[{"jcr:title":"Parceria do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper com o MIT investiga a justiça climática"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Parceria do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper com o MIT investiga a justiça climática","jcr:description":"Com a participação de alunas dos Estados Unidos, o projeto estuda como as mudanças no clima afetam a vida das mulheres nas favelas e nos territórios negligenciados"},{"subtitle":"Com a participação de alunas dos Estados Unidos, o projeto estuda como as mudanças no clima afetam a vida das mulheres nas favelas e nos territórios negligenciados","author":"Ernesto Yoshida","title":"Parceria do Laboratório Arq.Futuro de Cidades do Insper com o MIT investiga a justiça climática","content":"Com a participação de alunas dos Estados Unidos, o projeto estuda como as mudanças no clima afetam a vida das mulheres nas favelas e nos territórios negligenciados Alunas e professoras com lideranças comunitárias em Heliópolis   Leandro Steiw   A visita de três estudantes estrangeiras a São Paulo marcou mais uma etapa da parceria entre o [Laboratório Arq.Futuro de Cidades](https://www.insper.edu.br/laboratorio-de-cidades/) do Insper e o D-Lab do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Alunas da disciplina Gender & Development, oferecida pelo MIT, Ololade Olaore (proveniente de Harvard) e Luiza Zibenberg e Tiffany Wong (do Wellesley College) realizaram workshops na Ocupação 9 de Julho, na favela de Heliópolis e no distrito de Cidade Tiradentes. O trabalho de campo aconteceu em janeiro após concluírem a disciplina, durante o período de recesso escolar de inverno nos Estados Unidos. Elas também dialogaram com lideranças comunitárias que fazem parte do Laboratório. Coordenadora do Núcleo Mulheres e Territórios do Laboratório Arq.Futuro de Cidades, Juliana Mitkiewicz trabalha com o D-Lab desde 2017, onde fez parte de seu doutorado. “Esse laboratório tem a perspectiva de não só ministrar disciplinas eletivas e que envolvam contextos sociais como também permite que os estudantes apliquem a teoria na prática, principalmente em países da África, da Ásia e da América Latina”, diz Juliana. “Aplicamos o nosso projeto de mulheres e mudanças climáticas dentro de uma disciplina do MIT sobre gênero e desenvolvimento. Existe um contexto de vários Brasis, mas queríamos dar um olhar especial para a questão urbana de justiça climática com lente de gênero nas cidades de São Paulo e Rio de Janeiro.” Para Juliana, não há como desvincular a questão de justiça em relação a gênero do debate de justiça climática. Sabe-se que as mulheres sofrem mais injustiças na comparação com os homens. A ideia, então, é entender como as favelas e os territórios negligenciados enfrentam as questões de mudanças climáticas e como as mulheres — pioneiras desses espaços urbanos e arrimo de família em sua maioria — estão sofrendo ainda mais por serem mulheres. “Foi daí que começou a parceria”, conta Juliana. “Fizemos esse primeiro olhar de duas semanas para entender, na lente das mulheres, como elas enxergam os seus territórios no contexto da crise climática.” Em visita a outros países, o estudante estrangeiro não tem uma projeção precisa do que vai encontrar e, não raramente, experimenta um choque positivo de realidade sobre a sua visão estereotipada de favelas e territórios negligenciados. “Quando as alunas veem aquela potência rodeada principalmente de mulheres, torna-se muito transformador para elas, do ponto de vista da jovem que vem fazer pesquisa e que descontrói diversos vieses criados por causa da mídia e de coisas que são ditas sobre esses territórios”, afirma Juliana. Ao mesmo tempo, esse encontro fortalece o movimento de mulheres dentro das próprias comunidades. “É um ganho para além dos resultados”, sublinha Juliana. “Porque não queremos só que pesquisadoras acadêmicas façam pesquisa no Brasil, mas que as mulheres das próprias comunidades se apropriem das investigações e participem como pesquisadoras, que se sintam bem-vindas e contribuam com essa troca de conhecimento.” A escolha dos territórios em São Paulo ampliou essa perspectiva. A Ocupação 9 de Julho é um movimento por moradia em um edifício na região central da capital paulista, com uma horta comunitária em meio ao concreto, que levantou a questão do respeito, da dignidade e do direito à moradia ainda acima das mudanças climáticas. Heliópolis é a maior favela de São Paulo, com cerca de 200.000 habitantes, na qual se destacaram a consciência das jovens sobre as alterações ambientais e a mobilização das mulheres em busca de soluções. Reconhecida pelos mutirões de moradia autogeridos pela comunidade, Cidade Tiradentes está no extremo leste da capital de São Paulo, em uma região ainda rodeada de verde e natureza, onde as mudanças climáticas são percebidas e discutidas principalmente pelas lideranças daqueles movimentos. Dessa primeira experiência paulistana, observaram-se algumas especificidades dos territórios em questão, conforme Paulina Achurra, coordenadora acadêmica do Laboratório Arq.Futuro de Cidades. “As inundações, que têm aumentado em frequência e intensidade, são mais relevantes nas periferias. Já a poluição do ar é uma questão muito presente no centro da cidade”, observa Paulina. “Os transtornos não são sentidos apenas na casa inundada como também no cotidiano da vida das pessoas. No transporte público que se paralisa, nas escolas fechadas — nos bairros ricos, a escola fecha num dia, porém abre no outro. Todo o sistema de apoio da mulher fica prejudicado. Fica nítido o impacto desigual, a questão de justiça climática.”   Escuta ativa A próxima fase da relação entre MIT e o Núcleo Mulheres e Territórios está planejada já para março: visitar o Complexo da Maré, no Rio de Janeiro, e avaliar diferenças e semelhanças entre as comunidades das duas cidades mais populosas do país. A Maré é uma comunidade na qual o tema ambiental tem sido historicamente importante, seja pelas condições geográficas da região (foi construída sobre um terreno aterrado pelos moradores e que aos poucos está cedendo), seja pelo engajamento dos seus moradores no tema. No ano passado, a comunidade levou uma carta sobre os direitos climáticos à COP 27 — conferência do clima realizada em novembro, no Egito. Segundo Juliana, para entender a perspectiva das mulheres nas discussões desses territórios negligenciados, o processo será de escuta ativa, com perguntas amplas o suficiente para a troca ao máximo de informações e experiências. O trabalho de campo vai sustentar os cinco objetivos principais do projeto: entender o que são mudanças climáticas e justiça climática sob o olhar de mulheres de favelas e territórios negligenciados; a partir desse entendimento, criar e implementar uma metodologia participativa de coleta de dados sobre mudanças climáticas na perspectiva da mulher nessas comunidades, ampliar para outras comunidades de São Paulo e do Rio de Janeiro e, eventualmente, levar para outras regiões do país; fazer uma defesa ( advocacy ) dessas questões climáticas na perspectiva de gênero por meio de coleta de dados e de um processo de cocriação de metodologia com essas comunidades; combinar essa metodologia de advocacy com a coleta de dados para guiar políticas públicas relacionadas à crise climática; apoiar e dar suporte na amplificação dessas vozes femininas para dialogar com governos locais e estaduais sobre a questão de mudanças climáticas, principalmente nos seus territórios. A criação da metodologia para coleta de dados sobre mudanças climáticas terá uma grande participação da juventude. Nesse ponto, será relevante a experiência do Laboratório De Olho na Quebrada, formado por moradores de 15 a 22 anos de idade de Heliópolis, que pesquisam e divulgam dados sobre os problemas e as potencialidades da favela. “A comunidade está com esse grupo de jovens que já se denominam pesquisadores e fazem coleta de dados”, afirma Juliana. “Também queremos aprender com eles a coletar informações de uma maneira mais inclusiva.”   Ação efetiva Em uma fase seguinte, serão analisadas as políticas públicas existentes no Brasil, em âmbito federal, estadual e municipal — sobretudo em São Paulo e no Rio de Janeiro. Depois, vão ser selecionados um programa-piloto e o território de aplicação, para testar a metodologia desenvolvida na parceria e treinar pessoal. “Entendemos que não somos parte da comunidade e, como queremos fortalecer essa rede de pesquisa dentro dos territórios, a ideia é que a própria comunidade treine mais jovens para serem promotores e coletores desses dados”, explica Juliana. Na terceira fase, com um grupo treinado nas comunidades, o objetivo é realizar de fato a coleta de dados, fazer a análise dessas informações e identificar as intervenções necessárias, buscando ação efetiva nos territórios. “O projeto tem duas entregas principais: a pesquisa pública, divulgada em forma de artigo científico, e um artigo inclusivo, no qual se democratize a metodologia e o conhecimento em conjunto com território e academia”, diz Juliana. A visão do projeto é influenciar políticas públicas em favor das mulheres e das questões climáticas, que atingem diretamente essas mulheres. Além disso, quer se criar um movimento de jovens em prol da mitigação e da adaptação às mudanças climáticas. “Esses jovens são grandes fontes de mobilização e transformação”, afirma a professora. Parcerias como a do Laboratório Arq.Futuro de Cidades e do MIT D-Lab vão também envolver as alunas e os alunos dos cursos de graduação. Na próxima etapa, serão abertas vagas de [iniciação científica](https://www.insper.edu.br/graduacao/iniciacao-cientifica-tecnologica/) nos cursos do Insper, permitindo que os estudantes da escola interajam com os pesquisadores do MIT e das comunidades envolvidas.  "}]