[{"jcr:title":"Encontros mediados pelo Insper buscam melhorar eficiência das compras públicas"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Encontros mediados pelo Insper buscam melhorar eficiência das compras públicas","jcr:description":"Terceira edição do In.hub também apresentou o ICP, primeiro índice do país criado para analisar as compras nas três esferas governamentais"},{"subtitle":"Terceira edição do In.hub também apresentou o ICP, primeiro índice do país criado para analisar as compras nas três esferas governamentais","author":"Ernesto Yoshida","title":"Encontros mediados pelo Insper buscam melhorar eficiência das compras públicas","content":"Terceira edição do In.hub também apresentou o ICP, primeiro índice do país criado para analisar as compras nas três esferas governamentais   Michele Loureiro   Discutir como melhorar a eficiência das compras públicas é o principal objetivo do In.hub, uma iniciativa do Insper que ganhou forma em 2022 e recentemente realizou o terceiro encontro, com dezenas de empresas e representantes do governo. A ideia central do In.hub é ser um espaço de debate que envolve o conhecimento teórico da academia, dados de inteligência subsidiados pela empresa IBIZ Tecnologia, as problemáticas enfrentadas pelas empresas compradoras e as particularidades de cada esfera do governo, municipal, estadual ou federal. André Duarte, pesquisador e professor do Insper, com amplo conhecimento em operações, cadeias de suprimentos e transformação digital, é um dos idealizadores do projeto. “Nos dois primeiros encontros, nós mapeamos os principais desafios dos dois lados, governo e empresas. No terceiro encontro, já começamos a pensar em possíveis soluções”, disse. “Falamos de pontos como incorporação de novas tecnologias, como fazer melhores previsões de compras, como incentivar a colaboração entre as empresas e estreitar a relação com o governo. A ideia central é que o governo consiga comprar melhor e haja uma gestão pública mais eficiente, que colabore com toda a sociedade.” Darcio Martins, também professor do Insper que encabeça a iniciativa, é pesquisador em compras públicas no Centro de Regulação e Democracia da escola e coordenador do Núcleo de Economia do Direito. Para ele, o espaço criado pelos encontros do In.hub ajuda a debater as dificuldades enfrentadas pelos dois lados, que vão desde agenda de compras afetada pela falta de previsibilidade até como melhorar a eficiência das compras públicas. “A inteligência em dados de compras públicas é essencial para melhorar essas relações. O Insper é um mediador, que traz conhecimento acadêmico para qualificar o debate. No final do dia, a ideia é que o mercado fique mais eficiente com essa aproximação entre iniciativa privada e governo. Hoje a gente tem um cenário em que cada um olha para os seus próprios problemas, quando na verdade o problema está na interação. É justamente aí que a gente trabalha”, avaliou.   Índice de compras públicas   Justamente para mapear o problema de forma técnica, Martins encabeça a criação do ICP (Índice de Compras Públicas), com base em dados de mercado fornecidos pela IBIZ, e avalia questões como heterogeneidade de preços entre as esferas governamentais. “No último encontro, eu fiz uma apresentação focada na compra da molécula metformina (cloridrato de metformina, um antidiabético) e mostrei como municípios, estados e esfera federal compram o mesmo medicamento com discrepância de performance em relação ao preço unitário. Isso é um sinal de que pode haver corrupção, sim, mas a literatura aponta que essas diferenças são, na maioria das vezes, resultados de má gestão da compra pública”, explicou. Para os professores, o que pode parecer óbvio em se tratando da gestão estratégica de uma empresa privada está muito distante da realidade da administração pública. Por isso, o ICP ajuda a responder perguntas essenciais, tais como: o que, como, quando, onde, quanto e por que para compreender os motivos da heterogeneidade de preços. O projeto-piloto do índice foi montado com base em dados de inteligência de mercado do IBIZ, tendo uma amostra de 3.000 editais sobre metformina capturados nas três esferas. “Existe um esforço contínuo para criar um índice de compras públicas, simples e contundente, para mostrar as possíveis ineficiências desse mercado”, disse Martins. Para ele, há muitas oportunidades de melhorias nessa relação entre empresas e governo e o aumento dos gastos com saúde tornam a questão ainda mais urgente. A ideia é aplicar a metodologia criada no projeto-piloto para outros bens e serviços.   Os gastos com saúde e a mudança do perfil Isabela Brandão Furtado, que é professora assistente no Insper e coordena o desenvolvimento do MBA Executivo em Saúde, também esteve presente no terceiro encontro do In.hub e falou sobre as questões que encarecem os custos do setor, que envolvem pontos como judicialização, mudança na relação entre médico e paciente e falta de tecnologia integrada. Segundo ela, os indicadores globais sobre Economia da Saúde apontam que 9,72% do PIB mundial é gasto com saúde, dos quais 5% são voltados para a saúde Pública. No Brasil, o comportamento de gastos com saúde segue uma lógica inversa e os gastos se concentram no segmento de saúde privada. Para finalizar o terceiro encontro do In.hub, os professores convidaram os representantes das empresas para realizarem uma dinâmica. Foram montados grupos de trabalho com os executivos, alguns CEOs e diretores, e discutidos os principais problemas do setor. No 3º encontro, as dinâmicas colaborativas se voltaram para uma nova dor: a gestão de estoques, elencada pelos “inhubers” como o tema mais relevante para ser repensado. “Esta é nossa ideia central: fazer com que os dados de inteligência estimulem os debates e ajudem a criar soluções por meio de uma integração do setor”, afirmou André Duarte. O próximo encontro do In.hub já tem data marcada — 15 de setembro — e trará novas abordagens para colaborar com a questão da eficiência das compras públicas."}]