de raciocínio, Bottene explicou que o aumento de potencial gerado pela IA faz com que um produto consuma menos energia durante o seu tempo de vida em relação aos das gerações anteriores. O consumo energético é uma conta complexa que estimula duas questões. “A pergunta é menos se o ChatGPT gasta muita energia e mais se estamos investindo direito na transição energética, justamente para fazer com que o impacto do uso da energia elétrica, seja para qual for, seja minimizado”, disse Picanço. “Quando você pluga um carro elétrico para recarregar, o que está alimentando aquela tomada é uma energia de matriz suja? Como fica a conta global da história? Se dermos zoom só em uma parte específica da vida do produto, corremos o risco de tomar decisões subótimas. Decisões que vão resolver o problema, talvez, do meu dia, da minha hora e da minha semana, mas não o problema da década ou do século.” Bottene recorreu a uma analogia para exemplificar os impactos na indústria. “Um dos pilares da transformação da manufatura é ter a manufatura digital, da qual uma tecnologia bastante falada é a manufatura aditiva com impressão 3D”, afirmou. “É uma máquina que faz peças para ela mesma. A manufatura aditiva lançou esse conceito de reprodução de máquinas. Eu vejo na inteligência artificial algo nesse sentido assim também. Ela pode nos ajudar a resolver os problemas que ela mesmo está criando. Enquanto eu puder puxar a tomada da inteligência artificial, quem manda nela sou eu.” No universo das startups, as ferramentas de IA permitem começar um negócio com baixo investimento. “O software que antes tinha de ser comprado e o acesso a uma manufatura para fazer os primeiros testes estão servitizados, não é preciso comprar máquinas”, disse Bottene. “Conheço uma startup que nasceu no Insper, com três pessoas brilhantes que acharam uma oportunidade e estão usando as ferramentas tecnológicas para criar inovação o mais rápido possível. É um produto que já vai inteligente para a indústria manufatureira, que vai dar informação para o processo que antigamente dependia de experimentos e testes caros, feitos por pessoas de engenharia muito experientes.” Na graduação em Ciência da Computação do Insper, muito desse desembaraço vem da disciplina Artificial Inteligence Startup, ministrada no quinto semestre. O objetivo é fazer os alunos pensarem em um problema, montarem uma equipe, proporem uma solução baseada em tecnologia de IA e, enfim, criarem uma startup de verdade. Os resultados costumam surpreender. “Se você tem um pessoal que sabe desenvolver o software e olhar para o problema e pensar na solução com carinho e cuidado, a parte do desenvolvimento é rápida”, disse Barth. Desafios semelhantes são levados aos participantes do [Programas Avançados em Transformação Digital](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-transformacao-digital/) e do [Programa Avançado em Sustentabilidade e ESG](https://www.insper.edu.br/pos-graduacao/programas-avancados/programa-avancado-em-sustentabilidade-e-esg/) do Insper."}]