[{"jcr:title":"Liderança e Literatura: obras que vão muito além do aeroporto"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Liderança e Literatura: obras que vão muito além do aeroporto","jcr:description":"Livro sobre liderança não precisa ser superficial nem efêmero. Veja quatro indicações de leitura do professor Edvalter Becker Holz"},{"subtitle":"Livro sobre liderança não precisa ser superficial nem efêmero. Veja quatro indicações de leitura do professor Edvalter Becker Holz","author":"Ernesto Yoshida","title":"Liderança e Literatura: obras que vão muito além do aeroporto","content":"Livro sobre liderança não precisa ser superficial nem efêmero. Veja quatro indicações de leitura do professor Edvalter Becker Holz   Edvalter Becker Holz *   Liderança é comumente vista como um tema de livro de aeroporto. É uma pena, pois não faltam opções na Literatura — com L maiúsculo. Aí vão quatro dicas para líderes que admiram a quinta arte (ou que querem experimentar algo diferente do gênero “quem mexeu no meu queijo”).   Memórias de Adriano , de Marguerite Yourcenar Editora Nova Fronteira, 304 págs. Um dos livros mais fascinantes do século XX, esta obra impressiona pela combinação entre ficção e realismo histórico. À beira da morte, o grande imperador Adriano reflete minuciosamente sobre sua vida, seus feitos gloriosos e seus sentimentos mais confusos. A conturbada ascensão ao poder, as guerras territoriais e religiosas, a clivagem entre casamento e paixão — nada escapa à narrativa elaborada por Yourcenar ao longo de quase três décadas de pesquisas. “Pequena alma terna flutuante, hóspede e companheira do meu corpo, vais descer aos lugares pálidos duros nus, onde deverás renunciar aos jogos de outrora”. A epígrafe anuncia: um grande líder reflete sobre si mesmo, critica a si mesmo, analisa minunciosamente as profundezas de si mesmo.   A Obra em Negro , também de Marguerite Yourcenar Editora Nova Fronteira, 336 págs. O jovem Zênon personifica o surgimento do espírito iluminista, racional, científico, humanista, inovador, em meio às superstições e misérias da Idade Média, incluindo a inquisição e a pandemia da Peste Negra. No início do livro, Zênon decide abandonar a rica família, na pequena Bruges, e perambular rumo a Paris. A partir daí, a narrativa apresenta uma jornada magnífica de busca pela capacidade de pensamento autônomo. Inspirado em figuras como Leonardo da Vinci, Paracelso, Miguel Servet, Copérnico, Étienne Dolet e Tommaso Campanella, Zênon ensina que grandes líderes rompem os vícios familiares e se aventuram na jornada solitária que é aprender a pensar por si só.   À Espera dos Bárbaros, de J. M. Coetzee Companhia das Letras, 208 págs. Autor de livros amargurados, mas viscerais, Coetzee apresenta nesta fábula a monótona rotina da administração de uma província distante. Entre as supervisões de estoques e de funcionários juniores, quem não abandonar a leitura antes do tempo encontrará uma meditação sutil, mas profunda, sobre ética no exercício do poder.   A Festa do Bode , de Mario Vargas Llosa Editora Alfaguara, 456 págs. Quais os perigos de se tomar autoritarismo por liderança? O que pode acontecer quando um autoritarista assume uma posição que deveria ser ocupada por um líder efetivo? Qual a responsabilidade daqueles que estão ao seu redor? Como agir eticamente, quando a ética foi aniquilada? Leitura imprescindível para jovens ansiosos por liderar, sedentos por poder e nem sempre versados em ética, esta obra magistral explora, sem concessões, a vida na República Dominicana nos anos da ditadura do general Trujillo (apelidado “o bode”), e seu fim deplorável.   [ *Edvalter Becker Holz ](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/edvalter-becker-holz/) é professor na trilha de Liderança e Gestão de Pessoas em programas de graduação, pós-graduação e educação executiva no Insper"}]