[{"jcr:title":"Como a tecnologia de ponta contribuiu para a rápida aceitação do Pix"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Como a tecnologia de ponta contribuiu para a rápida aceitação do Pix","jcr:description":"O sistema de pagamento, que movimentou 6,6 trilhões de reais em 16 meses de operação, utiliza avanços em machine learning e criptografia"},{"subtitle":"O sistema de pagamento, que movimentou 6,6 trilhões de reais em 16 meses de operação, utiliza avanços em machine learning e criptografia","author":"Ernesto Yoshida","title":"Como a tecnologia de ponta contribuiu para a rápida aceitação do Pix","content":"O sistema de pagamento, que movimentou 6,6 trilhões de reais em 16 meses de operação, utiliza avanços em machine learning e criptografia   Leandro Steiw   Novas tecnologias podem ser cruéis com os mais velhos, que às vezes nem tiveram tempo de dominar os dispositivos mais comuns do cotidiano. Por isso, um dado apresentado recentemente pelo banco Itaú chama a atenção: 70% das transações feitas por clientes com mais de 60 anos utilizam o Pix. Os idosos representam 16% da população brasileira, ou 34 milhões de pessoas, sendo que 32,5 milhões têm relacionamento com o sistema financeiro, principalmente com bancos. Até o fim de 2021, 30% dos idosos brasileiros já haviam registrado uma chave Pix. Os dados reforçam a aceitação do sistema de pagamentos lançado em novembro de 2020 e que conseguiu 50 milhões de inscritos já na primeira semana de operação. O Pix usa uma estrutura tecnológica centralizada, na qual a comunicação entre os diversos participantes e o Banco Central é realizada por meio de mensageria — um padrão internacional de comunicação, o ISO 20022, para a indústria financeira, que permite que diferentes sistemas tecnológicos se comuniquem por meio das mesmas mensagens. Segundo o BC, o tráfego das informações das transações é criptografado na Rede do Sistema Financeiro Nacional (RSFN), que opera apartada da internet e na qual ocorrem as transações do Sistema de Pagamentos Brasileiro (SPB). Todos os participantes do Pix emitem certificados de segurança para transacionar na rede. As informações das transações e os dados pessoais vinculados às chaves Pix são armazenados de forma criptografada em sistemas internos do BC. A facilidade de transferir dinheiro pelo Pix, sem taxas para pessoas físicas, explica boa parte do êxito do serviço. As operações podem ser feitas qualquer dia, em qualquer horário, entre as diversas instituições financeiras do país, com relativa segurança. Os dados mais recentes apontam 409 milhões de chaves Pix cadastradas, com 122 milhões de usuários — lembrando que é possível ter mais de um cadastro por CPF ou CNPJ. Há muita tecnologia de ponta envolvida num Pix. Inovações como reconhecimento biométrico e facial são possíveis graças aos avanços nas pesquisas de machine learning e inteligência artificial. Combinadas a senhas e tokens, elas aumentam a segurança na autenticação do usuário, um dos momentos críticos em operações online. O BC explica que as transações só podem ser iniciadas em ambiente seguro da instituição de relacionamento do consumidor. Além disso, o cliente usa a câmera do seu próprio telefone celular, e não dispositivos de terceiros, sobre os quais não é possível aferir credibilidade total. Para evitar duplicidade de processamento da mesma transação financeira, o Pix utiliza o princípio da idempotência, adotado em Ciência da Computação: uma mesma operação repetida diversas vezes obtém sempre o mesmo resultado. Em caso de falha no sistema, as ordens de pagamento e as devoluções de dinheiro não ocorrem duas vezes. Se o usuário ficou em dúvida sobre uma transferência, basta reenviar o pedido anterior: a rede informará o status de sucesso ou falha. No primeiro caso, nada novo acontecerá. No segundo, será iniciado o processamento. A ideia é não precisar de um segundo canal de consulta para conferir as operações. A infraestrutura do Pix foi feita em código aberto, baseada na tecnologia de streams do Apache Kafka, uma plataforma de baixa latência e capacidade elevada de processamento em tempo real. Por se tratar de open source, todo processo é documentado e aberto para contribuição de programadores.   Inclusão financeira Os números do Pix impressionam: desde o lançamento até fevereiro de 2022, os brasileiros movimentaram 6,6 trilhões de reais pelo sistema. É uma quantia que deixou de circular pelas máquinas de cartão de débito e crédito e por operações mais tradicionais dos bancos, como DOC e TED. Em média, 72% das transferências foram feitas entre pessoas físicas, no sistema P2P. O potencial cresce porque o celular se consolida como o principal meio de acesso digital a serviços financeiros, mesmo entre os brasileiros com renda inferior a dois salários-mínimos, conforme a Federação Brasileira de Bancos. “O Pix é um instrumento de inclusão financeira fortíssimo”, diz Ricardo Humberto Rocha, professor de Finanças do Insper. O sistema de pagamento cria fluxo para trabalhadores que recebem por trabalhos sem contracheque, por exemplo, e que não eram percebidos pelos bancos. “A inclusão digital é fundamental para as pessoas terem acesso a crédito. É justo e democrático que todo indivíduo tenha acesso, que se entenda que ele pode ser um bom cliente. E o open banking, junto com o Pix, deu outra dinâmica ao processo”, explica Rocha, doutor em Administração pela Universidade de São Paulo."}]