[{"jcr:title":"Gestão de tecnologia: aplicações legados e desacoplamento digital"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Gestão de tecnologia: aplicações legados e desacoplamento digital","jcr:description":"Como contornar as dificuldades de integração de sistemas — com maior flexibilidade e agilidade — em empresas que buscam a transformação digital"},{"subtitle":"Como contornar as dificuldades de integração de sistemas — com maior flexibilidade e agilidade — em empresas que buscam a transformação digital","author":"Ernesto Yoshida","title":"Gestão de tecnologia: aplicações legados e desacoplamento digital","content":"Como contornar as dificuldades de integração de sistemas — com maior flexibilidade e agilidade — em empresas que buscam a transformação digital   Rafael de Almeida Pereira*   A tão propagada transformação digital consolidou-se como uma realidade nos ambientes de TI das empresas, independentemente de seu tamanho ou segmento. Um movimento global em busca do Santo Graal da reinterpretação digital das cadeias de valor dos negócios. A abordagem “digital first”. A adoção massiva de tecnologias digitais como a computação em nuvem, IoT, analytics, mobilidade e segurança para inovar ou modernizar todos os componentes da cadeia de valor dos negócios. No cenário interno das organizações, esse aporte massivo de tecnologia tem se apresentado desafiador em várias dimensões. Uma delas, cuja importância vem aumentando recentemente, diz respeito ao acoplamento desse novo universo tecnológico ao cenário existente de tecnologia das organizações. O impacto desse acoplamento pode variar em função do segmento de atuação da empresa e de sua estratégia passada de gestão de tecnologia. Reduzir esse impacto tornou-se recentemente uma das prioridades dos CIOs e dos demais protagonistas da transformação digital das organizações. No primeiro trimestre de 2023, foi divulgada uma [pesquisa](https://solutions.insight.com/Resources/Featured-Items/Where-Leaders-Stand-in-2023?utm_source=State-of-Innovation-2023) contratada pela Foundry (empresa do grupo IDG) e realizada pela Insight com 400 CIOs e diretores de TI de empresas americanas. O levantamento confirmou a relevância do atrito de acoplamento entre as novas tecnologias e a plataforma tecnológica existente nas organizações. De acordo com a pesquisa, 47% dos entrevistados afirmam que a tecnologia em si é o maior desafio para a implementação da transformação digital. Entre os desafios que a tecnologia apresenta, a dívida técnica é o obstáculo que mais se destaca na evolução dos resultados da pesquisa. Neste ano, foi apontada como a terceira maior barreira ao progresso da inovação nas empresas — em 2022, era apenas a sexta colocada. A dívida técnica citada na pesquisa não está relacionada com o conceito clássico proposto por Martin Fowler. É descrita como todo o conjunto de aplicações e processos departamentais implantados em tecnologias antigas, com foco transacional, responsáveis pelo “processamento” das informações digitais que modelam a cadeia de valor dos negócios. O “atrito de acoplamento” acontece quando novos produtos digitais necessitam interagir com os ambientes transacionais, cuja tecnologia apresenta limitações técnicas relevantes. Um exemplo seria um algoritmo baseado em sensores IoT e analytics, que conseguisse antecipar em 10 minutos uma falha na linha de produção: essa antecipação deveria chegar ao sistema ERP em tempo hábil para reprocessamento, minimizando os prejuízos da falha iminente. Agora, se o ERP gasta 20 minutos para reprocessar, a chance de essa antecipação gerar algum valor ao negócio é inexistente. E mais: mesmo que o reprocessamento fosse imediato, se a integração entre eles fosse realizada uma vez ao dia, de nada adiantaria. O caminho natural seria, então, a atualização do sistema ERP, em geral com valores elevados e um alto risco, o que necessita de um período maior de planejamento e implementação. E, na velocidade atual dos negócios e da inovação, não há como aguardar essa atualização. Dessa forma, esse novo sistema é implementado (pois seu ganho potencial é relevante), porém, em sua construção, essa restrição de integração é levada em conta.Ou seja, cria-se uma condição de contorno digital que viabiliza a captura de parte do ganho do novo sistema, acoplando-o parcialmente ao sistema legado. A grande demanda por inovação faz com que vários desses novos produtos digitais sejam construídos de forma descentralizada dentro da cadeia de valor do negócio e, para cada atrito de acoplamento que surge, uma nova condição de contorno específica é implementada. O resultado, na linha do tempo, é que os sistemas “legado” acabam por se tornar “fornecedores” e/ou “consumidores” dos novos sistemas digitais, o que os torna praticamente insubstituíveis na organização. Se, por sua natureza e complexidade, já eram de difícil substituição, agora acoplados de forma específica a cada uma das novas aplicações já desenvolvidas, uma eventual substituição irá requerer atualizações e testes em todos esses novos sistemas. Atualizações e testes significam custos, tempo e riscos… Agora se materializa, em todo o seu esplendor, a dívida técnica. Como toda boa dívida, é responsável pela baixa qualidade do sono de todos os envolvidos.   Pulo do gato E qual seria o caminho a seguir? Um dos caminhos mais promissores une um conceito já bem conhecido na teoria de construção de software (a arquitetura de eventos) com algumas das novas tecnologias aqui mencionadas (redes de alta velocidade e a computação em nuvem): o desacoplamento digital. Ele consiste na adoção de uma estratégia centralizada de integração de aplicações (desde um moderno microsserviço até um ERP legado ou um código de mainframe) por meio de plataformas digitais denominadas “broker de eventos”. Essas plataformas atuam como orquestradores de comunicação entre as aplicações, por meio da organização de toda a comunicação digital entre as aplicações. Toda informação gerada por um sistema A, que deve ser compartilhada com outros sistemas, é corretamente mapeada, rotulada e divulgada dentro dessa plataforma “broker”. Dessa forma, o sistema A torna-se um publicador de informação. Um sistema B que necessite receber a informação gerada pelo sistema A registra-se na plataforma “broker” como um consumidor. Cabe à plataforma encaminhar ao sistema B a informação, sempre que o sistema A “publicá-la”. Observem que o sistema B conhece apenas a informação gerada pelo sistema A, mas não tem uma conexão direta com ele. O pulo do gato? Se o sistema A é um ERP antigo que gera e consome informação de outros sistemas por meio da plataforma “broker” somente, substituí-lo por um novo sistema A2 passa a ser simples, uma vez que basta ao novo sistema A2 publicar e consumir a informação no mesmo formato que o sistema A o fazia. A plataforma “broker” desacopla os sistemas (sejam modernos ou legados) de forma definitiva, criando um “marketplace interno” de informações (os “eventos”), que agora efetivamente modelam a cadeia digital de valor da empresa. A produção e o consumo desses eventos pelos produtos digitais integrantes da cadeia ocorrem de forma dinâmica e permitem que atualizações e novos acoplamentos de produtos digitais sejam realizados sem atrito. Está aberto o caminho para a captura completa do valor da inovação digital. Acoplar sem atrito significa também menor custo, uma vez que é necessário menos esforço de construção, sincronismo e homologação dos sistemas. O desacoplamento digital apresenta-se, então, como um pilar tecnológico capaz de reduzir o atrito de acoplamento da plataforma tecnológica e reduzir substancialmente a dívida técnica que tanto impacta o sono dos gestores e arquitetos de tecnologia nas organizações. * Rafael de Almeida Pereira é alumnus do MBA Executivo e do Mestrado Profissional do Insper e coordenador do pilar de Tecnologia e Valuation do Comitê Alumni de Tecnologia. Tem atuação profissional na indústria de TI e no universo de empreendedorismo de base tecnológica, apoiando empresas na reinterpretação digital de seus negócios."}]