[{"jcr:title":"Dia Mundial sem Carro estimula reflexão sobre real necessidade do automóvel no cotidiano"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Dia Mundial sem Carro estimula reflexão sobre real necessidade do automóvel no cotidiano","jcr:description":"Laboratório propõe que alunos, professores e colaboradores do Insper deixem o veículo em casa no dia 22 de setembro, utilizando transporte público, bicicleta ou caminhada — quem sabe uma combinação dos três — para chegar à escola"},{"subtitle":"Laboratório propõe que alunos, professores e colaboradores do Insper deixem o veículo em casa no dia 22 de setembro, utilizando transporte público, bicicleta ou caminhada — quem sabe uma combinação dos três — para chegar à escola","author":"Ernesto Yoshida","title":"Dia Mundial sem Carro estimula reflexão sobre real necessidade do automóvel no cotidiano","content":"Laboratório propõe que alunos, professores e colaboradores do Insper deixem o veículo em casa no dia 22 de setembro, utilizando transporte público, bicicleta ou caminhada — quem sabe uma combinação dos três — para chegar à escola   Bruno Toranzo   O Dia Mundial sem Carro, 22 de setembro — comemorado pela primeira vez em 1997, por iniciativa de ativistas franceses —, tem como propósito gerar reflexão sobre o uso excessivo do automóvel, atitude que traz uma série de problemas para a sociedade, especialmente em grandes cidades como São Paulo. Um estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente (Iema) demonstrou que na capital paulista os carros são responsáveis por quase 73% das emissões de gases de efeito estufa (GEE), causadores do aquecimento global, respondendo, além disso, por 88% dos quilômetros rodados por veículos motorizados na maior metrópole do país. Os automóveis equivalem a apenas 30% das viagens realizadas no município, mas ocupam mais de 80% do espaço urbano. É nesse contexto que o Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper está convidando toda a população, em especial os alunos, professores, funcionários e colaboradores da escola, a deixar o carro em casa no dia 22 de setembro e utilizar o transporte público, a bicicleta ou caminhada para chegar a seus destinos. Há possibilidade, ainda, de usar essas formas combinadas, o que se mostra cada vez mais comum nas metrópoles de todo o planeta. Além dos benefícios para o trânsito e o meio ambiente, a ação tem como vantagem a possibilidade de viver melhor o espaço urbano e de contribuir para a própria saúde, inclusive mental, por meio do exercício físico. Essa maneira de pensar, evitando o carro quando possível, traz as pessoas para o centro da solução da mobilidade urbana, na medida em que elas passam a tomar decisões em prol da coletividade. “É possível viver nas cidades sem precisar do automóvel para os deslocamentos diários, que podem ser feitos, por exemplo, a pé, especialmente distâncias de até cinco quilômetros, e de bicicleta, que permite vencer trajetos ainda maiores”, diz Sérgio Avelleda, coordenador do Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório. “São Paulo já conta com uma rede cicloviária extensa, e a nossa escola é bem atendida por essa estrutura por causa da Avenida Hélio Pellegrino, lindeira ao Insper, que é uma ciclovia que se conecta à Faria Lima, República do Líbano e Indianópolis, partindo de lá para o restante da cidade. Você consegue, por meio da utilização da ciclovia, atingir, a partir da escola, praticamente todas as regiões. E há diversas estações de bicicletas compartilhadas ao redor do Insper”, completa Avelleda. De acordo com o especialista, ao decidir se locomoverem sem utilizar o carro, as pessoas economizam seu próprio dinheiro e os recursos dos orçamentos das cidades, já que a administração pública gasta muito para manter a infraestrutura voltada para aquele tipo de veículo, que exige periodicamente novas obras viárias, como construção de viadutos e a expansão de avenidas. “No momento em que estamos vivendo a crise climática, com eventos extremos atípicos que levam a perdas humanas e patrimoniais, essa questão do uso do automóvel ganha ainda mais relevância. O tema climático abre nossos olhos para o desafio como um todo, que é avaliar nossa dependência do carro, questionando se há realmente necessidade dele em diversos trajetos cotidianos”, pontua Carolina Guimarães, professora e coordenadora-adjunta do Núcleo de Mobilidade. “As cidades dão muito mais espaço para os automóveis, com três faixas dedicadas inteiramente a eles, enquanto os pedestres ficam com calçadas estreitas, dificultando ou desestimulando a caminhada. A realidade é que, na prática, a mobilidade ativa não é priorizada pelo orçamento público, embora a política nacional coloque o pedestre e o ciclista como prioridades.” Ainda segundo Carolina, a mobilidade ativa faz com que as pessoas se apropriem do espaço urbano, o que somente é possível por meio da construção de uma infraestrutura propulsora desse comportamento, garantindo a segurança aos que andam a pé e aos adeptos da bicicleta como meio de transporte. Alguns exemplos são, além do desenho das vias com mais espaço para quem caminha e para os ciclistas, tempos semafóricos adequados para os pedestres e a criação de travessias seguras para quem anda a pé ou de bicicleta, incluindo estruturas de proteção nas ciclovias. “Ao vivenciar a cidade caminhando ou pedalando, isso gera mais felicidade do que passar horas parado no trânsito caótico. Quanto mais carro houver, muitas vezes transportando apenas uma pessoa, maior o efeito negativo provocado pelos automóveis, motivo pelo qual cada trajeto deve ser avaliado diariamente pelo próprio cidadão sobre a real necessidade de uso do veículo motorizado”, acredita Carolina.   Atropelamentos em alta No primeiro semestre deste ano, o número de internações na rede pública de saúde por causa de atropelamentos cresceu 13% no Brasil. Quase 19 mil pedestres foram internados no SUS (Sistema Único de Saúde) por esse motivo em tal período. Os atropelamentos, claro, são outro efeito negativo — também chamado de externalidade — do uso excessivo dos automóveis, independentemente de quem seja a culpa: motorista, pedestre ou ciclista. A priorização do transporte público pelo cidadão, preferencialmente trem e metrô, é uma medida que também pode influenciar na diminuição do número de atropelamentos, já que reduz a quantidade de veículos — não apenas carros como também de ônibus — circulando pelas vias. “Todas essas questões estão, portanto, relacionadas com a agenda pública de mobilidade, que é essencialmente municipal. A discussão precisa estar presente nas eleições para prefeito do ano que vem, com a proposição de medidas que sejam do interesse de todos”, finaliza Carolina Guimarães."}]