[{"jcr:title":"Preocupação com a ética cresce no mercado de inteligência artificial"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Preocupação com a ética cresce no mercado de inteligência artificial","jcr:description":"A tecnologia se tornou mais barata e acessível do que há quatro anos, mas o aumento de uso também exige atenção para suas consequências"},{"subtitle":"A tecnologia se tornou mais barata e acessível do que há quatro anos, mas o aumento de uso também exige atenção para suas consequências","author":"Ernesto Yoshida","title":"Preocupação com a ética cresce no mercado de inteligência artificial","content":"A tecnologia se tornou mais barata e acessível do que há quatro anos, mas o aumento de uso também exige atenção para suas consequências   Tiago Cordeiro   O mercado de inteligência artificial está mais concentrado, com um número menor de empresas recebendo um volume maior de investimentos para desenvolver soluções utilizando a tecnologia, que está mais barata e acessível do que nunca. Essa é a principal notícia do [Stanford AI Report](https://aiindex.stanford.edu/report/) , um dos relatórios mais influentes da área, cuja versão 2022 foi publicada recentemente. Mas os autores do estudo chamam a atenção para uma consequência importante desse fenômeno: o aumento do uso da inteligência artificial fez disparar a preocupação com a ética aplicada a ferramentas que usam a tecnologia. O número de modelos de linguagem que utilizam IA continua em franca ascensão, aponta o estudo. Ainda não alcançou a performance humana, mas está muito mais perto disso do que em 2019. Esse avanço carrega consigo uma dificuldade: o aumento de 29% na comunicação utilizando expressões tóxicas. A tecnologia está mais acessível, mas também mais enviesada. “Nos últimos anos, sistemas utilizando IA começaram a ser aplicados a situações reais, e pesquisadores e usuários têm dado maior atenção aos danos que eles podem causar”, aponta o relatório. “Alguns desses danos incluem ferramentas comerciais de reconhecimento facial que discriminam com base na raça, sistemas de avaliação de currículo que demonstram preconceito de gênero e ferramentas de saúde, apoiadas em IA, que se mostram enviesadas seguindo critérios raciais e sociais.” O professor André Filipe de Moraes Batista, coordenador técnico do [Centro de Ciência de Dados do Insper](https://www.insper.edu.br/pesquisa-e-conhecimento/centro-de-ciencia-de-dados/) , avalia: “A solução para evitar essas armadilhas é estabelecer o princípio de que é preciso explicitamente incluir a diversidade no processo de aprendizado de máquina, para que implicitamente não sejam geradas soluções de IA enviesadas”. Neste contexto, o Insper, por meio do seu Centro de Ciência de Dados, estabeleceu sua política de governança e gestão de dados científicos, como mais um elemento norteador para as boas práticas de uso de dados. O documento é acessível publicamente [neste link](/content/dam/insper-portal/legacy-media/2022/04/politica-de-governanca-e-gestao-de-dados-cientificos_2022-1_port.pdf) .   Política de governança O Stanford Institute for Human-Centered Artificial Intelligence (HAI) produz o relatório desde 2017. O objetivo é coletar e organizar dados a respeito do uso da IA em diferentes frentes, incluindo universidades, empresas e organizações não governamentais, de forma a contribuir para que tomadores de decisão avancem na tecnologia, de forma ética e responsável. O estudo também atualiza informações sobre a legislação a respeito da tecnologia em 25 países diferentes. O trabalho indica que os investimentos privados em AI, em 2021, [alcançaram 93,5 bilhões](https://www.insper.edu.br/noticias/investimento-em-inteligencia-artificial-em-2021-dobrou-em-relacao-ao-ano-anterior/) de dólares, pouco mais do que o dobro dos 46 bilhões de dólares apurados no ano anterior. Os temas que mais recebem investimentos são, pela ordem, gestão de dados, processamento de dados e nuvem. Por outro lado, o número de companhias financiadas seguiu uma tendência de queda, de 1.051, em 2019, para 762 em 2020 e 746 em 2021. Com mais dinheiro, destinado a um núero menor de empresas, em um ano o número de rodadas de investimentos com valores acima de 500 milhões de dólares saltou de 4 para 15. Em reação, o volume de pesquisas sobre a transparência vem aumentando de forma expressiva: no último ano, cresceu 71% o total de pesquisadores que publicaram estudos sobre o tema com o apoio de grandes empresas do setor. Na mesma medida, aumenta o número de leis que buscam normatizar o uso da tecnologia: em 2016, apenas uma foi aprovada no mundo inteiro; em 2021, foram 18, com destaque para três diferentes textos legais aprovados por Espanha, Estados Unidos e Reino Unido. Outra das preocupações do estudo é identificar as [colaborações entre organizações de diferentes países](https://www.insper.edu.br/noticias/sem-guerra-fria-china-e-eua-sao-os-mais-prolificos-parceiros-em-pesquisas-sobre-ia/) . A China domina o cenário: as pesquisas em parceria com os Estados Unidos lideram o ranking global e cresceram cinco vezes de 2010 a 2021. Em segundo lugar vêm os trabalhos conjuntos entre chineses e britânicos. Tamanho esforço vem mostrando resultados: o número de patentes utilizando AI cresceu mais de 30 vezes desde 2015. Desde 2018, o custo para treinar um algoritmo para classificar uma imagem caiu 64%, enquanto a velocidade para alcançar resultados satisfatórios aumentou em 94%, o que acelera a adoção da tecnologia. A disseminação do uso fica clara em outra frente: o preço médio de braços robóticos caiu 46% nos últimos cinco anos, de 42 mil dólares, em média, para 22.600 dólares.   Vagas abertas O relatório também indicou que a busca por profissionais capazes de desenvolver ferramentas utilizando IA disparou. Os países com maior crescimento na procura são Nova Zelândia, Hong Kong, Irlanda, Luxemburgo e Suécia. No Insper, a inteligência artificial faz parte da trilha de aprendizado dos cursos de graduação e especialização, das mais variadas áreas — afinal, a tecnologia está presente na formação de advogados, comunicadores, administradores e engenheiros, além dos cursos da área de tecnologia, incluindo a [graduação em Ciência da Computação](https://www.insper.edu.br/graduacao/ciencia-da-computacao/) , além da pós-graduação em Data Science e Decisão, existente na escola desde 2019.  "}]