[{"jcr:title":"Uma história de pioneirismo: Enedina Alves Marques é tema de exposição em Curitiba"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Uma história de pioneirismo: Enedina Alves Marques é tema de exposição em Curitiba","jcr:description":"Mostra destaca a trajetória da primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil"},{"subtitle":"Mostra destaca a trajetória da primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil","author":"Ernesto Yoshida","title":"Uma história de pioneirismo: Enedina Alves Marques é tema de exposição em Curitiba","content":"Mostra destaca a trajetória da primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil Bruna Arruda (à direita) com Lizete Marques, sobrinha de Enedina Alves Marques   Michele Loureiro   O espaço da Casa Domingos Nascimento Sobrinho, sede do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional no Paraná (Iphan-PR), em Curitiba, inaugurou uma exposição em homenagem a Enedina Alves Marques, primeira mulher negra a se formar engenheira no Brasil. A professora Bruna Arruda, embaixadora da Comissão de Diversidade, Equidade e Inclusão do Insper, participou da abertura do evento, em 8 de março. “A exposição é importante na preservação da memória de Enedina Marques, essa mulher potente. Também é fundamental para valorizar a cultura brasileira negra e ajudar na luta contra o racismo. O projeto resgata a trajetória dela ao contar sua história desde a infância e faz com que a comunidade negra se fortaleça ao gerar senso de empoderamento e pertencimento”, diz a professora Bruna. A curitibana Enedina passou sua infância no local de realização da mostra, onde vivia com a mãe, que era empregada doméstica do major Domingos e da família Nascimento. Eles foram incentivadores dos estudos e acompanharam toda a trajetória de Enedina, que teve início na década de 1920. “Já no primeiro dia de aula na turma de Engenharia Civil na Universidade Federal do Paraná, ela foi hostilizada pelos outros alunos, todos homens. Mesmo assim, foi em frente e mostrou sua capacidade e resiliência, que é retratada na exposição”, conta a professora Bruna. A primeira engenheira negra do Brasil foi responsável pela construção de usinas e prédios importantes, tendo como seu maior feito a Usina Capivari-Cachoeira, construída no município paranaense de Antonina. Na abertura da exposição, a Casa Domingos Nascimento Sobrinho reuniu pessoas da família de Enedina e coletivos que trabalham para incentivar meninas e mulheres em carreiras de tecnologia. “Minha fala foi sobre o cenário atual. Para se ter uma ideia, apenas 37% dos profissionais formados em engenharia no Brasil são mulheres. Não há estatística de mulheres negras, o que evidencia a invisibilidade do tema”, afirma a professora Bruna. Para ela, a exposição é um resgate de outras mulheres negras que foram importantes para a história do Brasil para que elas não sejam mais apagadas. “Desde a infância, as meninas não são estimuladas. Já começa pela seção de brinquedos, onde no corredor das meninas temos máquina de lavar, panela, maquiagem. Para os meninos, jogos sobre bancos e construção”, diz a docente. “Em um recorte mais próximo, as meninas negras em cenário de vulnerabilidade social têm um contexto ainda mais crítico e acham que engenharia não é para elas. Afinal, a sociedade diz que não é para elas.”   Discussão sobre racismo A exposição também coloca os holofotes em um assunto muito importante e atemporal. “A gente só consegue combater o racismo quando a gente sabe o que é racismo, pois não se combate o que não se conhece. Então, essa exposição é importante na agenda de diversidade para a conscientização sobre as questões raciais e mostra como um país que viveu sob a escravidão deixou impacto na vida das pessoas negras.” Primeira mulher a ser mestra em Engenharia Mecânica na Universidade Estadual de Maringá, a professora Bruna reconhece o poder do exemplo. “Tenho muita conexão com Enedina e sei como é desafiador abrir caminhos. Trabalho para que muitas mulheres sejam potencializadas e possam trabalhar nas áreas que elas quiserem”, diz. “É o momento de nos inspirarmos em histórias como as de Enedina para conquistar espaços.” SERVIÇO Exposição:   Enedina Alves Marques Quando:  até 5 de julho de 2024 Horário:   segunda a sexta-feira, das 9h às 18h, exceto feriados.   Local:   Casa Domingos Nascimento Sobrinho – I phan   (rua José de Alencar, 1.808, Juvevê – Curitiba).   Informações:  Tel. (41) 3264-7971    "}]