[{"jcr:title":"Como é a cobertura da imprensa de temas ambientais e de sustentabilidade"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Como é a cobertura da imprensa de temas ambientais e de sustentabilidade","jcr:description":"Primeiro episódio de série “As Fontes e o Meio” discute as dificuldades enfrentadas por jornalistas que precisam traduzir para o público assuntos complexos que afetam a todos"},{"subtitle":"Primeiro episódio de série “As Fontes e o Meio” discute as dificuldades enfrentadas por jornalistas que precisam traduzir para o público assuntos complexos que afetam a todos","author":"Ernesto Yoshida","title":"Como é a cobertura da imprensa de temas ambientais e de sustentabilidade","content":"Primeiro episódio de série “As Fontes e o Meio” discute as dificuldades enfrentadas por jornalistas que precisam traduzir para o público assuntos complexos que afetam a todos     Já está no ar [o primeiro episódio](https://www.youtube.com/watch?v=lg-N6lbcujE) de uma série de videocasts (disponível também como podcasts) sobre jornalismo econômico produzida pelo [Centro Celso Pinto](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-celso-pinto/) em parceria com [Por Quê? Economês e Financês em Bom Português](https://porque.com.br/) , uma plataforma da BEĨ Editora. Batizada de “As Fontes e o Meio”, a série discute a cobertura realizada pela imprensa de setores e temas específicos de economia. Em cada episódio, a ideia é reunir, numa mesma mesa, uma fonte de informação do mundo acadêmico, uma fonte de informação do meio empresarial e um ou dois jornalistas, que são o meio que faz com que as informações cheguem ao público. O primeiro episódio discutiu a cobertura dos temas de mudança climática, energia limpa e sustentabilidade. O bate-papo, mediado por Carlos Eduardo Lins da Silva, coordenador do Centro Celso Pinto, contou com a participação de Marcos Jank, coordenador do centro Insper Agro Global, como a fonte acadêmica, de Marcello Brito, CEO da CBKK, uma empresa que financia projetos sustentáveis em todo o Brasil, como a fonte empresarial, e dos jornalistas Daniela Chiaretti, repórter especial do Valor Econômico , e Rodrigo Caetano, editor da revista Exame . Durante a conversa, Marcos Jank comentou que, em sua avaliação, de modo geral, há um despreparo dos jornalistas para cobrir temas relevantes envolvendo o agronegócio e o meio ambiente. “Eu vejo uma certa superficialidade, uma deficiência para entender o ‘climatês’, a linguagem que foi sendo criada para tratar da questão climática e das energias limpas”, disse Jank. Para ele, esses temas são complexos, com novos desdobramentos que surgem a cada dia, e cabe aos jornalistas tentar traduzi-los para os cidadãos comuns de uma forma didática e fácil de entender, mostrando como tudo isso afeta a vida das pessoas. Rodrigo Caetano, da Exame , observou que a falta de profundidade na cobertura dos temas não é um problema restrito a meio ambiente e agronegócios. “Esse é um problema mais amplo e há um motivo para isso: a crise no jornalismo, uma crise do modelo de negócios que reduziu as redações e forçou os jornalistas a serem cada vez mais generalistas.” Caetano, no entanto, chamou a atenção para o crescimento do “jornalismo de nicho”, com um modelo baseado não somente na receita editorial, mas também na oferta de outros produtos, o que pode dar sustentação para permitir uma cobertura mais aprofundada de temas específicos, como ESG, por profissionais especializados. Marcello Brito, da CBKK, comentou que, já em 1988, escreveu um artigo para um jornal e se identificou como um “agroambientalista”. No dia seguinte, seu pai telefonou para ele e o aconselhou a não usar mais essa palavra. Por quê? “Porque o pessoal do agro vai ficar com raiva de você e o pessoal do meio ambiente também vai ficar com raiva de você.” Para Brito, até hoje, não há um entendimento claro das relações entre o agronegócio e o meio ambiente, mesmo entre as pessoas que atuam no setor. Ele citou uma pesquisa realizada pela consultoria McKinsey mostrando que mais de 80% dos empresários do agro não têm ideia do que seja o mercado de carbono. Para Daniela Chiaretti, do Valor Econômico , “essa briga entre agro e meio ambiente já deveria ter sido superada, porque não é possível continuar com essa conversa”. Ela discordou da avaliação de superficialidade da cobertura de temas ambientais. “Pelo menos no nicho específico de clima, eu vejo que temos hoje uma turma de jornalistas muito melhor e mais interessada do que há dez anos. Nesse tema específico, a dificuldade que nós, jornalistas, sentimos é encontrar fontes boas, porque ainda é uma fronteira de conhecimento nova”. Durante o bate-papo, com duração aproximada de 50 minutos, o mediador Carlos Eduardo Lins da Silva provocou os participantes com outras questões. Por exemplo, há algum problema ético quando um jornalista vai cobrir um evento importante, como a conferência do clima, com sua viagem bancada por uma entidade que é também fonte de informação? Outro ponto lembrado pelo mediador é que uma das regras do bom jornalismo é procurar sempre ouvir todos os lados envolvidos em uma questão. Isso se aplica também no caso do negacionismo climático? Veja (ou ouça) o que os participantes comentaram sobre esses e outros assuntos [clicando aqui](https://www.youtube.com/watch?v=lg-N6lbcujE) .  "}]