[{"jcr:title":"O desafio de conciliar a recuperação da economia e a agenda climática"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"O desafio de conciliar a recuperação da economia e a agenda climática","jcr:description":"Produção de eletricidade, serviço de transportes e agricultura estão entre os setores que mais emitem gases de efeito estufa no mundo"},{"subtitle":"Produção de eletricidade, serviço de transportes e agricultura estão entre os setores que mais emitem gases de efeito estufa no mundo","author":"Ernesto Yoshida","title":"O desafio de conciliar a recuperação da economia e a agenda climática","content":"Produção de eletricidade, serviço de transportes e agricultura estão entre os setores que mais emitem gases de efeito estufa no mundo   Bernardo Vianna   Como retomar o crescimento econômico em meio à crise climática é um dos grandes desafios que se impõem à humanidade neste momento. Com eventos climáticos extremos como ondas de frio e de calor, chuvas intensas e secas prolongadas cada vez mais presentes no cotidiano das pessoas no mundo inteiro, torna-se evidente a necessidade de neutralizar as emissões de gases de efeito estufa (GEE) decorrentes das atividades humanas para evitar o agravamento desse cenário. Segundo dados reunidos pelo [Climate Watch](https://www.climatewatchdata.org/ghg-emissions) , os maiores emissores de GEEs são China, Estados Unidos, Índia, a União Europeia e a Rússia, nessa ordem. O Brasil ocupa a sétima posição do ranking, depois da Indonésia. A maior oscilação visível no grupo dos cinco maiores emissores aparece nos dados da China, cujo volume de megatoneladas de carbono equivalente liberado para a atmosfera triplicou entre 2000 e 2019.       A produção de eletricidade é a principal responsável pelas emissões de GEEs na China, nos Estados Unidos, na Índia, na Rússia e na União Europeia, o que está atrelado a fontes de energia sujas como carvão, petróleo e gás natural, utilizados em termelétricas. No Brasil, onde a produção de eletricidade tem como base fontes renováveis, em especial a energia hídrica, o setor é responsável por apenas 9% do total de emissões. Outro setor relevante é o de transportes, que responde por 30% das emissões dos Estados Unidos e por 25% das emissões da União Europeia. Na China, o setor representa apenas 7% do total de emissões, graças, em grande medida, aos incentivos governamentais a carros elétricos. No Brasil, país com grande dependência de caminhões com motores a combustão, o setor de transportes corresponde a 19% do total de emissões. O grande destaque brasileiro, em termos de emissões de GEEs, é a agricultura, responsável por 48% do total. Esse setor é relevante também na Índia, onde concentra 21% das emissões. O total de emissões referidos acima, no entanto, não inclui a categoria “ [mudança de uso da terra e florestas](https://unfccc.int/topics/land-use/workstreams/land-use--land-use-change-and-forestry-lulucf) ” (LUCF, na sigla em inglês), que inclui tanto atividades que derrubam florestas, liberando carbono para a atmosfera, quanto atividades que, por meio do florestamento ou do reflorestamento, removem carbono da atmosfera e o fixam no solo ou na vegetação. Neste último caso, a quantidade registrada nos dados do Climate Watch será negativo, podendo ser descontado do total de emissões de GEEs. Isso acontece nos cinco maiores emissores de GEEs, mas não no Brasil. Aqui, infelizmente, a balança de atividades de mudança da terra pende mais para o lado do desmatamento do que para a recuperação das florestas.     Outra forma de entender o impacto das economias sobre o aquecimento global é analisar a quantidade de carbono emitido para a atmosfera por unidade do PIB, [dado fornecido pelo Banco Mundial](https://data.worldbank.org/indicator/EN.ATM.CO2E.PP.GD) . Com base nesse critério, é possível observar como a China e a Rússia, embora ainda sejam grandes emissoras de GEEs, conseguiram reduzir drasticamente a quantidade de carbono liberada para a atmosfera por dólar produzido pela economia nesses países. A Índia, os Estados Unidos e a União Europeia também vêm continuamente reduzindo a razão entre carbono liberado e riqueza produzida. O Brasil, por sua vez, embora esteja, em 2019, no mesmo patamar da União Europeia, não apresentou grande variação dessa taxa desde 1990, ano dos dados mais antigos observados.  "}]