[{"jcr:title":"Blockchain e a convergência situacional no Brasil"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Blockchain e a convergência situacional no Brasil","jcr:description":"Somente é possível tomar as melhores decisões com dados confiáveis, transparentes e parametrizados"},{"subtitle":"Somente é possível tomar as melhores decisões com dados confiáveis, transparentes e parametrizados","author":"Ernesto Yoshida","title":"Blockchain e a convergência situacional no Brasil","content":"Somente é possível tomar as melhores decisões com dados confiáveis, transparentes e parametrizados   Marson Cunha*   A industrialização do Brasil na década de 1950 foi um grande feito: construiu-se Brasília (inaugurada em 1960), diversos setores foram estabelecidos (transformando uma economia essencialmente agrária em industrializada) e investimentos em infraestrutura se espalharam pelo país. O resultado disso foi uma combinação de alto crescimento econômico, redução nas taxas de mortalidade infantil e analfabeismo e aumento na inflação. Naquela década, houve uma quebra de paradigmas para o país, o que serviu de alicerce para torná-lo, no fim das contas, uma das 10 maiores economias do mundo. Hoje temos a oportunidade de perseguir um resultado igualmente construtivo para o Brasil por meio de um caminho diferente: a blockchain. Onde estamos “Uma vez criada a entidade burocrática, ela, como a matéria de Lavoisier, jamais se destrói, apenas se transforma.” (Roberto Campos) Relatório do Banco Mundial (“Doing Business in Brazil”), que começou em 2006 e foi descontinuado em 2021, contou recorrentemente com o tema de complexidade burocrática como um dos principais limitantes para o crescimento do país. Na primeira edição, de 2006, na qual figurou na posição 119, o país levava quase 100 dias a mais que o México para abrir uma empresa e cerca de 20 dias a mais que a Guatemala para execução judicial de contratos. Na edição de 2021, na qual houve um aprofundamento maior, ainda demonstra que a burocracia continua sendo um obstáculo. A nova lei dos cartórios (Lei 14.382/2022), que efetiva o Sistema Eletrônico dos Registros Públicos (Serp), abre as portas para que o Brasil opere com maior transparência, eficiência e celeridade, tendo como um resultado indireto a oportunidade de criar um diálogo mais claro e próximo com economias globais, atraindo mais investimentos para o país. O Brasil dá um passo importante para dirimir questões apontadas pelo Banco Mundial nos últimos 16 anos. Um passo que, muito provavelmente, se dará com blockchain, indo ao encontro do caminho pautado pelo Banco Central. O trabalho desempenhado pelo Banco Central no Brasil tem sido destacado nacionalmente e internacionalmente. No entanto, suas pautas tecnológicas são as mais pertinentes para essa construção: o pix, open finance e inovação na moeda. Essa agenda, que busca a construção para um ambiente defi visando integrar blockchain, tokenização e ativos virtuais à realidade econômica do país, alinhada à implantação com sucesso do Serp, pode proporcionar um desenvolvimento superior. Transmutamos nossa burocracia para que seja eficiente e tenha mais valor.   Para onde vamos “Se um homem continua a cometer erros, como discernir se ele é irracional ou apenas lhe faltam informações.” Anthony Downs (Uma Teoria Econômica sobre a Democracia) Há um desconexo entre risco e a percepção de risco. Risco é um fator mensurável e que depende de fatores parametrizáveis e claros, no qual há confiança sobre os dados sendo analisados. Já a percepção de risco é subjetiva e naturalmente utilizado em instâncias em que não há informação confiável, recorrente ou que conte com regras padronizadas. De uma forma mais prática, o entendimento de risco de investimento no Brasil para um brasileiro é diferente do que para um estrangeiro (independentemente da nacionalidade). Pode-se dizer o mesmo ao revés, no entanto; para mitigar parte desse delta, há uma pluralidade de dados públicos que são constantemente mantidos e divulgados em países como Estados Unidos, Canadá, Reino Unido e outros. Com blockchain, temos a oportunidade de rapidamente replicar esse modelo, pois nesse quesito o limitante não é que o país não utiliza dados, mas o fato de que estão represados. Existem diversos silos de informação em sítios públicos e privados, que se beneficiariam por ter suas origens e qualidade certificadas em blockchain. Com confiabilidade de dados, por meio da blockchain, acesso à tremenda riqueza de dados que as diversas indústrias nacionais contêm, seria uma questão de lógica econômica: quem possuir dados e tiver interesse em monetizá-los, assim o fará. Naturalmente, esees dados não estão, na maior parte, organizados ou estruturados para controles e consumo proprietário, quiçá para uso nessa nova economia. Muitos estão inclusive em formato físico justamente porque é em conjunto com uma rubrica que possuem maior valor, mas que não foram ainda digitalizados. É importante ressaltar que dados possuem valor enquanto forem relevantes e, assim como muitos bens, são perecíveis. A informação sobre o preço de uma cota de um determinado fundo em 2010 vale menos hoje do que valia em 2010. No entanto, o valor da informação a respeito do preço desse mesmo fundo hoje tem mais valor quando acompanhada de sua série histórica, e ainda mais valor quando vier com dados sobre a composição de sua carteira. Complementando a confiabilidade de dados, transparência é crucial. Para completar a tríade, também precisamos que os dados sejam parametrizados. Essa parametrização nos permite a tomar melhores decisões com dados confiáveis e transparentes. Quando pensamos em buscar opções de alocação para nossa carteira de investimentos, buscamos a melhor alocação possível do ponto de vista de risco e retorno dado nosso perfil individual. Isso significa que vamos comparar os produtos que estão disponíveis no mercado e ranqueá-los conforme nossa preferência de risco e retorno. Se não houver um consenso a respeito desse ranking, ou seja, se não há parametrização dos dados, o processo decisório será nebuloso. Como chegamos lá? Entregamos dados a partir da adoção de soluções tecnológicas que sejam capazes de construir a infraestrutura de dados que nossas respectivas indústrias precisam: se os dados estão desconexos, busca-se agregá-las e prover inteligência; se estão organizados mas sem a validação de origem, encontra-se uma maneira de utilizar blockchain para trazer a validação; e se não há uma rastreabilidade dos dados com “prova do estado”, mantém-se a base de dados sempre vigente e relevante no tocante a ter dados atuais. A somatória de todos os fatores acima para a realidade atual, combinada à conjuntura política global, cria um ambiente muito oportuno para o Brasil atrair investimentos e se projetar ainda mais globalmente. Adicionalmente, tem também a oportunidade de aproveitar o fato de haver uma busca por um reposicionamento de cadeias produtivas globais que visam diversificar de uma concentração no hemisfério oriental. E, nesta circunstância, não faltam mais informações e a racionalidade aparece. Os gregos antigos tinham duas palavras, chronos e kairós, para representar tempo. O primeiro é a visão mais comum e linear (quantitativa), que foca na mensurabilidade do tempo e no registro de acontecimentos. Já o segundo conta com a representatividade do tempo (qualitativa), em que não importa a mensuração, mas a significância. A convergência desses pontos todos neste momento representa para o país uma oportunidade para acertar o prumo e possivelmente cumprir a promessa temporal de Juscelino Kubistchek. Simplificando, o tempo de darmos passos largos é agora.   (*) Marson Cunha é o managing director da Inveniam, Brasil e Peru Lead. Profissional de finanças com vasta experiência na liderança e no planejamento de finanças estruturadas, fusões e aquisições e private equity real estate. É alumnus Insper do MBA de Finanças, turma de 2009."}]