[{"jcr:title":"Setor de infraestrutura vive um novo momento no Brasil"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Setor de infraestrutura vive um novo momento no Brasil","jcr:description":"Novos investimentos, viabilizados por marcos legais, criam um cenário promissor. Não faltam projetos, mas é preciso atrair mais competidores"},{"subtitle":"Novos investimentos, viabilizados por marcos legais, criam um cenário promissor. Não faltam projetos, mas é preciso atrair mais competidores","author":"Ernesto Yoshida","title":"Setor de infraestrutura vive um novo momento no Brasil","content":"Novos investimentos, viabilizados por marcos legais, criam um cenário promissor. Não faltam projetos, mas é preciso atrair mais competidores   Tiago Cordeiro   No ritmo atual de investimentos em infraestrutura, para tirar o Brasil da 71ª. posição no [Global Competitiveness Index](https://www.weforum.org/reports/the-global-competitiveness-report-2020/) , do Fórum Econômico Mundial, e alcançar o 20º. lugar, seria necessário aplicar 339 bilhões de reais — isso se nenhum outro país investisse mais no setor. Considerando a taxa anual de valores destinados de 2017 a 2022, o país precisaria de 238 anos. Mesmo que aplicasse de acordo com o ritmo de crescimento do PIB, seriam necessários 82 anos. Em outras palavras, apesar de representar a 9ª maior economia do planeta, o Brasil não é competitivo. Com 8,5 milhões de quilômetros quadrados, não consegue proporcionar para o setor produtivo a infraestrutura necessária para crescer a um ritmo competitivo. Como apontou Paulo Furquim, professor do Insper, no painel sobre “Infraestrutura, Saneamento e Habitação”,  durante o evento que marcou os cinco anos do [Centro de Gestão e Políticas Públicas (CGPP)](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-de-gestao-e-politicas-publicas/)  do Insper, alguns setores estão mais avançados, como o de eletricidade, enquanto outros, notadamente ferrovias e hidrovias, permanecem longe do ideal. Ainda assim, há boas notícias no setor, especialmente no saneamento. E foi para avaliar o cenário e projetar perspectivas que Furquim, coordenador do Centro de Regulação e Democracia (CRD) do Insper, debateu o tema com Isadora Cohen, Gesner de Oliveira e Karla Bertocco Trindade. “Pela primeira vez na história recente, o Brasil tem muitos projetos e poucos players . Chegamos a um nível de amadurecimento em que concorremos com nós mesmos”, avaliou Isadora Cohen, secretária executiva da Secretaria dos Transportes Metropolitano de São Paulo, sócia fundadora licenciada da ICO Consultoria e integrante do corpo docente da London School of Economics.   Boom de projetos “Antigamente, a reclamação universal era não ter bom projetos. O Brasil superou essa etapa. Agora estamos vendo um boom de projetos, o que nos leva a um segundo problema: a falta de players no mercado”, disse Karla Bertocco Trindade, sócia da Mauá Capital, responsável pelos projetos de água e infraestrutura. Algumas empresas cresceram rapidamente de tamanho, aproveitando as oportunidades, mas alcançaram um nível de alavancagem que não permite crescer muito mais, apontou. “Precisamos de alguma forma fortalecer aqueles que podem ser novos competidores”, reforçou Karla, que tem mais de 15 anos de liderança e experiência C-level no setor de infraestrutura, água e saneamento no Brasil, incluindo a atuação como CEO da Sabesp e diretora-gerente da área de Governo e Infraestrutura do BNDES. Num cenário em que o país se mostra mais capacitado para gerar oportunidades, estados e municípios competem em busca de recursos, concordou Furquim. “Os investimentos em infraestrutura são tradicionalmente irrecuperáveis e de longo prazo. É necessário, da parte do Estado, um compromisso crível de não apropriação. Por isso, os marcos legais são fundamentais”, disse Furquim. Foi o que aconteceu com o saneamento, por exemplo, que vem apresentando resultados expressivos, viabilizados pela Lei 14.026/2020, o marco legal do saneamento básico.   Lacunas e oportunidades O marco gerou mais de 72 bilhões de reais em investimentos para o setor em dois anos, segundo o Ministério do Desenvolvimento Regional, resultado de licitações que impactam 19 milhões de pessoas em 212 municípios. O objetivo é que, até 2033, 99% da população brasileira tenha acesso à água potável e 90% ao tratamento e à coleta de esgoto. Atualmente, de acordo com o Instituto Trata Brasil, quase 35 milhões de pessoas no Brasil vivem sem água tratada e cerca de 100 milhões não têm acesso à coleta de esgoto. “Antes do marco, apenas 6% dos municípios concediam saneamento a empresas privadas. A segurança jurídica proporcionada pela lei está mudando este cenário”, observou Furquim. “As lacunas são enormes, em hidrovia, saneamento e portos. O tamanho do mercado é brutal, as oportunidades são enormes”, afirmou Gesner Oliveira, sócio da GO Associados. “De outro lado, no Brasil, empreender ainda é uma verdadeira gincana. Isso explica a contenção, apesar da enorme oportunidade”, disse Oliveira, que é professor da FGV, onde coordena o Centro de Estudos de Infraestrutura e Soluções Ambientais, foi presidente da Sabesp e do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). “Nosso maior manancial é nossa incompetência”, prosseguiu Oliveira, citando como exemplo o indicador médio de perda de água potável, que está em 40%. “Poderíamos abastecer a Itália com nosso desperdício, que se reflete inclusive em racionamento no fornecimento.” O setor de infraestrutura ainda pode ser fortalecido pela segurança jurídica. “Existe um conflito de competência entre os diferentes entes que se colocam como atores, incluindo o Judiciário e as cortes de contas. Está pouco claro quem dá a palavra final. A confusão de papéis traz insegurança para o investidor”, avaliou Karla Bertocco Trindade. “A flexibilidade na contratação dos serviços de longo prazo é uma necessidade, que não é bem-vista pelo Judiciário”, observou Isadora Cohen.   LEIA TAMBÉM: [Infraestrutura, saneamento e habitação](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2022/07/Infraestrutura-saneamento-e-habitacao-Paulo-Furquim.pdf)"}]