[{"jcr:title":"Quem viu debate editado em 1989 votou mais em Fernando Collor","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Quem viu debate editado em 1989 votou mais em Fernando Collor","jcr:description":"Edição da TV Globo a dois dias do 2º turno presidencial alterou escolha eleitoral, diz pesquisa"},{"subtitle":"Edição da TV Globo a dois dias do 2º turno presidencial alterou escolha eleitoral, diz pesquisa","altText":"Cobertura do último debate da eleição de 1989 pelo Jornal Nacional","status":"publish","slug":"quem-viu-debate-editado-em-1989-votou-mais-em-fernando-collor","title":"Quem viu debate editado em 1989 votou mais em Fernando Collor","content":"  O eleitor exposto à edição feita pela TV Globo do último debate presidencial de 1989 inclinou-se a votar mais em Fernando Collor de Mello, então candidato do PRN, do que em seu adversário do PT, Luiz Inácio Lula da Silva. O efeito foi mais forte em localidades que não tinham acesso ao sinal de nenhuma outra emissora concorrente. Para chegar a essas conclusões, os pesquisadores Lucas Novaes, do Insper, e Alexsandros Cavgias (Universidade Ghent, Bélgica), com seus colegas Raphael Corbi e Luis Meloni, da USP, [investigaram a relação entre a preferência eleitoral](https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/00104140231169027?journalCode=cpsa) , de um lado, e, de outro, o acesso ao sinal da TV Globo na época, que não era homogêneo para todos os municípios brasileiros. O último debate entre Collor e Lula ocorreu na noite de 14 de dezembro de 1989, a quinta-feira anterior à votação de domingo (17), que daria a vitória ao candidato do PRN.  Foi realizado em São Paulo e transmitido ao vivo por emissoras que se organizaram em pool. Na noite de sexta-feira (15), o Jornal Nacional, o telejornal de maior audiência do Brasil, veiculou uma versão editada do debate, pela qual foi acusado de adotar parcialidade contra o candidato do PT. Anos depois, a Globo [publicou uma autocrítica](https://memoriaglobo.globo.com/erros/debate-collor-x-lula/noticia/debate-collor-x-lula.ghtml) de seus procedimentos, disponibilizando depoimentos de jornalistas que participaram daquela edição. Nem todos os eleitores brasileiros que puderam acompanhar o debate ao vivo na noite de quinta tiveram acesso ao Jornal Nacional do dia seguinte. Centro e trinta municípios, dos 4.052 alcançados pelo sinal de alguma TV aberta naquele ano, não eram atendidos pela Globo. Lucas, Alexsandros, Raphael e Luis compararam esses dois grupos de municípios — com e sem transmissão da TV Globo — e apuraram que o acesso à versão editada do debate impulsionou o voto em Color. Os pesquisadores concluíram que Lula foi desfavorecido nas cidades alcançadas pela Globo na parcela de votos amealhada pelo petista na passagem do primeiro para o segundo turno e também na parcela de votos conquistada pela centro-esquerda. No grupo de 1.054 municípios onde a Globo era a única TV aberta a chegar com seu sinal, a inclinação pelo voto em Collor foi ainda mais acentuada, apontou a análise. Uma pesquisa de intenção de votos feita pouco antes e pouco depois da veiculação da versão editada do debate foi utilizada no estudo para ajudar a fechar o foco no evento e avaliar o seu impacto mais isoladamente. Encontrou-se um prejuízo ainda maior para o candidato petista. Tomadas as amplitudes dos efeitos apurados em todas as análises, os pesquisadores concluem que a transmissão da versão editada do debate pode ter tido efeito de escala em tese suficiente para reverter o resultado da eleição que sagrou Fernando Collor de Mello como o primeiro presidente eleito pelo voto popular após o período da ditadura militar (1964-1985).   Leia o estudo: [Media Manipulation in Young Democracies: Evidence From the 1989 Brazilian Presidential Election](https://journals.sagepub.com/doi/abs/10.1177/00104140231169027?journalCode=cpsa) ."}]