[{"jcr:title":"Estudos sobre temas urbanos são discutidos em seminário no Insper"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Estudos sobre temas urbanos são discutidos em seminário no Insper","jcr:description":"O objetivo da discussão foi como usar as pesquisas realizadas nessa frente para impactar políticas públicas, trazendo elementos que ajudem os gestores a tomar decisões baseadas em evidências"},{"subtitle":"O objetivo da discussão foi como usar as pesquisas realizadas nessa frente para impactar políticas públicas, trazendo elementos que ajudem os gestores a tomar decisões baseadas em evidências","author":"Ernesto Yoshida","title":"Estudos sobre temas urbanos são discutidos em seminário no Insper","content":"O objetivo da discussão foi como usar as pesquisas realizadas nessa frente para impactar políticas públicas, trazendo elementos que ajudem os gestores a tomar decisões baseadas em evidências Relação entre incêndio em favela e valor da terra é tema de um dos estudos apresentados    Bruno Toranzo   A manhã e a tarde do dia 16 de junho abrigaram no Insper um [seminário](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/seminario-de-estudos-urbanos/) dedicado integralmente à apresentação de estudos realizados por professores, pesquisadores e alunos da escola relacionados a temas urbanos. O debate foi norteado pela proposta de expandir o conhecimento gerado dentro do Insper de modo a contribuir para que os formuladores de políticas públicas possam implementá-las baseados em evidências. “A etapa posterior à finalização do estudo é relevante para atingir esse propósito por meio da exploração dos dados levantados para estimular discussões públicas”, destaca o professor Adriano Borges Costa, coordenador do Núcleo de Economia Urbana e Ciência de Dados e coordenador-adjunto do Núcleo de Mobilidade Urbana do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper. “A publicação acadêmica continua tendo importância, mas não deve ser a única maneira de tornar públicas as constatações dos estudos, já que a academia é um universo restrito, e papers  acadêmicos muitas vezes são difíceis de serem compreendidos por um público não especializado, como formuladores ou gestores de políticas públicas.” Exemplo bem-sucedido disso foi um estudo pilotado por Costa sobre as alterações propostas na revisão do Plano Diretor Estratégico (PDE) de São Paulo para os Eixos de Estrutura da Transformação Urbana, como a expansão de áreas da cidade autorizadas a receber maior verticalização e com incentivos para prédios mais altos. Esses números foram repercutidos pela mídia nos dias que antecederam a votação — e aprovação — da proposta na Câmara Municipal, o que se mostrou positivo para que houvesse ampla discussão sobre o assunto até que o projeto fosse efetivamente analisado pelos vereadores. A recém-aprovada revisão do Plano Diretor poderá resultar na expansão das áreas para prédios mais altos em até 148%, de acordo com a projeção divulgada pelo estudo. A ampliação vai depender da anuência da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, mais conhecida como Lei do Zoneamento, que será revista pela Câmara Municipal a partir de agosto. “A pauta urbana interessa ao cidadão, que majoritariamente vive hoje nas cidades. Há uma série de problemas enfrentados no cotidiano, como transporte e dificuldade de deslocamento, que são potencializados pela enorme distância entre moradia e trabalho”, diz Rodrigo Soares, professor titular do Insper, que também esteve no seminário promovido pela instituição. “É nosso papel, portanto, enriquecer o debate da política pública por meio da divulgação de estudos com linguagem fácil e acessível, buscando a repercussão na imprensa para atingir o maior número possível de pessoas”, completa. Outro aspecto destacado por ambos os professores foi a oportunidade de reunir diferentes especialistas que se dedicam aos temas urbanos. No encontro estiveram presentes pesquisadores que fazem parte do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper, mas não somente eles. “A perspectiva é criar pontes entre essas pessoas para gerar novas pesquisas e colaborações de ensino. Há potencial de fazer esses encontros temáticos com regularidade e de modo transversal, integrando estudos sobre cidade no direito, na administração e na engenharia”, observa Costa. “Outras áreas do conhecimento podem igualmente promover esse tipo de evento, como a da saúde, por exemplo, que costumam publicar estudos, mas muitas vezes os autores não se conhecem.”   Parques urbanos e incêndios em favelas Entre outros estudos apresentados no seminário, um, de autoria de Rodrigo Soares, tratou da recuperação de espaços públicos e comunidades locais, por meio da avaliação do programa chileno “Mi Parque”, e outro, do economista Rafael Pucci, pesquisador de pós-doutorado do Insper (Cátedra Fundação Lemann), se debruçou sobre a relação entre incêndios em favelas e valor da terra. O primeiro, com base na análise da experiência de Santiago, capital do Chile, demonstrou o efeito da reforma de parques urbanos na percepção dos moradores do entorno deles sobre a qualidade do ambiente e a segurança, com redução observada no número de furtos. A reforma dos parques é positiva para a geração de melhores ambientes públicos, proporcionando uma sensação de cuidado com a cidade; fazendo com que as pessoas estejam mais abertas à convivência e melhorando a segurança pública, constatou o trabalho. “A distribuição da atividade econômica no espaço e a maneira como as políticas públicas são desenvolvidas têm impacto na violência e nos outros índices sociais. A geografia assume, portanto, protagonismo nas políticas públicas urbanas, demonstrando onde o poder público deve intensificar essas ações para aumentar o bem-estar da população contemplada”, afirma Soares. Já o estudo de Pucci destacou que os incêndios em favelas — que tendemos a ver como eventos aleatórios associados à fragilidade dessas moradias — podem, na realidade, ser criminosos, um modo violento de tentar recuperar a terra ocupada. Isso porque eles ocorrem com frequência maior em áreas imobiliárias valorizadas, que não são precárias em termos de infraestrutura urbana. Os dados georreferenciados de incêndios em favelas de São Paulo utilizados no estudo demonstraram a proximidade dos incêndios com imóveis mais valorizados. “É possível dizer que o conflito da terra no ambiente urbano também se manifesta de forma violenta, mas com uma roupagem diferente do contexto rural. Você só observa esse efeito nas favelas localizadas em áreas privadas, que são, portanto, de propriedade de um particular, não se manifestando nas terras pertencentes ao Poder Público”, finaliza Soares.  "}]