[{"jcr:title":"Capital humano pode atenuar desincentivo à eficiência no setor público","cq:tags_0":"tipos-de-conteudo:insper-conhecimento"},{"jcr:title":"Grid Container Section","layout":"responsiveGrid"},{"typeView":"vertical"},{"jcr:title":"Capital humano pode atenuar desincentivo à eficiência no setor público","jcr:description":"Estudo encontrou relação entre qualificação profissional e boas práticas gerenciais em escolas"},{"subtitle":"Estudo encontrou relação entre qualificação profissional e boas práticas gerenciais em escolas","altText":"Alunos de uma escola pública na Bahia assistem a uma aula usando computadores","status":"publish","slug":"capital-humano-pode-atenuar-desincentivo-a-eficiencia-no-setor-publico","title":"Capital humano pode atenuar desincentivo à eficiência no setor público","content":"  O conjunto de fatores que, nas organizações públicas, inibe a adoção de práticas administrativas mais eficientes pode ser parcialmente compensado por uma qualificação maior do seu corpo de profissionais. Essa associação entre capital humano e moderação do desincentivo à boa gestão foi encontrada [num estudo com escolas brasileiras](https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=4074187) de ensino médio. Os pesquisadores do Insper [Sérgio Lazzarini](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/sergio-lazzarini/) e [Sandro Cabral](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/docentes-pesquisadores/sandro-cabral/) , com Thomaz Teodorovicz (Harvard) e Leandro Nardi (HEC Paris), trabalharam com dados do Censo Escolar e do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) dos anos de 2007 e 2008 para investigar três hipóteses acerca da qualidade da gestão num universo de 13.939 escolas, sendo 11.058 públicas. Em primeiro lugar, o estudo confirmou pela análise econométrica que escolas públicas, à diferença das privadas, estão associadas à menor propensão a adotar práticas superiores de gestão interna e também de engajamento com o público externo diretamente afetado pelas atividades escolares, como os pais e a comunidade local. Variáveis para exprimir práticas gerenciais e padrões de engajamento foram elaboradas a partir das respostas dos estudantes no questionário do Enem sobre suas percepções acerca de como funcionam aspectos do cotidiano escolar, como planejamento, organização de horários e turmas, solução de conflitos, promoção de feiras, palestras e excursões e capacidade de avaliar o aprendizado. A segunda hipótese confirmada pelos pesquisadores foi a de que o acesso a professores e gestores mais bem instruídos, bem como a mais e melhores recursos tecnológicos, está relacionado à adoção de práticas superiores de gestão interna e de engajamento externo em todo o universo de escolas investigado. A qualificação dos profissionais foi apurada com base na proporção de professores com diploma universitário na escola, e a dotação tecnológica das unidades foi aferida pelo número de computadores dividido pelo número de funcionários, informações dos censos escolares. A terceira e última hipótese avaliada no estudo foi a seguinte: considerando apenas o conjunto das escolas públicas, se a maior dotação de capital humano e de recursos tecnológicos se associa a uma tendência reduzida à não adoção das práticas superiores de gestão e engajamento. A resposta encontrada na análise foi positiva apenas para o caso dos recursos humanos — a infraestrutura tecnológica não se relacionou com menor propensão a dispensar boas práticas. As principais conclusões de Lazzarini, Cabral, Teodorovicz e Nardi resistiram a testes suplementares, feitos por exemplo para comparar escolas cujos alunos detêm características socioeconômicas semelhantes, sugerindo haver um caminho para a melhoria das práticas gerenciais nas escolas públicas mesmo levando em conta a falta de incentivos diretos — como distinções salariais e liberdade de contratar — constitutiva desse modelo de organização. Exercícios dos autores e uma série de outros estudos coincidem em concluir que práticas administrativas superiores estão diretamente relacionadas à melhor aprendizagem dos alunos. O estudo mostra, portanto, que uma parte substancial da diferença de desempenho entre escolas públicas e privadas se deve à menor adoção, por parte das públicas, de práticas gerenciais como planejamento e acompanhamento de resultados, além do baixo engajamento com a comunidade externa. O setor público, de acordo com os achados da pesquisa, não está condenado à ineficiência, desde que implemente práticas que sabidamente produzem maior desempenho.   LEIA O ESTUDO [“Can Public Organizations Perform Like Private Firms? The Role of Heterogeneous Resources and Practices”](https://papers.ssrn.com/sol3/papers.cfm?abstract_id=4074187)"}]