[{"jcr:title":"Seminário no Insper traz insights sobre como evitar doenças cardiovasculares"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Seminário no Insper traz insights sobre como evitar doenças cardiovasculares","jcr:description":"Com base em dados de um estudo global, o médico Alvaro Avezum falou sobre como prevenir a principal causa de mortes por doenças no Brasil e no mundo"},{"subtitle":"Com base em dados de um estudo global, o médico Alvaro Avezum falou sobre como prevenir a principal causa de mortes por doenças no Brasil e no mundo","author":"Ernesto Yoshida","title":"Seminário no Insper traz insights sobre como evitar doenças cardiovasculares","content":"Com base em dados de um estudo global, o médico Alvaro Avezum falou sobre como prevenir a principal causa de mortes por doenças no Brasil e no mundo   A saúde não pode ser mais vista apenas como um evento médico, mas como uma interação complexa de diversos fatores determinantes para o adoecimento ou para a manutenção da saúde. Foi o que afirmou o médico Alvaro Avezum, diretor do Centro Internacional de Pesquisa do Hospital Alemão Oswaldo Cruz durante seminário organizado pelo Hub de Inovação e Empreendedorismo do Insper, no dia 30 de maio. O evento é parte das iniciativas promovidas pelo [Consórcio de Saúde](https://www.insper.edu.br/noticias/insper-hospital-das-clinicas-da-fmusp-e-hospital-alemao-oswaldo-cruz-assinam-consorcio-de-inovacao-em-saude/) entre o Insper, o Hospital Alemão Oswaldo Cruz e Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Durante sua apresentação para um público formado por professores e pesquisadores, Avezum, que é especialista em cardiologia e epidemiologia, discorreu sobre o tema “Determinantes de Adoecimento Cardiovascular: Insights do Estudo Pure”. O [Pure](https://www2.phri.ca/pure/) (Prospective Urban and Rural Epidemiological) é considerado o maior estudo de corte prospectivo do mundo, envolvendo 300 mil pessoas em 30 países, de diferentes níveis socioeconômicos. O estudo investiga o impacto da urbanização e da globalização nos comportamentos de saúde, e também como os fatores de risco se desenvolvem e influenciam doenças cardiovasculares, diabetes, doenças pulmonares, cânceres, doenças renais, saúde cerebral e lesões. Um dos líderes da pesquisa, Avezum enfatizou o papel da medicina baseada em evidências, que busca embasar suas práticas em estudos robustos e comprovações científicas sólidas. “O Pure é um estudo diferente. Ele acompanha os dados de milhares de pessoas em diversos países há 16 anos e continuará mesmo depois que os atuais pesquisadores não estejam mais atuando. Ficará como um legado de entendimento sobre os fatores que levam as pessoas ao adoecimento, coletando uma ampla gama de dados, como fatores individuais e comportamentais, nutrição, atividade física, poluição, comportamento social e aspectos econômicos.”   Principais fatores de risco Avezum falou sobre o modelo da transição epidemiológica, que descreve como a mudança do ambiente rural para urbano, aliada a fatores como sedentarismo, dieta inadequada e estresse, leva ao surgimento de doenças cardiovasculares e câncer ao longo do tempo. Em relação às principais causas de morte no Brasil, o médico ressaltou que o infarto do miocárdio é a número um, seguido pelo AVC (acidente vascular cerebral). Com base em um estudo realizado em 52 países, Avezum destacou que cerca de 90% dos casos de infarto podem ser prevenidos com o controle de nove fatores de risco: colesterol, tabagismo, diabetes, pressão alta, obesidade abdominal, estresse e depressão, alimentação não saudável, atividade física e álcool. “No Brasil, temos 400 mil infartos por ano. Poderíamos reduzir esse número para 40 mil controlando os fatores de risco”, disse. O médico chamou atenção também para a importância da alimentação saudável, especialmente o consumo diário de frutas e legumes, que é associado a uma redução significativa na mortalidade geral. “Quanto mais porções de frutas e legumes uma pessoa consumir diariamente, maior será sua expectativa de vida. Os dados mostram que o consumo diário desses alimentos pode reduzir a mortalidade em 19%”, sublinhou. As conclusões se baseiam em dados de mais de 100 mil pessoas, que foram acompanhadas por nove anos, resultando em mais de 10 mil eventos registrados. “O que isso significa? Essas informações são sólidas e confiáveis. Estudos de grande escala têm o poder de comprovar resultados.” Além disso, Avezum destacou a necessidade de equilibrar o consumo de gorduras e carboidratos. Em relação ao consumo de sal, esse é um tema controverso. Há quem recomende sua eliminação completa na alimentação, mas um estudo com mais de 100 mil pessoas mostrou que o sódio tem um efeito de “curva em J”. Isso significa que, ao reduzir o sal, os eventos cardiovasculares também diminuem até certo ponto, mas se a redução for muito drástica, os eventos podem aumentar novamente. “Essa relação de curva em J reforça o princípio de Aristóteles sobre a virtude estar no meio termo”, afirmou Avezum. Ele observou que o potássio apresenta um padrão semelhante: seu aumento está associado a uma redução de eventos cardiovasculares, mas um excesso também pode levar ao aumento de eventos. “O potássio é encontrado em frutas e legumes. Portanto, equilibrar o consumo de sal e potássio é essencial para uma alimentação saudável”, disse o médico.   Atividades físicas combinadas Para aumentar a longevidade, ele destacou a importância também de combinar atividade física aeróbica com atividade de força muscular. “Antes, eu costumava orientar meus pacientes a focarem principalmente na atividade aeróbica, mas hoje sabemos que o ganho de força muscular também interfere significativamente na sobrevida.” A redução da força muscular está associada a um aumento de 45% na mortalidade cardiovascular e eventos cardiovasculares. A hipertensão arterial foi identificada como um dos principais fatores de risco para doenças cardiovasculares, e o médico enfatizou que seu controle é essencial para evitar eventos graves. No entanto, ele lamentou que apenas 10% dos pacientes hipertensos estejam com a pressão arterial sob controle no Brasil. No que diz respeito à incorporação de tratamentos, Avezum apresentou dados preocupantes sobre a baixa adesão aos medicamentos pós-infarto e pós-AVC, mesmo quando eles estão disponíveis e acessíveis pelo sistema de saúde. O médico ressaltou a importância da educação na saúde, pois a baixa escolaridade foi apontada como um dos principais fatores relacionados à mortalidade cardiovascular no Brasil e na América do Sul. Avezum observou que, ao reduzir as mortes por doenças cardiovasculares, outros problemas de saúde, como o câncer, podem se tornar mais proeminentes, exigindo atenção e recursos adicionais. Por fim, ele enfatizou a necessidade de uma abordagem holística e integrada para combater as doenças cardiovasculares, envolvendo a colaboração entre médicos, pesquisadores, formuladores de políticas públicas e a própria sociedade. Segundo ele, a prevenção, o controle de fatores de risco e o acesso equitativo a tratamentos adequados são fundamentais para melhorar a saúde cardiovascular e aumentar a qualidade de vida da população brasileira.    Alvaro Avezum (de terno) com a equipe que organizou o seminário  "}]