[{"jcr:title":"Saúde se apoia em dados para eliminar gargalos e humanizar os serviços"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Saúde se apoia em dados para eliminar gargalos e humanizar os serviços","jcr:description":"Evento Dado Certo! Healthtechs reuniu especialistas no Insper para discutir como a tecnologia pode gerar valor e melhorar a qualidade do atendimento"},{"subtitle":"Evento Dado Certo! Healthtechs reuniu especialistas no Insper para discutir como a tecnologia pode gerar valor e melhorar a qualidade do atendimento","author":"Ernesto Yoshida","title":"Saúde se apoia em dados para eliminar gargalos e humanizar os serviços","content":"Evento Dado Certo! Healthtechs reuniu especialistas no Insper para discutir como a tecnologia pode gerar valor e melhorar a qualidade do atendimento   Michele Loureiro   “A área da saúde vive uma crise sem precedentes.” A fala de Victor Piana de Andrade, CEO do A.C. Camargo Cancer Center e coordenador do Comitê Alumni de Saúde do Insper, se deu na abertura do evento [Dado Certo! Healthtechs](https://www.insper.edu.br/agenda-de-eventos/dado-certo-healthtechs/) , realizado no dia 3 de maio na escola. O evento reuniu representantes das empresas ImpulsoGov e Ana Health para falar sobre como os dados podem gerar valor e qualidade no setor da saúde. Ao mediar o evento, Victor Piana observou que o setor de saúde passa por uma crise financeira e desorganização do ecossistema. “Há um ambiente de escassez de recursos e a esperança é que a tecnologia e o uso de dados ajudem a apontar caminhos melhores e novos para os grandes gargalos da saúde. Atualmente, os dados são fragmentados na saúde e juntar as pontas tem sido um desafio enorme”, afirmou. “A boa notícia é que muita gente está colocando energia nesse negócio, e desejo que esses gaps sejam preenchidos.” João Abreu, cofundador e diretor-executivo da ImpulsoGov, healthtech fundada em 2019 com o objetivo de impulsionar o uso inteligente de dados de tecnologia no SUS (Sistema Único de Saúde), comentou suas expectativas em relação ao futuro do setor. “Nosso desejo é que todas as pessoas no Brasil tenham acesso a serviços de saúde de qualidade, independentemente de elas poderem ou não pagar por isso para acessar o mercado privado, que sabemos que apresenta resultados muito diferentes do setor público atualmente no Brasil”. Abreu destacou que a ImpulsoGov é uma ONG apartidária. Por isso, embora trabalhe com governos, a única exigência é que os dirigentes estejam dispostos a melhorar os seus indicadores de saúde. “Tivemos uma atuação muito forte na pandemia, quando ajudamos as prefeituras a mapear as ondas da doença. Nessa época, começamos a criar uma estrutura para ajudar os municípios brasileiros a melhorarem os indicadores de atenção primária em saúde”, disse Abreu. Para ele, os dados são fundamentais para dar conta de uma parcela da população bastante representativa, que são os doentes crônicos. “Estima-se que 35 milhões de brasileiros não estejam recebendo o tipo de atendimento de que precisam. Estamos falando, por exemplo, de diabéticos, que não estão monitorando os níveis de glicose, e de hipertensos, que não estão controlando a pressão.” As consequências podem variar de amputações de membros a óbitos, em muitos casos. Nesse cenário, Abreu ressaltou a importância da tecnologia como aliada, sobretudo porque há uma demanda crescente das prefeituras para cuidar da prevenção da saúde da população. Isso também é fruto de um programa do Ministério da Saúde, que em 2019 lançou o Previne Brasil. Em síntese, os municípios precisam cumprir metas em indicadores específicos, como índice de vacinação e pré-natal, para receber uma bonificação em dinheiro. “O problema foi estabelecer as metas e desejar boa sorte. Muito pouco de concreto foi feito e ficou tudo por conta dos municípios”, afirmou Abreu. Justamente por isso, a ImpulsoGov, que é financiada por parceiros e patrocinadores, vem procurando ajudar as cidades. A empresa conecta na base de dados do município fornecida pelo SUS e extrai relatórios e diretrizes para esse município lidar com a população, em especial com as pessoas que mais precisam de intervenção no dia a dia. “Isso é uma coisa que pouca gente conhece, mas é um mérito muito importante do SUS: quase todo município brasileiro usa computador e tem dados individuais e digitalizados. Essa característica do SUS permite que o nosso trabalho aconteça”, disse Abreu. Entre os exemplos citados por ele estava o de um município que teve sua população mapeada e descobriu que apenas 10% dos diabéticos e 21% dos hipertensos listados estavam sendo monitorados. “Além de táticas de saúde pública, eles realizaram um mutirão e conseguiram se comunicar com essas pessoas. Em dois anos, a proporção de monitorados subiu para 50% nas duas doenças e cumpriu a meta do Ministério da Saúde para esses indicadores.” Além de mapear os dados e criar as estratégias de ação, o monitoramento permanente é fundamental para garantir a continuidade das intervenções com base em dados. “Temos um rigor bem grande em relação ao acompanhamento e ao impacto. Os dados são atualizados praticamente em tempo real”, disse Abreu. A ImpulsoGov monitora 30 municípios atualmente, mas tem mais de 400 na fila de espera de atendimento.   Novo modelo Humberto Ferreira, consultor da [Ana Health](https://www.insper.edu.br/noticias/como-a-ana-health-cresceu-das-aulas-do-insper-para-a-lista-melhores-para-o-brasil/) , foi o responsável por explicar a área de atuação da empresa e contar como os dados estão presentes na construção da companhia, que se apresenta como benefício de saúde integral, que cuida da saúde física, mental e social das pessoas de forma acessível. Para explicar o funcionamento da healthtech, Ferreira falou sobre o que considera o passado dos planos de saúde. “Aquele modelo com o qual estávamos acostumados, no qual o usuário é reativo, no qual se trata a doença em vez de priorizar a saúde, no qual o usuário precisa procurar sempre por atendimento, no qual a equipe não conhece você e no hospital ninguém sabe quem é você, aquele modelo já não tem mais espaço”, afirmou Ferreira. Na Ana Health, as palavras de ordem são prevenção, proatividade, uso de dados e personalização. “Começamos o relacionamento com uma conversa proativa, algo que os planos convencionais não fazem. E cada vez que o usuário nos concede acesso, quanto mais essa roda gira, mais a relação será personalizada com base nesse engajamento”, disse Ferreira. O médico Olívio Souza Neto, empreendedor e cofundador da Ana Health, também participou do evento e falou sobre os números da empresa, que está presente em 21 estados do país. “86% dos associados estão engajados e em constante contato com a Ana. Isso, na saúde, é um modelo bastante interativo e proativo. A Ana vem criando uma releitura dessa sensibilidade, ou seja, quanto maior o contato que temos com o associado, melhor vai ser o resultado”, disse Souza Neto. O empreendedor citou um trabalho da Universidade Harvard que afirma que entre 80% e 90% das pessoas não precisam ir para o pronto-socorro quando estão em uma situação que requer acompanhamento médico. “Nossa meta é atender essas pessoas nos cuidados básicos, na proximidade, com o uso da tecnologia”, disse Souza Neto. “Mas, se mesmo assim for necessário a ida até o hospital, a Ana é um concierge, já tem seu histórico e vai agilizar e unificar o atendimento. Os dados proporcionam uma vantagem para o paciente e para o sistema de saúde.”"}]