[{"jcr:title":"“Escolhi ser professora antes de ser economista”"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"“Escolhi ser professora antes de ser economista”","jcr:description":"A trajetória profissional de Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia do Insper"},{"subtitle":"A trajetória profissional de Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia do Insper","author":"Ernesto Yoshida","title":"“Escolhi ser professora antes de ser economista”","content":"A trajetória profissional de Juliana Inhasz, coordenadora do curso de graduação em Economia do Insper   Filha de um marceneiro e de uma professora de matemática, a paulistana Juliana Inhasz sempre teve afinidade com números. Inicialmente, pensou em seguir os passos da mãe e se tornar professora de matemática, mas a vivência da hiperinflação nos anos 1990 a despertou para a importância da economia. “Ver os efeitos da inflação na minha própria realidade me fez perceber que a economia poderia ser uma forma de unir minha afinidade com números e o desejo de fazer algo que impactasse positivamente a vida das pessoas”, diz Juliana, que é graduada em Economia pela Universidade de São Paulo (2005). Depois, fez o mestrado em Economia de Empresas na Fundação Getulio Vargas (2009) e o doutorado em Teoria Econômica, novamente na USP (2013). Professora no Insper desde 2009, Juliana se especializou em macroeconomia, com ênfase em temas como Economia do Setor Público, Finanças Públicas e Dívida Pública. Em 2019, assumiu a coordenação do curso de graduação em Economia do Insper. Atualmente, leciona na graduação a disciplina [Problemas em Economia](https://www.insper.edu.br/pee/) (PEE), que frequentemente envolvem a formulação de políticas econômicas. Também dá aulas na pós-graduação e em programas de educação executiva, como no curso [Economia para Não Economistas](https://www.insper.edu.br/educacao-executiva/cursos-de-curta-duracao/politicas-publicas/economia-para-nao-economistas/) . A seguir, conheça mais sobre a trajetória da professora Juliana Inhasz:   A escolha da carreira Meu pai (Luiz) trabalhou a vida toda como marceneiro, enquanto minha mãe (Marta) era professora de matemática em escolas de ensino fundamental e médio. Ou seja, nunca tive contato com economistas na família. Minha escolha por essa área se deveu a dois motivos principais. Primeiro, sempre tive afinidade com matemática e áreas quantitativas. Em certo momento, até pensei em seguir os passos da minha mãe e ser professora de matemática. Eu sempre gostei de ensinar. Na verdade, escolhi ser professora antes de ser economista. Em segundo lugar, me lembro bem da época da hiperinflação, nos anos 1990. Minha família, de classe média baixa, passou por momentos difíceis. Me lembro de ir ao supermercado bem cedo com minha avó para comprar produtos antes que os preços fossem remarcados. Foi nessa época que comecei a entender o que era economia. Ver os efeitos da inflação na minha própria realidade me fez perceber que a economia poderia ser uma forma de unir minha afinidade com números e o desejo de fazer algo que impactasse positivamente a vida das pessoas.   Momento de indecisão Meu pai tinha uma loja de móveis e enfrentou sérias dificuldades quando o fluxo de clientes diminuiu por causa das obras do metrô. As vendas despencaram. Tenho uma irmã gêmea, e nós duas fazíamos o cursinho pré-vestibular em uma situação econômica difícil. Meus pais pagavam o cursinho do jeito que podiam. Temos um irmão mais velho, também economista, que na época já trabalhava e ajudava nas despesas. Foi uma época difícil para minha família. No cursinho, aprendi coisas que nunca tinha visto na escola pública em que estudei na Freguesia do Ó. Por exemplo, quase não tive aulas de História e as de Física eram bem básicas. Quando entrei no cursinho, fui apresentada a conteúdos totalmente novos. Eu me apaixonei por genética e fiquei tentada a escolher outra área que não economia. Mas como havia feito o cursinho na turma de humanas, decidi seguir nessa direção. Depois de um ano de cursinho, fui aprovada na USP. Passei em Economia e senti uma grande responsabilidade. Pensava que, se não gostasse do curso, teria que admitir e buscar outro caminho. Porém, para minha surpresa, na terceira semana de aula eu já tinha certeza de que estava no lugar certo.   A paixão por ensinar Desde o início da graduação, eu já pensava em fazer o mestrado, porque meu objetivo sempre foi dar aulas. Depois, quando entrei no mestrado, decidi fazer o doutorado. Tive uma breve experiência de trabalho no mercado financeiro, trabalhando no Banco Votorantim, mas nunca deixei de lado a academia. No fundo, eu sabia que minha verdadeira felicidade estava na sala de aula. Acho que ensinar é algo verdadeiramente mágico. Poder fazer parte do processo de aprendizado de outras pessoas é um privilégio. Para mim, é um ato generoso compartilhar conhecimento porque, quando estou na sala de aula, estou dando o meu melhor para que meus alunos possam ir além do que eu fui. Acho que parte desse encantamento pela docência vem da admiração que tenho pela minha mãe. As vezes que a vi dando aula, achei fascinante a forma como explicava e como os alunos entendiam. Tento replicar esse modelo que, para mim, é a mais elevada referência profissional na área.   O ingresso no Insper Desde os meus 13 ou 14 anos, eu já dava aulas particulares, principalmente de matemática, mas também de física e português. Eu era uma aluna aplicada, então os professores às vezes me indicavam para dar aulas particulares. Lecionei em diversas instituições de ensino, mas meu primeiro emprego formal como professora foi no Insper, em 2009. Na época, a escola oferecia uma vaga de monitoria para um cursinho preparatório para o exame da Anpec [prova nacional que serve de porta de entrada para mestrados acadêmicos de Economia no Brasil]. Decidi enviar meu currículo, expressando interesse pela vaga. Quando me chamaram para a entrevista, explicaram que a vaga era para macroeconomia, pois a vaga de microeconomia já estava preenchida. Aceitei mesmo sem ter experiência em macroeconomia, pois meu objetivo era ensinar. Acabou dando certo e fui contratada para dar aulas de macroeconomia. Fiquei cinco anos como monitora antes de assumir turmas como professora de fato. Quando entrei no Insper, eu gostava mais de microeconomia. Afinal, eu achava que era a parte em que mais  utilizava matemática, com muitas derivadas e cálculos. No entanto, ao longo do tempo, aprendi a apreciar mais a macroeconomia. Hoje o que mais me atrai é falar sobre conjuntura econômica, política econômica e seus impactos. Além de lecionar na graduação, continuo dando aulas no cursinho preparatório para a prova da Anpec, onde iniciei minha carreira. Nesse cursinho, ensino macroeconomia. No mestrado, especificamente, ministro a disciplina de macroeconometria, que é a aplicação da econometria a problemas macroeconômicos. Também leciono em programas de educação executiva, como no curso [Economia para Não Economistas](https://www.insper.edu.br/educacao-executiva/cursos-de-curta-duracao/politicas-publicas/economia-para-nao-economistas/) .   Problemas em Economia e políticas públicas Na graduação, leciono uma disciplina chamada [Problemas em Economia](https://www.insper.edu.br/pee/) (PEE), que tem um caráter abrangente. Nessa disciplina, que faz parte do sexto semestre, os alunos precisam identificar e resolver problemas em diversas áreas da economia, como macroeconomia, microeconomia, econometria e estatística, entre outras. Os alunos trabalham em grupos de quatro a cinco colegas. Eles escolhem um tema e desenvolvem uma metodologia de pesquisa para abordar essa questão. Isso envolve definir o banco de dados, compreender a teoria subjacente, selecionar as técnicas de econometria apropriadas e desenvolver programas para analisar os resultados. O objetivo final é resolver um problema ou propor uma possível solução. Com frequência, os Problemas em Economia envolvem políticas públicas. Por exemplo, atualmente tenho um projeto de alunos que estão estudando se o aumento do número de carros elétricos realmente reduz a poluição em determinados ambientes ou regiões. Isso pode levar à necessidade de implementar políticas públicas para incentivar esse tipo de consumo e, assim, reduzir o impacto ambiental negativo. Além disso, já tivemos projetos sobre educação e saúde mental, que também podem resultar em recomendações de políticas.   Os diferenciais do curso do Insper O curso de Economia do Insper é conhecido por sua abordagem voltada para a resolução de problemas, com forte conexão com a área de tecnologia. Nossa visão da economia é mais prática e aplicada, com foco em resolver questões do cotidiano das pessoas e da sociedade. Esse é um grande diferencial em relação aos cursos mais tradicionais, que tendem a ser mais teóricos. Enxergamos a economia como uma ferramenta para resolver desafios do mundo real, não como um fim em si mesma. Atualmente, estamos em um processo de revisão abrangente do currículo com o objetivo de intensificar a integração da tecnologia ao curso. Queremos tornar o currículo mais orgânico e eficaz na formação de profissionais que serão muito demandados no futuro. A ideia é proporcionar uma formação mais prática e voltada para gestão e liderança, aproveitando a crescente influência da tecnologia nos cursos.   Campo de trabalho Hoje em dia, a formação do economista inclui habilidades sólidas em áreas como matemática, computação e programação, permitindo que trabalhemos em pé de igualdade com outras profissões quantitativas, mas com uma vantagem: além de lidar com aspectos quantitativos, também consideramos escolhas que são mais contextualizadas e baseadas em um pensamento crítico, priorizando o que é mais relevante em determinado contexto. Isso ampliou significativamente as oportunidades de trabalho para os economistas. Agora podemos atuar em diversas áreas, como governo, indústria, comércio, terceiro setor e até mesmo como cientistas de dados, analisando grandes conjuntos de dados e propondo soluções para questões econômicas e políticas. Essa diversificação de campos de atuação é muito maior do que era há alguns anos, oferecendo aos economistas uma gama mais ampla de opções de carreira.   Atuação como comentarista Sempre quis ser professora e nunca passou pela minha cabeça trabalhar em TV. Mas, por volta de 2011 ou 2012, dei aulas em um curso de economia para não economistas na Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas), e entre os alunos havia muitos jornalistas. Foi assim que acabei sendo convidada para ser fonte de uma entrevista na TV. Confesso que a primeira vez foi assustadora, não me senti confortável. Eu me sentia envergonhada com tanta exposição, mas hoje vejo como uma oportunidade de conhecer diferentes pessoas e suas perspectivas, o que complementa minha carreira como professora. Atualmente tenho uma colaboração fixa na TV Cultura. Faço parte do time de comentaristas do Jornal da Cultura e participo do programa Giro Econômico uma vez por mês. Estou nas bancadas do jornal há um pouco mais de um ano. Para me preparar, geralmente uma hora e meia ou duas horas antes do programa, recebo uma visão geral das pautas que serão discutidas. O jornal é bastante eclético, abordando temas de economia, política, educação e relações internacionais, entre outros. Meu marido, Luiz Carlos, que é economista e doutor em Ciência Política, é uma grande ajuda nesse processo. Ele adora estudar e sempre reserva um tempo para revisar as pautas comigo, discutindo o que achamos e me ajudando a organizar meu pensamento.   Outros projetos Tenho planos de retomar minhas pesquisas. Desde que assumi a coordenação da graduação, tive menos tempo para isso, mas quero voltar a me dedicar à pesquisa acadêmica. Além disso, tenho em mente publicar dois livros: um sobre macroeconomia para concursos, incluindo o exame da Anpec, uma área carente de materiais específicos em língua portuguesa, e outro sobre macroeconometria com linguagem Python, uma abordagem que considero inovadora e útil. Além dos projetos profissionais, tenho interesse pessoal em retomar a escrita. Sempre gostei de escrever poesias e tenho várias delas publicadas em antologias de diferentes editoras, porém nunca lancei um livro só meu. Talvez eu seja um pouco tímida para isso, mas quero voltar a escrever, pois isso me faz sentir bem."}]