[{"jcr:title":"Vão Livre do Masp representa oportunidade de uso democrático da metrópole"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Vão Livre do Masp representa oportunidade de uso democrático da metrópole","jcr:description":"Primeiros resultados da cooperação entre o Museu de Arte de São Paulo e o Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper apontam para novo aproveitamento do icônico espaço de 3.500 metros quadrados"},{"subtitle":"Primeiros resultados da cooperação entre o Museu de Arte de São Paulo e o Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper apontam para novo aproveitamento do icônico espaço de 3.500 metros quadrados","author":"Ernesto Yoshida","title":"Vão Livre do Masp representa oportunidade de uso democrático da metrópole","content":"Primeiros resultados da cooperação entre o Museu de Arte de São Paulo e o Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper apontam para novo aproveitamento do icônico espaço de 3.500 metros quadrados   Tiago Cordeiro   Codesenhar os espaços livres das cidades para transformá-los em lugares de equidade, vida pública, acessibilidade e habitabilidade. Essa abordagem é conhecida como placemaking , um conceito que vem sendo difundido nas últimas seis décadas, em pontos distintos do planeta, inspirado em teorias da ativista norte-americana Jane Jacobs (1916-2006), da organização Project for Public Spaces (Nova York) e do escritório Gehl Architects (Copenhague). Ele se baseia num método de mapeamento de atores, coleta de microdados em escala local, conceitualização e, sobretudo, na testagem com a finalidade de aprimoramento de propostas de intervenção específicas, em um modelo de governança comunitária. Para o [Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper](https://www.insper.edu.br/laboratorio-de-cidades/) , o placemaking representa um caminho eficiente para a aplicação da ciência, o uso de dados e de práticas transversais entre diferentes setores do conhecimento com o propósito de promover  impacto positivo para os moradores de uma metrópole como a capital paulista,  nos mais variados aspectos de seu cotidiano — como saúde, habitação, arte, sustentabilidade e economia. Foi com essa perspectiva que o Insper propôs ao Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (Masp) uma parceria com o objetivo de integrar cultura e convívio social. Os primeiros resultados desse projeto, centrado no Vão Livre do museu, foram apresentados no último dia 5 de setembro, na sede da instituição, na Avenida Paulista.   Conversa prática “A iniciativa surgiu em função do momento de expansão vivido pelo Masp”, afirma Tania Haddad, integrante do Conselho Deliberativo do Insper e líder da iniciativa. “A pesquisa de campo superou minhas expectativas. Fiquei comovida com a paixão e a dedicação dos alunos e de todos os envolvidos. Diante da ciência, da ética, do compromisso com os dados, fiquei bem impressionada. Foi um aprendizado de vida”. Os resultados, ela avalia, confirmam que a multidisciplinaridade é uma marca do Insper. “A missão da escola é transformar o Brasil em um polo de ensino e pesquisa. É um enorme diferencial a escola ser integrada; ela foi idealizada assim.” Conduzida por [Laura Janka Zires](https://www.linkedin.com/in/ACoAAAX-4mwBOpJYWDiGr8GId7d6y4tTZhO5zx8) , coordenadora do Núcleo Arquitetura e Cidade do Laboratório, a pesquisa conta com a participação de alunas e alunos das Engenharias, da Ciência da Computação, do Direito e da pós-graduação em Urbanismo Social do Insper. Trata-se de uma experiência única para o intercâmbio de saberes e para aplicação do conhecimento adquirido em sala de aula na “vida como ela é” da cidade. A análise do uso do espaço acontece em paralelo com a escuta de stakeholders , do levantamento das condições físicas e do desenho baseado em evidências. Em síntese, o projeto propõe uma conversa prática entre instituições que permite aproximar o ensino da cultura e a cultura da academia, como fonte para o aprimoramento da a gestão do museu em sua relação com o entorno. “O Placemaking Masp é uma pesquisa aplicada, em andamento desde maio, em que se perguntam quais são os condicionantes — físicos, espaciais, sociais, culturais, econômicos e jurídicos — das relações estabelecidas entre os espaços livres do Masp e seu entorno para o fornecimento de  subsídios destinados à elaboração de uma estratégia de governança e ativação cultural do icônico Vão Livre do Museu”, [afirma a professora](https://www.insper.edu.br/noticias/foco-na-qualidade-e-no-uso-coletivo-dos-espacos-publicos/) . A proposta é tornar o espaço uma “sala aberta” para a cidade. Do ponto de vista acadêmico, a intenção é incentivar a aprendizagem baseada em projetos, numa metodologia transdisciplinar e colaborativa que estimule o envolvimento dos alunos nos problemas da realidade concreta da metrópole — levando-os a enxergar a cidade como campo de estudo e entendimento da sociedade. Em paralelo, o Placemaking Masp contribui para posicionar o Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper como referência em projetos dessa natureza.   Resultados relevantes O trabalho de campo apresentado no início de setembro partiu da definição de 12 pontos de observação e coleta de dados das atividades de permanência e mobilidade no entorno do Masp. Foram conduzidas aproximadamente 300 entrevistas com pessoas que passam pela região e realizados levantamentos de usos e das condições físicas do entorno. O cronograma de trabalho foi realizado no período de férias escolares, com os alunos da graduação totalizando 512 horas de trabalhos de campo. “Sabemos que mais do 70% das pessoas usuárias da praça do Vão Livre são visitantes do Masp, e que esse número cresce 50% nas terças-feiras, o dia de livre acesso ao museu”, aponta Janka. O levantamento também atestou a falta de diversidade na ocupação do espaço. Do total de pessoas observadas, 45% são mulheres, 33% são negras, 9% são idosos e apenas 3% são crianças. Entre os ouvidos, 31% gostariam de ver opções de comida, 26% desejam atividades culturais e 23% pleiteiam lugares de sombra no entorno. A pesquisa deixou claro também que os pedestres sofrem com a falta de espaço e com o desenho inadequado de segurança viária e acessibilidade universal. Foi percebido e comprovou-se a necessidade ainda de uma política efetiva de cuidado do espaço como lugar de encontro. Os resultados do trabalho indicam que os dias de maior ocupação são as terças-feiras, em função das filas para acessar o museu, e os domingos, dia em que a Avenida Paulista vira uma rua aberta, com mais de 4.000 pessoas transitando por segundo nela e em que há no Vão Livre uma feira de antiguidades. Aos sábados, no entanto, há baixíssimo uso do espaço, com apenas 9 pessoas observadas em alguns horários. A situação torna-se ainda mais relevante durante a noite, quando a presença de mulheres é de 38%, muito abaixo de sua representatividade na população. Há uma correlação entre a falta de oferta de usos capazes de atrair pessoas diversas, assim como das condições físicas necessárias, como luminárias e ambientes para estar e conversar. Na opinião da maioria dos estudantes que têm participado da pesquisa o projeto é um meio de conhecimento da cidade, de coleta de dados nos espaços urbano, de visualização desses dados e de trabalho em equipe. Os números que eles coletaram trazem evidências que permitem estudar melhor como o Vão e os espaços livres ao redor do Masp dialogam com a capital paulista e, em especial, identificar oportunidades de desenho para uma requalificação mais inclusiva, acessível e habitável. Como indica Laura Janka, “para uma praça de 3.500 metros quadrados com tamanho valor simbólico e urbanístico para São Paulo, há uma oportunidade de pensarmos um desenho baseado na escuta das pessoas e em evidências para transformar o Vão Livre do Masp em um lugar de uso mais democrático e diversificado da cidade”.  "}]