[{"jcr:title":"As vozes mais genuínas de “Cidade de Deus”, atração do Insper Cineclube"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"As vozes mais genuínas de “Cidade de Deus”, atração do Insper Cineclube","jcr:description":"Moradores das comunidades cariocas, os atores então inexperientes contribuíram com diálogos mais realistas da produção que será exibida no dia 21 de setembro no Auditório"},{"subtitle":"Moradores das comunidades cariocas, os atores então inexperientes contribuíram com diálogos mais realistas da produção que será exibida no dia 21 de setembro no Auditório","author":"Ernesto Yoshida","title":"As vozes mais genuínas de “Cidade de Deus”, atração do Insper Cineclube","content":"Moradores das comunidades cariocas, os atores então inexperientes contribuíram com diálogos mais realistas da produção que será exibida no dia 21 de setembro no Auditório   Leandro Steiw   Uma das decisões mais arriscadas do diretor Fernando Meirelles tornou-se um dos trunfos de Cidade de Deus , atração do Insper Cineclube no dia 21 de setembro, às 18h, no Auditório. Ele contratou atores inexperientes, moradores das comunidades do Rio de Janeiro, em busca de maior realismo nos diálogos e na ação. Não era uma estratégia inédita no cinema, mas parecia se encaixar com o texto do escritor Paulo Lins e com as primeiras versões do roteiro de Bráulio Mantovani. No livro Biografia Prematura , Meirelles contou que guardou um recorte de jornal sobre o grupo de teatro Nós do Morro, integrado por moradores do Morro do Vidigal, quando havia comprado os direitos do romance. Posteriormente, o ator Guti Fraga, coordenador do Nós do Morro, dirigiu a oficina de formação dos talentos amadores do longa-metragem. Cerca de 2.000 jovens apresentaram-se para o primeiro teste de vídeo, 400 foram selecionados para uma semana de exercícios de interpretação e 200 passaram para as turmas da oficina. Esse grupo de alunos de 9 a 25 anos recebia as cenas do filme, mas não os diálogos, sendo estimulados pelos professores a improvisar as falas conforme a ação. As melhores ideias eram anotadas e repassadas para Mantovani, que incluía as frases a um novo tratamento do roteiro. A revisão voltava para a oficina e era testada pelos atores, que reclamavam se a conversa soasse artificial. O que ficava ruim caía fora. Nesse vaivém, o roteiro teve nove versões diferentes.   Consagração internacional Vinte anos depois, a obra dirigida por Fernando Meirelles e codirigida por Kátia Lund foi assistida nas salas de exibição no Brasil por 3,3 milhões de pessoas e faturou 30 milhões de dólares, dez vezes mais do que custou. A consagração internacional veio com as quatro indicações para o Oscar 2004: diretor, roteiro adaptado, edição e fotografia. Não recebeu nenhuma das estatuetas, mas estava com a divulgação reforçada. Naquela época, dos atores principais, apenas Matheus Nachtergaele (Sandro Cenoura) tinha alguma projeção na TV e no cinema. Alexandre Rodrigues (Buscapé), Douglas Silva (Dadinho), Leandro Firmino (Zé Pequeno), Michel Gomes (Bené criança), Phellipe Haagensen (Bené adulto), Jonathan Haagensen (Cabeleira), Darlan Cunha (Filé com Fritas), Roberta Rodrigues (Berenice) e Alice Braga (Angélica) davam os primeiros passos na carreira artística. Seu Jorge (Mané Galinha) era conhecido como músico. A história do avanço do crime organizado e do tráfico de drogas na favela Cidade de Deus, no Rio de Janeiro, é narrada por Buscapé, que nasceu num ambiente violento e tenta realizar o sonho de se tornar fotógrafo. No lado oposto, está Dadinho, o traficante que enuncia a célebre sentença “Meu nome agora é Zé Pequeno”, depois de controlar a venda de drogas na região. Eles são o bem e o mal apartados. As outras personagens circulam pela criminalidade, com maior ou menor influência, e vão se confrontando durante a trama. O subproduto mais famoso de Cidade de Deus foi a série Cidade dos Homens , exibida pela TV Globo e feita com boa parte da equipe do filme. Testado como episódio único um ano e meio antes do lançamento do longa-metragem nos cinemas, o programa televisivo garantiu um prolongamento do estrelato de Douglas Silva e Darlan Cunha, então com 14 anos. Outras referências se seguiram — Buscapé apareceu até em publicidade de smartphone neste embalo dos 20 anos. Seja pelas oportunidades que abriu, seja pelas críticas boas e ruins que gerou, Cidade de Deus continua um marco do cinema brasileiro.     Cena de “ Cidade de Deus ” : a realidade por vezes se mostra mais dura do que a mostrada no filme   Três curiosidades sobre “Cidade de Deus”   1. Violência explícita Fernando Meirelles contou que, enquanto rodava o filme, 64 garotos foram mortos a tiros na Cidade de Deus. Era um dos argumentos do diretor para rebater a crítica de que Cidade de Deus mostrava violência gratuita.   2. A vida mais que real Para tentar amenizar a sociopatia de Zé Pequeno, Meirelles conversou com a mãe do verdadeiro traficante, já falecido na época. Ela teria dito que não sabia como o filho tornara-se bandido, pois tivera a mesma educação dos irmãos e vivera em uma família estruturada e trabalhadora. O cineasta resolveu, então, manter a caracterização pervertida da personagem.   3. Previsão frustrada Depois que Cidade de Deus ficou pronto, o roteirista Bráulio Mantovani disse para Meirelles que ele ganharia o Oscar, mas que era uma pena que ninguém iria assistir ao filme.  "}]