[{"jcr:title":"O “Dr. ChatGPT” tem potencial para ser o nosso próximo médico?"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"O “Dr. ChatGPT” tem potencial para ser o nosso próximo médico?","jcr:description":"A ferramenta de inteligência artificial conseguiria passar no exame de licença médica dos Estados Unidos, mas alguns diagnósticos equivocados em casos críticos poderiam ter sido fatais"},{"subtitle":"A ferramenta de inteligência artificial conseguiria passar no exame de licença médica dos Estados Unidos, mas alguns diagnósticos equivocados em casos críticos poderiam ter sido fatais","author":"Ernesto Yoshida","title":"O “Dr. ChatGPT” tem potencial para ser o nosso próximo médico?","content":"A ferramenta de inteligência artificial conseguiria passar no exame de licença médica dos Estados Unidos, mas alguns diagnósticos equivocados em casos críticos poderiam ter sido fatais   O rápido avanço da inteligência artificial renovou o debate sobre o papel dessa tecnologia em diversas áreas. Uma delas é a medicina, em que a IA tem demonstrado grande potencial, ao mesmo tempo que traz novos desafios. Em fevereiro, um grupos de pesquisadores publicou um estudo na [PLOS Digital Health](https://journals.plos.org/digitalhealth/article?id=10.1371/journal.pdig.0000198) , um periódico sobre saúde digital, big data e assistência médica, mostrando que o ChatGPT — um chatbot desenvolvido pela empresa OpenAI — seria capaz de passar no Exame de Licenciamento Médico dos Estados Unidos (USMLE, na sigla em inglês). O USMLE é um teste nos qual os estudantes de medicina nos Estados Unidos devem ser aprovados para exercer a profissão. O exame consiste em três etapas. Os pesquisadores testaram o ChatGPT utilizando 350 perguntas do USMLE disponíveis publicamente e verificaram que o chatbot obteve entre 52% e 75% de acerto nas três etapas, colocando-se “confortavelmente dentro da faixa de aprovação”. Os autores do estudo observaram que o ChatGPT foi capaz de produzir “pelo menos um insight significativo” em cerca de 90% dos resultados. “Além disso, o ChatGPT demonstrou um alto nível de concordância e perspicácia em suas explicações. Esses resultados sugerem que grandes modelos de linguagem podem ter o potencial de auxiliar na educação médica e, potencialmente, na tomada de decisões clínicas”, concluíram os pesquisadores. Depois da divulgação desse estudo, vários profissionais procuraram testar a capacidade médica do ChatGPT de outras maneiras.  Um deles foi um médico emergencista americano chamado Joshua Tamayo-Server, que publicou na revista [Fast Company](https://www.fastcompany.com/90863983/chatgpt-medical-diagnosis-emergency-room) um relato sobre seu experimento. O autor do texto alimentou o ChatGPT com históricos médicos de 35 a 40 pacientes e pediu que o programa fornecesse diagnósticos diferenciais para cada caso. Embora o ChatGPT tenha sugerido o diagnóstico correto para metade dos pacientes, seu desempenho foi muito pior em alguns casos críticos. Em um caso particularmente preocupante, uma paciente tinha uma gravidez ectópica — gestação fora do útero, uma condição não muito comum e que o médico só conseguiu descobrir por meio de uma entrevista detalhada com a paciente. O ChatGPT falhou nesse caso ao não sugerir a possibilidade de uma gravidez ectópica. Se a paciente tivesse usado o ChatGPT para se diagnosticar em vez de consultar um médico, a resposta incorreta do programa poderia ter sido fatal. O médico também observou outros casos em que o ChatGPT diagnosticou erroneamente condições de risco de vida, sugerindo que o programa não é totalmente confiável. Tamayo-Server concluiu que o ChatGPT pode ser útil como uma ferramenta de diagnóstico quando usado com informações precisas e em pacientes que apresentam sintomas clássicos de uma doença. No entanto, a capacidade do programa de lidar com situações complexas e raras é limitada. O médico alerta que o uso irresponsável do ChatGPT para diagnóstico clínico pode trazer consequências graves e que a tecnologia deve ser usada com cautela e sempre como um complemento à avaliação médica.   Potencial e limitações Com a popularização da internet, tornou-se comum realizar pesquisas sobre problemas médicos em ferramentas de buscas como o Google. Em vez de procurar um médico ou um hospital, muita gente se contenta em “consultar” apenas a internet, o que deu origem ao termo “Dr. Google” — uma pesquisa do próprio Google revelou que 26% dos brasileiros recorrem primeiro à plataforma para tirar as dúvidas médicas. Agora, com o desenvolvimento de ferramentas de inteligência artificial mais avançadas, o “Dr. ChatGPT” ameaça tomar o lugar do “Dr. Google”, como fonte primária de consulta médica. Mas é preciso cautela. Como alerta um recente editorial do prestigioso [The New England Journal of Medicine](https://www.nejm.org/doi/full/10.1056/NEJMe2206291) : “A medicina é diferente de outras áreas em que a IA é aplicada, e a implementação de aplicativos e sistemas de IA requer considerações éticas, de governança e regulatórias críticas. As novas aplicações terão que aderir aos mesmos padrões aplicados a outras tecnologias médicas, exigindo um nível de rigor nos testes semelhante ao usado em outras tecnologias”. Não custa lembrar que o próprio ChatGPT reconhece suas limitações. Enviamos uma pergunta sobre como ele poderia auxiliar um médico, e o chatbot respondeu: “Como um modelo de linguagem natural treinado em uma ampla variedade de tópicos, posso auxiliar um médico de várias maneiras. Aqui estão alguns exemplos: • Fornecer informações médicas: Eu posso fornecer informações precisas e atualizadas sobre doenças, sintomas, tratamentos, medicamentos e muito mais. Os médicos podem me fazer perguntas para obter respostas rápidas e confiáveis, economizando tempo de pesquisa. • Ajudar na tomada de decisões: Com base nas informações fornecidas pelo médico sobre um paciente, posso ajudar na tomada de decisões clínicas, como diagnóstico, tratamento e prognóstico. Isso pode ser particularmente útil em situações em que o médico precisa tomar uma decisão rapidamente e não tem tempo para revisar todas as informações relevantes. • Interpretar exames e resultados: Eu posso ajudar a interpretar resultados de exames, como radiografias, tomografias, ressonâncias, além de exames laboratoriais. Eu posso também explicar termos médicos para o médico ou paciente entender melhor o diagnóstico. • Fornecer assistência linguística: Como modelo de linguagem natural, posso ser configurado para fornecer assistência em diferentes idiomas para ajudar na comunicação entre médicos e pacientes que falam línguas diferentes. No entanto, é importante lembrar que, como modelo de linguagem, não sou um substituto para a experiência clínica de um médico. Sempre consulte um profissional de saúde para obter orientação e cuidados médicos adequados.” À pergunta sobre se ele poderia algum dia substituir um médico de verdade, o ChatGPT respondeu desta maneira: “Embora eu possa ser útil como ferramenta de apoio e fornecer informações úteis, é importante lembrar que eu sou apenas uma ferramenta baseada em algoritmos e não tenho a capacidade de substituir a experiência e o conhecimento de um médico. A medicina é uma profissão complexa e altamente especializada que envolve muitos anos de treinamento, habilidades e julgamento clínico. O papel do médico é essencial na avaliação e no tratamento de pacientes, e eu sou apenas uma ferramenta que pode ajudá-los em suas práticas médicas.”  "}]