[{"jcr:title":"Inconsistência de experiências no trabalho impacta retenção de profissionais","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Inconsistência de experiências no trabalho impacta retenção de profissionais","jcr:description":"Mais que um clima geral positivo, a consistência de experiências no trabalho é fundamental para reter talentos"},{"subtitle":"Mais que um clima geral positivo, a consistência de experiências no trabalho é fundamental para reter talentos","altText":"Reunião de trabalho","status":"publish","slug":"inconsistencia-de-experiencias-no-trabalho-impacta-retencao-de-profissionais","title":"Inconsistência de experiências no trabalho impacta retenção de profissionais","content":"  Fenômenos recentes como o Great Resignation ou o Quiet Quitting refletem os grandes desafios que as organizações vêm enfrentando hoje para reter e engajar sua força de trabalho. Um importante fator que afeta a capacidade das organizações de reter talentos é o clima organizacional — que captura as percepções positivas dos funcionários sobre as várias dimensões que compõem o ambiente de trabalho, como reconhecimento, colaboração, apoio gerencial e carreira e desenvolvimento. Quanto mais positivo o clima, melhor o ambiente de trabalho. Porém, ainda que um clima global positivo seja um bom ponto de partida, isso não é suficiente. Mesmo climas “positivos” podem mascarar um certo nível de variabilidade das experiências do funcionário no trabalho. Ou seja, o funcionário pode, por exemplo, avaliar positivamente suas oportunidades de desenvolvimento, por um lado, mas se sentir injustiçado e não reconhecido, por outro lado. Estas inconsistências ou falta de alinhamento entre os diferentes aspectos que compõem um bom ambiente de trabalho impactam os índices de turnover nas empresas. Isso é o que revela uma pesquisa recém-publicada pelas pesquisadoras do Insper Tatiana Iwai e Adriana Bortoluzzo, juntamente com sua colega da FGV Joana Story, no Journal of Occupational and Organizational Psychology , um dos periódicos mais importantes da área. Usando uma grande e heterogênea base de dados composta por 25.288 funcionários de 150 empresas de portes diversos em diferentes setores econômicos do Brasil, as pesquisadoras testaram se, para além de um clima global positivo, a (in)consistência ou variabilidade de clima também importa para reduzir as taxas de rotatividade nas empresas. As pesquisadoras identificaram seis grandes dimensões que compõem a apreciação global do clima de trabalho: apoio gerencial, objetivos e propósito da companhia, recompensas, cooperação e camaradagem, crescimento e desenvolvimento de carreira e balanço entre vida pessoal e trabalho. A variabilidade de clima foi calculada pelo nível de divergência entre cada um desses seis escores e a média global do clima da empresa. Já o turnover foi mensurado pelo volume de pessoas que deixaram a companhia em um ano, relativizado pelo tamanho da força de trabalho. A avaliação econométrica revelou uma associação curvilínea entre variabilidade de clima e turnover. Ou seja, os resultados detectaram uma relação matizada, em que baixos níveis de variação das dimensões de clima não impactam na taxa de rotatividade dos funcionários, mas níveis moderados e elevados, sim. Outro achado da pesquisa foi identificar que, quanto maior a variância nas dimensões de clima, menor o impacto positivo que um bom clima médio geral exerce na retenção dos profissionais. A implicação destes resultados é que líderes e gestores devem prestar atenção ao nível de consistência entre as dimensões do clima. Caso contrário, os efeitos positivos de um clima positivo e “bom” podem ser anulados por altos níveis de variabilidade de clima. A inconsistência entre os diversos elementos que integram um bom clima de trabalho, dizem as pesquisadoras, pode significar que a empresa esteja transmitindo sinais contraditórios aos seus funcionários, o que acaba por favorecer a saída de trabalhadores. As pesquisadoras também sugerem que as organizações usem a variabilidade de clima como um novo indicador para monitorar a qualidade do ambiente de trabalho, para além da mensuração tradicional de clima. De acordo com as pesquisadoras, esse indicador pode revelar se existem desequilíbrios potenciais entre as dimensões de clima, que demandam alguma intervenção gerencial, de modo a criar uma experiência de trabalho mais consistente para os funcionários. Leia o estudo: [ Consistency matters: Exploring the different roles of climate variability on collective turnover ](https://bpspsychub.onlinelibrary.wiley.com/doi/abs/10.1111/joop.12443)"}]