[{"jcr:title":"Nova York adota lei de transparência salarial em anúncios de emprego"},{"targetId":"id-share-1","text":"Confira mais em:","tooltipText":"Link copiado com sucesso."},{"jcr:title":"Nova York adota lei de transparência salarial em anúncios de emprego","jcr:description":"Empresas na cidade devem agora divulgar as faixas de remuneração das vagas oferecidas. A medida pretende combater a discriminação em função de gênero"},{"subtitle":"Empresas na cidade devem agora divulgar as faixas de remuneração das vagas oferecidas. A medida pretende combater a discriminação em função de gênero","author":"Ernesto Yoshida","title":"Nova York adota lei de transparência salarial em anúncios de emprego","content":"Empresas na cidade devem agora divulgar as faixas de remuneração das vagas oferecidas. A medida pretende combater a discriminação em função de gênero   Maior cidade americana, com 8,8 milhões de habitantes, Nova York adotou desde 1º de novembro uma lei de transparência salarial. Agora, todas as empresas com pelo menos quatro funcionários que anunciarem vagas de trabalhos na cidade são obrigadas a informar as faixas salariais dos empregados que estão querendo contratar. O principal objetivo da medida é combater a diferença no valor da remuneração em função do gênero dos candidatos. A obrigatoriedade vale tanto para anúncios de emprego online quanto para os meios impressos, inclusive em divulgações feitas internamente nas empresas. A aplicação da lei será monitorada pela Comissão de Direitos Humanos de Nova York. Os empregadores que descumprirem as regras estão sujeitas a multas de até 250 mil dólares. Nova York segue os passos de outros governos que adotaram legislações similares nos Estados Unidos, incluindo os estados de Colorado, Nevada, Connecticut e Washington. A Califórnia já aprovou uma lei que obriga a divulgação das faixas salariais em anúncios de emprego para empresas com 15 ou mais funcionários a partir de 1º de janeiro de 2023. A Assembleia Legislativa do Estado de Nova York aprovou uma medida semelhante à da cidade, mas a governadora Kathy Hochul ainda não sancionou a lei. À medida que as regras de transparência entram em vigor em alguns dos maiores mercados de trabalho do país, seus defensores esperam que as disparidades salariais para mulheres e trabalhadores não brancos diminuam. De acordo com dados do instituto Pew Research Center, citados em uma reportagem do jornal [New York Times](https://www.nytimes.com/2022/10/29/business/nyc-us-salary-transparency.html) , em 2020, as mulheres nos Estados Unidos ganhavam 84% do que os homens recebiam, sendo essa diferença maior ainda para as mulheres negras. A diferença salarial entre homens e mulheres não é uma situação exclusiva dos Estados Unidos. O quadro abaixo mostra a defasagem salarial em alguns países, de acordo com os cálculos da [OCDE](https://data.oecd.org/earnwage/gender-wage-gap.htm) , o clube dos países ricos.       Na média global, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, as mulheres recebem cerca de 20% menos que os homens. Embora características individuais como educação, tempo de trabalho, segregação ocupacional, habilidades e experiência expliquem parte das disparidades salariais entre homens e mulheres, grande parte se deve à discriminação com base no gênero, de acordo com a OIT. O organismo defende que as medidas de transparência salarial podem ajudar a expor as diferenças salariais entre homens e mulheres e identificar as causas subjacentes, contribuindo dessa forma para reduzir as defasagens na remuneração.   Resistência e medo Em Nova York, a lei de transparência salarial foi recebida com alguma resistência por empregadores e recrutadores, que afirmam que ela introduzirá obstáculos em um mercado de trabalho já comprimido. Empresas que já estão divulgando faixas salariais disseram que os efeitos foram significativos, expondo disparidades e provocando mudanças nas políticas corporativas. Há o temor de que, ao descobrirem quanto seus novos colegas estão ganhando, muitos funcionários vão pedir aumentos. Entrevistada pelo New York Times , a consultora de carreiras Kim Scott, ex-executiva do Google e autora do livro Just Work , defendeu a transparência salarial. Para ela, o processo de recrutamento deve ser como ir ao supermercado: “Você vê quais são os preços. Você não precisa negociar com o caixa quanto vai pagar por uma caixa de ovos. Você só paga o preço”."}]